29/05/2014 às 08h59min - Atualizada em 29/05/2014 às 08h59min

Um buraco que vai matar

O buraco fica nas proximidades da curva do Timbiras

José Luiz (Luja) Machado Rodrigues é acadêmico da ALLA
Leopoldinense

Não faz muito tempo que recapearam o asfalto de praticamente todo o trecho da BR-116 entre Leopoldina e Além Paraíba. Dizem que o fizeram até próximo a Realeza (MG). Consertaram pontes vulneráveis e alargaram acostamentos. Abriram terceira pista em algumas subidas e melhoraram a visibilidade em curvas de maior perigo. Construíram canaletas, bueiros e dutos para enxurradas. Reorganizaram taludes e construíram muros de gabiões. Retiraram barrancos que não paravam de cair e aterraram áreas que parecem destinadas a receber praças de pedágio. Afirmaram em matéria publicada na grande imprensa que o trecho seria privatizado ou, concedido, na visão do politicamente correto. E imaginávamos que alguma empresa particular herdaria mesmo a estrada, as melhorias e, o mais importante, as bilheterias do pedágio, o que parece não ter acontecido por conta de alguma burocracia ou, acordo que não pode ser concluído.

 Por via das dúvidas e para não perder a oportunidade, colocaram três "pardais" no trecho para arrecadar mais alguns trocados para serem partilhados entre o fabricante do equipamento, a firma de manutenção e o governo que é um sócio sempre presente na boca do caixa.

 Como diria um bom italiano da Colônia Agrícola da Constança: "meno male".Menos mal porque dois destes pardais foram instalados no Bairro da Onça, na chegada da cidade, e prestam um grande serviço ao evitar a carnificina rotineira que ocorria na ponte do km 771 e, principalmente, na curva do Timbiras, que fica próxima à entrada para o bairro Boa Sorte. E, verdade seja dita, no pouco tempo que estão ali certamente já salvaram muitas vidas e prejuízos materiais. Porque no local ocorriam acidentes todas as semanas, boa parte deles com vítimas fatais e depois da instalação se conta nos dedos as poucas ocorrências registradas. Num retrato acabado de uma realidade dura e caminho para uma conclusão óbvia. A de que a colocação de um "pardal" é medida tão antipática quanto a Lei Seca e os quebra-molas. São detestados pelos motoristas, inclusive pelos autores deste artigo, embora eficientes e dignos de aplausos, inclusive destes mesmos autores e certamente de todos os seres humanos de bom senso que trafegam pelo mundo cão em que se transformaram as ruas e rodovias deste país.

 Mas a razão deste artigo é bem outra. É a existência de um buraco muito especial, que está sendo "cultivado pelo DNIT" para voltar a matar gente nas proximidades da citada curva do Timbiras. E dizemos que está sendo "cultivado" porque ele vem crescendo por baixo do asfalto, com o conhecimento e complacência do DNIT que o sinalizou com duas ou três plaquinhas. É especial porque a Polícia Federal, que passa por ali já foi alertada e não se abala. E as firmas que fazem a manutenção da estrada e do "pardal", certamente já o viram e não se incomodam com ele. Ninguém o considera uma ameaça. E todos agem com ele como Pilatos agiu em relação à crucificação de Cristo. Lavam as mãos. E, talvez, durmam tranquilos quando ali morrer um desconhecido, um pobre motorista trabalhador ou, um familiar nosso ou do amigo leitor.

 E para que não digam que desconhecem a existência dele, informamos que esta cratera fica dez metros antes do segundo "pardal", para quem segue para o Rio de Janeiro. Do lado esquerdo da estrada, logo depois da curva. Pelo tamanho atual engole um carro inteiro, o que vai acontecer certamente em breve se não tomarem providência. É o resultado de uma obra mal feita ou, vitimada pela falência do material usado. Decorre da destruição natural da tubulação de passagem sob o asfalto, da água que vem da nascente e de toda bacia que recolhe as chuvas do pequeno vale que fica nos fundos da empresa PREARCON. Águas que se acumulam e corroem o aterro que segura o asfalto, bem na entrada da curva. Águas que já levaram o asfalto do acostamento e agora começa a desaparecer com parte da pista de rolamento que segue o mesmo caminho.

 A nós, resta fazer um pedido: Que Deus nos proteja e aos motoristas que passam por ali, não desampare.


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