01/04/2018 às 10h45min - Atualizada em 01/04/2018 às 10h45min

A verdade sobre a pintura do teto da capela do Colégio

Essa matéria não tem a intenção de censurar ninguém disso ou daquilo.

Paulo Roberto Lisboa (*)
Há muito tempo venho pensando em contar a verdadeira história sobre a pintura de Emanuel Funchal Garcia que ornamentava o teto da antiga capelinha do Colégio Imaculada.
 
Lendo hoje o Leopoldinense, jornal quinzenal do dia 15 de março de 2018, na sua última página, na coluna Memória Leopoldinense por Luciano Baia Meneghite, deparei com o pequeno texto sobre esta pintura e com a foto da antiga capela.
 
Este texto não é uma crítica à matéria do Luciano, do qual me considero admirador de todo seu trabalho, não só neste jornal, mas na área das artes visuais.
 
Não me lembro a data, mas numa tarde toca a caminha da minha casa, quando fui atender, era um colega que estudou comigo no Colégio Estadual Professor Botelho Reis, naquela época já formado e exercendo a profissão como engenheiro civil.Cumprimentamo-nos e ele logo me disse: Lisboa, vim aqui te oferecer o teto da capelinha do antigo C.I.C, pois ali vai ser construído um prédio.
 
Eu que há muito admirava aquela pintura, e também tinha conhecido o Funchal pessoalmente fiquei muito entusiasmado.
 
Você vai lá e retira, e é seu”.
 
Não foi um diálogo demorado, e eu logo indaguei: é muito alto, tem andaimes lá?
 
Ele me disse que não, eu teria que arrumar. Eu tinha voltado recentemente de Niterói, onde fui me especializar em Gravura, no Museu do Ingá e não estava em condições financeiras de montar um andaime, até porque naquela época ainda não tínhamos a facilidade dos andaimes de ferro.
 
A capela não estava em ruínas, apenas parte da pintura do teto tinha desprendido por causa de goteiras, já que a pintura foi feita em telas, com tiras de mais ou menos 2 metros de largura e de comprimento quase todo o teto.
 
O forro era de madeira e as telas eram presas com tachinhas.Sentindo-me incapaz de retirar a pintura com o cuidado que queria e a registrando com números os módulos para uma futura montagem e restauração, indiquei ao engenheiro, o Rafael, que tinha inaugurado o Espaço dos Anjos e arquivava tudo sobre a história de Leopoldina, era uma pessoa naquele momento mais indicada, até por causa do espaço que ele coordenava.  Assim foi feito.
 
O Rafael foi até a capela, retirou o teto, não sei como, o enrolou e levou para guardar. Dias depois eu conversando com o Rafael dei a sugestão a ele, que se quisesse eu pediria o pátio do Colégio Estadual Professor Botelho Reis emprestado, e o ajudaria, abriríamos o teto naquele espaço coberto, marcaríamos os módulos e futuramente daríamos uma limpeza na pintura e o envernizaríamos com um material próprio para esses casos. Caso não quisesse marcaríamos os módulos, depois de enrolados guardaríamos num grande tubo de PVC lacrado dos dois lados até quando resolvesse a restaurá-lo.
 
Nunca tive uma resposta, esse teto ficou muito tempo guardado sem proteção nenhuma no porão da casa onde era o Espaço dos Anjos, a mercê das intempéries do tempo. Não é que para minha surpresa, muito tempo depois deparei com pinturas emolduradas que foram feitas sobre pedaços desse teto.
 
Como às vezes passava pelo Espaço dos Anjos, vi que o teto tinha sido todo cortado em pedaços e alguns tinham sido presenteados para várias pessoas. Desse dia em diante me calei, o teto não era meu, ele deu o destino que quis à obra do Funchal.
 
Essa matéria não tem a intenção de censurar ninguém disso ou daquilo, o Rafael era meu amigo.
 
Sei que passava por dificuldades para manter o Espaço dos Anjos, e o fez com muita garra porque, se não fosse ele, não teríamos o Museu que hoje funciona na casa do poeta. Ele foi o grande cultor, apesar de ver hoje varias pessoas dizendo “eu sempre quis isso” “eu sempre quis aquilo”,etc
 
Essa história do teto é um caso que sempre guardei, mas diante da matéria publicada senti a necessidade de fazer esse esclarecimento. Apenas sinto que o destino do teto tenha sido esse.
 
Que me desculpe o Fael!
 
As histórias devem ser contadas com verdades, e não como sempre nos contaram nas escolas, a história do Brasil.
 
(*)Professor titular da cadeira de Gravura na Escola Guignard - UEMG
 
 
 
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