21/10/2017 às 18h22min - Atualizada em 21/10/2017 às 18h22min

COPASA pode investir em novas fontes para aumentar abastecimento em Leopoldina

Nos últimos dias, houve registros da falta de água em diversos pontos da cidade, deixando a população apreensiva.

João Gabriel Baia Meneghite
Captação superficial da barragem no Rio Pirapetinga, localizada acima da Serra da Vileta.
Muitos municípios brasileiros estão enfrentando dificuldades quanto a situação hídrica, devido à escassez de chuvas. Em Leopoldina não é diferente, pois a vazão na captação de água da bacia do Rio Pirapetinga, que abastece toda cidade, diminuiu consideravelmente, chegando a 128 litros por segundo, aproximando do nível considerado crítico pela COPASA, que é de 104 litros por segundo.
 
No período de chuvas, que compreende de outubro a abril, a vazão na captação para o atendimento dos leopoldinenses é de 155 litros por segundo - atualmente o consumo de água diário de Leopoldina é de 159 litros por habitante.
 
O jornal Leopoldinense buscou informações junto a assessoria de imprensa da Copasa sobre a situação hídrica. Além de informar o volume de captação no manancial e consumo da população, esclareceu que possui em sua Estação de Tratamento de Água (ETA), com sede no bairro Redentor, uma reserva de 4,9 milhões de litros de água tratada.
 
Segundo uma fonte ouvida por nossa reportagem ligada à empresa, houve um crescimento urbano no município de Leopoldina e com a construção de novos bairros, o abastecimento no município poderá ser prejudicado. Essa mesma fonte afirmou que a solução para esse problema seria a transposição do Rio Angu, que corta os municípios de Volta Grande, Santo Antônio do Aventureiro e Além Paraíba.

Questionada sobre essa possibilidade, a Copasa informou que já deu andamento a estudos de novas fontes de produção de água, entre elas, a prospecção de águas subterrâneas e de novos mananciais superficiais. Segundo a empresa, a implementação das ações será imediatamente após a conclusão dos estudos, não informando quando isso irá ocorrer.

Sobre a indagação que diz respeito à preservação da cabeceira do Rio Pirapetinga, a empresa informou que atua no trabalho de conscientização dos proprietários de terra e dos usuários da água, visando o uso racional dos recursos hídricos e a preservação das matas ciliares e de proteção de nascentes.
 
Um leitor do jornal Leopoldinense que ocupa a gerência de uma grande empresa de Leopoldina contou ao repórter que solicitou ao escritório do IEF-Instituto Estadual de Florestas, baseado em Leopoldina, a doação de 100 mudas de árvores da Mata Atlântica para plantar junto a uma nascente localizada em sua propriedade rural. Segundo, enfrentou muita burocracia para ao final conseguir apenas 50 mudas. O leitor acha que deveria haver maior incentivo dos órgãos governamentais, como o IEF, para o reflorestamento junto a nascentes e na recomposição de matas ciliares.
 
Entenda o sistema de abastecimento de água em Leopoldina 

O sistema de abastecimento de água de Leopoldina, responsável pelo abastecimento da população leopoldinense, teve seu contrato de concessão renovado com a COPASA em 2003. Utiliza captação superficial em uma barragem no Rio Pirapetinga, localizada acima da Serra da Vileta (Foto abaixo).


Possui uma Estação de Tratamento de Água (ETA) do tipo convencional, que purifica a água bruta por processos de coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção, fluoretação e correção de pH. A capacidade de produção da ETA é de 12 milhões de litros por dia. A distribuição é feita através de 132 mil metros de redes de distribuição.

Estação de Tratamento de Água (ETA)

Toda a área de contribuição direta do Rio Pirapetinga, manancial utilizado para abastecimento de água do município, é uma área de proteção ambiental monitorada diariamente pelos empregados da COPASA e participantes do SIPAM (Sistema Integrado de Proteção de Mananciais)
 
COPASA diz para Vereadores que situação de Leopoldina ainda não é de racionamento

Debater a situação de abastecimento de água em Leopoldina. Esse foi o principal objetivo do convite formulado pela Câmara Municipal de Leopoldina para os representantes da COPASA.

Na tarde de quarta-feira 18 de outubro, Alexandre José Greco, Gerente Distrital, e João Batista Barbosa Mendes, Encarregado de Sistema, compareceram à Câmara e, durante cerca de duas horas, passaram informações atualizadas sobre a situação hídrica na cidade e responderam aos questionamentos feitos pelos vereadores.

Inicialmente, Alexandre Greco reconheceu que várias cidades do Estado, incluindo Leopoldina, estão enfrentando uma grave crise hídrica. Disse que, apesar da redução observada no manancial da cidade, ainda não houve necessidade de adotar um racionamento de água.

Segundo ele, o município de Leopoldina tem uma demanda diária de 145 a 150 litros por segundo e a vazão atual é de 125 litros de água por segundo. No entanto, Alexandre Greco explicou que estudos da empresa mostram que com até 105 litros de água por segundo não há necessidade de racionamento. Disse que a empresa mantém um trabalho de monitoramento diário e que a situação está sob controle.
Outra medida anunciada pelo Gerente é a identificação de pontos em que ocorrem vazamentos subterrâneos, que não afloram à superfície, mas que representam uma considerável perda de água.

Alexandre Greco não descartou a possibilidade de ocorrer o racionamento e lembrou que a estiagem desse ano em Minas Gerais é considerada como uma das piores dos últimos anos. Porém, ele garantiu que a população será comunicada previamente, caso seja necessário adotar o racionamento de água.

Durante a permanência dos representantes da COPASA na Casa Legislativa, os vereadores fizeram vários questionamentos e receberam um grande número de informações sobre a falta de água nos bairros mais altos da cidade, construção de reservatório para o Bairro Bela Vista, abastecimento de água nos distritos, obras realizadas nas vias públicas, abastecimento na comunidade da Fortaleza, vazamentos em diversos pontos da cidade, novos investimentos da empresa, entre outros.

Ao final, Alexandre Greco e João Batista colocaram-se à disposição da Câmara Municipal e agradeceram a oportunidade de prestar esclarecimentos sobre a real situação do município.

Alexandre José Greco, Gerente Distrital, e João Batista Barbosa Mendes, Encarregado de Sistema

Fonte> Câmara Municipal de Leopoldina

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