15/07/2017 às 11h25min - Atualizada em 15/07/2017 às 11h25min

Cuba Libre - Três gerações, três grandes talentos

Por Luciano Baía Meneghite
 Mesmo pertencendo a gerações diferentes, a sintonia musical entre eles é perfeita. Prince Johnny, 23 anos (guitarra e voz) Emerson Carlos, 44 anos (baixo e voz) e Jorge dos Santos, o “Jorge Cego”, 66 anos (percussão), resolveram unir seus talentos em um novo grupo musical, o “Cuba Libre”.   Embora o nome remeta à música caribenha, o foco principal do novo grupo é a MPB, mas passeando por diversos estilos.   O repertório procura agradar ao público sem abrir mão da qualidade. Conhecedores do mercado em nossa região, eles sabem das dificuldades, principalmente do pouco valor dado a grandes artistas locais, mas o amor a arte fala mais alto. Esperamos que o Cuba Libre tenha vida longa, enriquecendo a história da música em Leopoldina, talento não falta.

 Clique aqui e assista um trecho de ensaio do grupo
 
Conheça um pouco mais sobre os músicos:


Prince Johnny

Prince Johnny, ou Johnym  como é mais conhecido, é natural de Petrópolis-RJ. Desde novo tomou gosto pela música e ainda adolescente passou a tocar guitarra em alguns grupos de rock de sua cidade natal. Há três anos mudou-se para Leopoldina. Aqui passou a viver profissionalmente da música. Junto com Emerson e Dil Nascimento, integrou a Banda Bonanza. Faz também apresentações individuais em alguns eventos.  Com apenas 23 anos de idade, Johnym demonstra muita segurança e competência no que faz.


Emerson Carlos

Emerson nasceu em Leopoldina, em 21 de fevereiro de 1973. Sempre teve dentro de casa a inspiração para música. Seu pai Oscar era violonista e chegou a se apresentar em dupla na antiga Rádio Leopoldina, mas nunca viveu profissionalmente da música. Na mesma rádio a mãe de Emerson, Maria trabalhou como operadora de mesa nos anos de 1970.  

 “Meu pai escondia o violão no forro do telhado para eu não pegar e desafiná-lo, mas eu dava um jeito de pegá-lo e tocar. A primeira música que toquei foi “Meninos da Mangueira” gravada pelo Ataulfo Alves Jr.” Diz.

  Emerson lembra que lá pelos anos 80, muitos amigos vizinhos na Cohab Velha começaram a freqüentar aulas de violão no Conservatório de Música Lya Salgado.  Ele foi o único que não pôde na época estudar e ironicamente, foi praticamente o único a se tornar músico profissional.  Entre os incentivadores ele se lembra dos amigos Arilson , Rildo e Cazuza.

Ainda garoto, tocou na Lira Primeiro de Maio e alguns grupos de rock de Leopoldina como “Virus Radial”. Sua primeira apresentação profissional como baixista foi em 1988 em um festival de peteca organizado por Pino Calábria.  Foi se enturmando com outros músicos da cidade, entre eles, o saudoso Cacá, filho do Elpídio do Trombone, Djalma e Jorge Cego. O contato com este último Emerson considera ter sido fundamental em sua carreira, abrindo muitas portas na região.   

Nos anos 90, participou de grupos  como “Leoson”, “Curto Circuito” (antigo “Vírus Radial”) “Musiritmo”, “Terra Nova” “Pirineus Samba Show”, “Ases do Samba”. Tocou com Ranulfinho Matola, que considera um dos melhores músicos que conhece. Em 1994 formou com Dil e Irim o “Trio Bonanza”. Pouco depois foi para Bicas e de lá para Juiz de Fora, tocando em casas noturnas e acompanhando duplas sertanejas.

Em 2004 surge a oportunidade de ir para Itália. Em Milão Emerson tocou em alguns conjuntos e na casa de shows “Brasil Samba Milão”. Em 2009 se transfere para Turin e em 2010 através de Agência de Nápoles, passa a se apresentar em cruzeiros marítimos. Em 2016, após enfermidade e falecimento de seu pai, Emerson volta para Leopoldina e para a Banda Bonanza.

Embora toda a experiência no exterior, Emerson diz que o que aprendeu de música foi mesmo em Leopoldina.

 

Jorge Cego

Nascido em Leopoldina em 22 de janeiro de 1951, Jorge dos Santos, o popular "Jorge Cego”, é também chamado de "Jacaré", “Boca”, “Cloaca” e “Pedra”. Este último apelido por ele próprio assim se referir a muitos amigos e conhecidos que considera “malas”. Cego desde os dois anos de idade após uma queda, Jorge desde pequeno acompanhava sua mãe D. Fia ao Clube dos Cutubas onde ela cozinhava. Assim como grande parte da família, se tornou carnavalesco, desfilando pelo Cutubas e pelo Pirineus, sua origem.  Nesse ambiente musical, pegou gosto pela percussão, se tornando um dos mais requisitados músicos de Leopoldina. Jorge Participou de diversos grupos musicais, entre eles o “Pirineus Samba Show” e “Ases do Samba”.

Sempre chamou a atenção o fato de andar grande parte da cidade sem ajuda e de só há poucos anos ter passado a usar bengala, após uma queda e lesão no joelho.  Outra característica marcante é o bom humor. Sua gargalhada é inconfundível.

No final da década de 1970, junto com seu primo Zezé, Jorge foi peça fundamental no ressurgimento da Sociedade Recreativa Carnavalesca Unidos dos Pirineus e posterior transformação do bloco na maior escola de samba da região.

Em 2009 foi homenageado no enredo do Pirineus “Leopoldina, Sua gente, sua Música” de minha autoria, baseado no livro de Albino Montes, com samba de Ricardo Ribeiro. No carnaval de 2017 o homenageamos novamente com um boneco gigante no bloco caricato “Bão Igual Bosta”.

Jorge também é polêmico, e sempre marca presença na política, seja como cabo eleitoral ou soltando a língua contra o que considera errado. É um grande crítico da falta de apoio à cultura na cidade.

  Hoje, aos 66 anos, Jorge mora sozinho, mas nunca está sozinho. Ainda está ativo, se apresentando e chamando a atenção até de artistas de renome nacional. 

Contatos:

Jorge: 98861-0699 (Oi) 99912-0458(Vivo)

Johnim: 9909-6932 (What Zap)

Emerson: 98817-7507(Oi) (07132)-99968-7912

 
 
 
 
 
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