18/02/2018 às 21h51min - Atualizada em 18/02/2018 às 21h51min

Professores da rede estadual farão paralisação no primeiro dia letivo

A afirmação foi feita neste sábado (17) pela coordenadora do Sind-UTE em Minas, Beatriz Cerqueira, em entrevista à Rádio Super Notícia FM

José Vítor Camilo
O tempo
Beatriz Cerqueira deu entrevista na rádio Super Notícia FM na manhã deste sábado (17) (Reprodução Facebook)

Após o governo decidir atrasar o início do ano letivo, os professores da rede estadual de educação decidiram fazer uma paralisação logo no primeiro dia de aulas, na próxima segunda-feira (19), quando haverá um ato na praça Sete, às 16h. A afirmação foi feita neste sábado (17) pela coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação em Minas (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, em entrevista à Rádio Super Notícia FM.

Com isso, o primeiro dia de aulas nas escolas estaduais serão na terça-feira (20). "Este será o dia nacional de luta contra a reforma da Previdência, que ataca a aposentadoria dos professores. É uma situação muito grave, pois se ela passar, vamos concordar com o fato de um professor ficar 49 anos em sala de aula, o que é impossível para uma profissão tão desgastante. Além disso, será uma paralisação de alerta ao governo do Estado por vários motivos: como o parcelamento de salário e do 13º;o  adiamento do ano letivo; não cumprimento do piso e dos reajustes e a não negociação com a categoria", completa a sindicalista.

Além da paralisação, uma assembleia estadual está marcada para o próximo dia 28 de fevereiro, quando a categoria decidirá os rumos do movimento neste ano. "Será uma assembleia com indicativo de greve, que é um instrumento pedagógico de alerta para que o governo se movimente e impeça que uma greve seja deflagrada", explica Beatriz.

A coordenadora do Sind-UTE explicou ainda na entrevista que a motivação do governo de Minas em atrasar o início do ano letivo foi financeira, uma vez que haveria uma economia de cerca de R$ 200 milhões por conta dos salários dos professores contratados. "Minas hoje tem mais de 100 mil contratos temporários, que são professores contratados no início do ano letivo. Além dessa economia com os salário, também houve uma redução nos gastos com alimentação e transporte escolar", completa.

Entretanto, a medida causou impacto na vida dos professores, uma vez que a medida acarretará em um aumento dos sábados letivos e na diminuição dos recessos ao longo do ano, fazendo com que o profissional trabalhe mais e sem receber por isso. A medida teria sido adotada sem debate com os trabalhadores e nem com a comunidade escolar, que envolve 3 mil escolas e 2,5 milhões de alunos.

"Essa questão do calendário é muito cruel. Imagine você ficar sabendo no meio das férias que você vai ficar sem a maior parte do seu salário? Estamos falando de 100 mil pessoas que são as mais mal remuneradas do Estado, já que, se pegarmos a média do estado, a educação tem a pior remuneração média. Isso fora o parcelamento e o 13º, que em fevereiro é pago a segunda parcela do que deveria ter saído em dezembro", aponta Beatriz.

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou, em nota, que o governo nomeou 50,4 mil servidores desde 2015, concedeu reajustes de 46,75% na remuneração, está pagando adicional de 5% no vencimento básico do servidor (a cada 5 anos de serviço), e vem cumprindo com demais regras do acordo firmado com a categoria há três anos. (leia a íntegra da nota no fim desta reportagem)

Estado quebrado

Durante a entrevista, Beatriz Cerqueira reconheceu que Minas Gerais é o segundo estado mais endividado do país, apontando ainda que o governo anterior, do PSDB, teria aumentado a dívida pública com a "balela" do choque de gestão. Entretanto, não deixou de apontar as faltas do governador Fernando Pimentel (PT) com a categoria.

"No total, 25% dos recursos são vinculados à educação, que só podem ser gastos nessa área, mas que não estão sendo devidamente usados em Minas. No ano passado, o governo recebeu recurso que totalizou mais de R$ 1 bilhão e nem um único centavo foi investigado na educação. Para se ter ideia, em 2017 chegamos ao fim do ano com o Estado investindo somente 22% dos 25% que deveriam ser investidos na educação", concluiu a coordenadora do Sind-UTE. 

Confira a nota na íntegra:

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) informa que o Governo de Minas Gerais está empenhado em cumprir o acordo assinado com a categoria em 2015. Os reajustes salariais concedidos por esta gestão representam um aumento de 46,75% na remuneração dos professores e demais carreiras da rede estadual.  Além disso, o Governo nomeou, atendendo ao acordo, 50.457 novos servidores para a Educação, desde 2015, dos quais 41.353 (82%) são professores. O Governo mantém diálogo constante com os servidores da Educação e, nesta semana, deve se reunir com representantes da categoria.

Importante lembrar ainda de outro ponto do acordo que está sendo cumprido: o pagamento do Adicional de Valorização do Servidor (Adveb). Atribuído mensalmente, corresponde a 5% de aumento no vencimento básico do servidor, a cada 5 anos de serviço. O Adveb já está sendo pago a 38 mil servidores que fazem jus ao benefício.

Sobre o calendário escolar, a SEE informa  que a reorganização do calendário escolar não teve motivação financeira e visou otimizar os processos de distribuição de turmas e cargos nas escolas e outras medidas necessárias para garantir um início das atividades com mais tranquilidade nas unidades escolares, com o quadro de pessoal completo, sem a interrupção que ocorreria com o recesso de carnaval. Isso sem nenhum prejuízo no cumprimento dos 200 dias letivos e da carga horária anual dos estudantes.


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