25/02/2018 às 19h38min - Atualizada em 25/02/2018 às 19h38min

Festa do Imigrante Italiano revela potencial turístico de Leopoldina

A diretoria da Associação Comercial Industrial Agropecuária e Serviços de Leopoldina teve essa visão como forma de incentivar o turismo na cidade.

João Gabriel B. Meneghite
No final do século XIX o Brasil recebeu milhares de imigrantes italianos, que se espalharam por diversas regiões. O município de Leopoldina, assim como outros, formaram suas colônias agrícolas, para suprir a falta de mão de obra que existia naquela época.

O Brasil é o país com maior número de italianos fora da Itália. Acredita-se que 40% das famílias leopoldinenses são formadas por descendentes de italianos, justificando a realização de uma festa que preserve a memória desse povo que teve grande contribuição para o desenvolvimento do município.
 
Existem muitas colônias italianas espalhadas pelo Brasil que preservam e celebram essas tradições, atraindo muitos turistas, sendo maioria deles descendentes de italiano, que vão atrás de informações sobre familiares, que foram separados por razões diversas.
 
Além disso, as lindas festas promovidas trazem a Itália para perto de seus descendentes. Pratos típicos e ouvir a tradicional Tarantela são características que se tornaram um grande ponto de encontro da comunidade italiana no Brasil, atraindo uma multidão para estes lugares durante todo o ano.
 
Muitos leopoldinenses já participaram de eventos do gênero em outras cidades, como o casal Márcia Marinato Locha e Adriano Zangirolami, que destacaram a importância de Leopoldina sediar a festa como forma de promover o turismo.
 
Paralelamente às programações de festas como essa, ocorrem encontros familiares, ou seja, gente disposta a vir de longe conhecer seus parentes. Esses eventos atraem também aqueles que não são descendentes, que gostam de curtir a festa pela expressividade cultural, movida a muita alegria e, por isso, tem forte apelo turístico, sendo considerado um grande potencial a ser explorado em Leopoldina.
 
A diretoria da Associação Comercial Industrial Agropecuária e Serviços de Leopoldina teve essa visão e como forma de incentivar o turismo na cidade, uniu esforços com a Secretaria Municipal de Cultura de Leopoldina, com a APAE e Lions Clube para promover a Festa do Imigrante Italiano, que teve uma programação desenvolvida durante cinco dias.
 
Na quarta-feira, 21 de fevereiro, houve um ato cívico na Escola Estadual Professor Botelho Reis (Ginásio) onde foi feito o hasteamento das bandeiras de Leopoldina, Minas Gerais, Brasil e Itália.
 
Na quinta-feira, 22 de fevereiro, assim como todas as noites da programação da festa, 8 restaurantes da cidade credenciados pela ACIL, colocaram no cardápio, de forma promocional, pratos e sobremesas da culinária típica italiana.
 
Na sexta-feira, 23 de fevereiro, no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira, houve palestra com o historiador e genealogista José Luiz Machado Rodrigues (Luja), membro da ALLA-Academia Leopoldinense de Letras e Artes e colunista do jornal Leopoldinense, com o tema "Imigração Italiana em Leopoldina", explicando com detalhes a chegada dos primeiros imigrantes no município, a formação da Colônia Agrícola da Constança, a divisão dos lotes, entre outros detalhes. Luja destacou a importância de valorizarmos a memória de um povo que teve muita importância para o desenvolvimento de Leopoldina, elogiando a iniciativa da Associação Comercial e de todos os parceiros na organização da festa.
 
Após a palestra foram homenageados dois italianos residentes em Leopoldina, o senhor Renato Schettino e a senhora Maria Flório Schettino. Também recebeu homenagem o palestrante que, ao lado de Nilza Cantoni, resgatou informações que hoje compõem um vasto material histórico.
 
Logo em seguida, no mesmo local, foi aberta a exposição IMMIGRAZIONE - A Presença Italiana em Leopoldina, sob coordenação da Superintendente Municipal de Cultura Amanda Almeida, sendo servido um coquetel aos presentes. A exposição pode ser visitada de terça-feira a sexta-feira, de 8 às 18 horas e aos sábados de 9 às 13 horas, no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira.
 
No sábado, 24 de fevereiro, houve apresentações na Praça Felix Martins de dois expoentes da cultura. O Coral do Conservatório Estadual de Música Lia Salgado cantou clássicos de músicas italianas como Rimpianto, Torna a Surriento, Funiculi Funicula e Nessun Dorma. O Grupo de dança folclórica italiana Tarantolato, com sede na Casa D’Italia, em Juiz de Fora, também fez apresentações ao som de canções italianas, com participação do público que se divertiu dançando.
 
A Festa do Imigrante Italiano foi encerrada no domingo, 25 de fevereiro, com Missa na Capela Santo Antônio de Pádua, Bairro da Onça, às 08:00 horas. Na sequência, aconteceu a Caminhada dos Imigrantes, num percurso de 4,5 quilômetros, com saída da Capela Santo Antônio de Pádua seguindo até a Praça Félix Martins onde foram realizadas apresentações culturais. Também na Praça Félix Martins houve a Ação de Saúde: Unidos pela Diabetes, liderada pelo Lions Clube Leopoldina, além do Festival de Macarronada e comida típica Italiana, em benefício da APAE de Leopoldina.
 
O presidente da Associação Comercial Jairo Seoldo, comentou sobre a repercussão positiva do evento, enfatizando o grande apelo que a festa tem em Leopoldina, por ter um grande número de descendentes de italianos, inclusive na classe empresarial. Ele explicou que a proposta da festa foi aprovada pela diretoria, que considera o evento ser ‘embrião’ com prospecção de crescimento e aperfeiçoamento nos anos subsequentes. “A diretoria está atenta quanto a possibilidade do fortalecimento do turismo como uma fonte de renda para muitos segmentos, tendo em vista a chegada do Trem Turístico Rio-Minas, que passará por vários distritos de Leopoldina. Dessa forma a diretoria entende que a Associação Comercial mais uma vez desenvolve ações que visam o desenvolvimento do município. Agradecemos a todos que contribuíram de uma forma ou de outra para o êxito do evento como toda diretoria e funcionários da ACIL, aos assessores de marketing Cristiano Fófano e Rômulo Almeida, à Igreja e toda comunidade no entorno da Capela de Santo Antônio de Pádua, que nos forneceu o espaço para realização da Missa e café da manhã, às policiais Militar e Rodoviária Federal por nos acompanhar na caminhada, ao DNIT, Prefeitura Municipal que, através da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento fez a limpeza no ‘Caminho do Imigrante’, também a Secretaria de Cultura, que esteve representada na ocasião por sua superintendente Amanda Almeida, ao Lions e APAE, parceiros fundamentais que organizaram diversas ações na Praça Felix Martins, abrilhantando o evento.
 
O Presidente da APAE de Leopoldina, José do Carmo Fófano Vieira, comentou que o evento foi satisfatório em todos os sentidos, principalmente com reconhecimento, pelo fato de entidades sérias como a Associação Comercial abrir espaço para a comunidade ‘Apaeana’ promover o Festival de Macarronada, cujas vendas ajudaram muito a instituição. “Em nome de todos os funcionários, pais e amigos, agradeço toda diretoria da Associação Comercial e demais parceiros envolvidos no projeto”, comentou.

A Superintendente Municipal de Cultura, Amanda Almeida, observou que homenagear, pesquisar e reconhecer a cultura italiana é valorizar nossa história. “É com muito orgulho que estamos participando da festa. Agradeço a toda diretoria da ACIL por nos propor essa parceria. Para nós, foi maravilhoso e espero que esse evento possa acontecer durante muito tempo, sendo abraçado pelos leopoldinenses. Também sou professora e um dos primeiros trabalhos que peço aos alunos é para pesquisar os seus sobrenomes”, comentou.

O Presidente do Lions Clube Leopoldina, Mário Jorge Ferreira da Costa, avaliou positivamente o evento, considerando que foi uma oportunidade de divulgar os serviços do Lions Clube para a comunidade. “Onde há necessidade há união”, comentou. Ele divulgou um balanço das atividades desempenhadas na Praça Felix Martins como distribuição de folhetos sobre Diabetes, 136 testes de glicemia e 154 aferições de pressão arterial, em parceria estabelecida com a EPEL – Escola Politécnica Equipe Leopoldina, do Curso Técnico de Enfermagem.



A missa foi celebrada pelo Monsenhor Antônio Chamel

Capela Santo Antônio de Pádua





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