25/10/2017 às 09h28min - Atualizada em 25/10/2017 às 09h28min

Família de deputado estadual aparece pela 2ª vez em lista de trabalho escravo

O Tempo
Já autuado em 2015 pelo Ministério do Trabalho por manter 60 trabalhadores rurais em condições análogas à de escravo, Emídio Alves Madeira foi novamente incluído, em 2016, na lista suja de empregadores em cujas propriedades foram detectadas irregularidades pelo órgão federal. O fazendeiro é pai do deputado estadual Emidinho Madeira (PSB), vice-líder do bloco Compromisso com Minas Gerais.

As fazendas de Emídio Madeira – Santa Efigênia, Boa Vista e Cafundó –, localizadas no Sul do Estado, foram alvo dos fiscais por meio de denúncia anônima. Em 2015, procuradores do Ministério Público do Trabalho encontraram, entre os trabalhadores da fazenda Santa Efigênia, menores de idade vindos do Nordeste. Os fiscais registraram irregularidades nos alojamentos e na lavoura.

“Lá no local da colheita, o empregador não disponibilizava um local adequado para fazer as necessidades. Eles não estavam trabalhando com os equipamentos de proteção individual necessários. Tinha quatro menores trabalhando, inclusive, um deles, com 12 anos”, contou à época o auditor Valdemir Curcioli.

O alojamento foi interditado pela Procuradoria do Trabalho, e os trabalhadores, levados para o sindicato da categoria em Guaxupé. Depois de receber os salários, os lavradores voltaram para o Estado da Bahia. No ano passado, foram encontrados 14 trabalhadores submetidos a condições degradantes nas fazendas Boa Vista e Cafundó, segundo o Ministério do Trabalho. O nome de Emídio Madeira foi incluído novamente na lista em fevereiro deste ano.

Por meio de nota, o advogado de Emídio Madeira, André Fróes de Aguilar, disse que a fazenda Santa Efigênia não pratica e nunca praticou qualquer forma de trabalho escravo e reiterou que aplica a legislação trabalhista em sua integralidade, respeitando todos os direitos de seus empregados. “(A fazenda) foi alvo de injustas acusações e discute judicialmente a questão”, informa.

O deputado Emidinho Madeira também se manifestou, por nota, sobre o caso. “Nasci e fui criado na roça e, desde a minha infância, muito antes de pensar em entrar na vida pública, sempre convivi com os trabalhadores rurais, dos quais sou amigo até hoje e considero como da própria família. Aliás, eu mesmo sou trabalhador rural. Hoje, como deputado, defendo e incentivo a produção rural, principalmente em benefício dos pequenos agricultores. Respeito o trabalho do Ministério Público do Trabalho, porém posso afirmar que não existe e nunca existiu trabalho escravo. O que há é o contrário. O local e os funcionários estão disponíveis para atender a quem interessar”, diz o parlamentar. (Angélica Diniz)

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