17/04/2018 às 09h39min - Atualizada em 17/04/2018 às 09h39min

Câncer é primeira causa de morte em 10% dos municípios brasileiros, diz estudo

O Hospital do Câncer de Muriaé é um dos mais avançados e bem equipados centros de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do país.

Agência Brasil
Fundacao Cristiano Varella (Foto-FCV)
O câncer figura como principal causa de morte em 516 dos 5.570 municípios brasileiros. É o que aponta pesquisa divulgada hoje (16) pelo Observatório de Oncologia do movimento Todos Juntos Contra o Câncer, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). O estudo alerta que a doença avança no Brasil ano após ano e, caso a trajetória seja mantida, em pouco mais de uma década as chamadas neoplasias serão responsáveis pela maioria dos óbitos em todo o país.

Os dados mostram que a maior parte das cidades brasileiras onde o câncer aparece como principal causa de morte está localizada em regiões mais desenvolvidas, justamente onde a expectativa de vida e o Índice de Desenvolvimento Humanos são maiores. Dos 516 municípios onde os tumores mais matam, 80% ficam no Sul (275) e Sudeste (140), enquanto o Nordeste concentra 9% dessas localidades (48); o Centro-Oeste, 7% (34); e o Norte, 4% (19).

As cidades em questão concentram, ao todo, uma população de 6,6 milhões de pessoas. Onze delas são considerados de grande porte, sendo Caxias do Sul (RS) a mais populosa entre elas, com quase meio milhão de habitantes. São classificadas como de médio porte 27 cidades com população entre 25 mil e 100 mil pessoas, enquanto as demais, maioria, se situam na faixa de pequenos municípios, com menos de 25 mil habitantes. Araguainha, menor município do Mato Grosso, é também a menor cidade identificada na lista.

De acordo com o estudo, o Rio Grande do Sul é o estado com maior número de municípios (140) onde o câncer aparece como primeira causa de morte. Enquanto em todo o país as mortes pela doença representam 16,6% do total, no território gaúcho, o índice chega a 33,6%. Um dos fatores que, segundo a pesquisa, pode explicar a alta incidência de câncer na região são as características genéticas da população, que pode apresentar maior predisposição para desenvolver um tipo de câncer.

Perfil

Com base no Sistema de Informações de Mortalidade, a pesquisa identificou que, das 9.865 mortes registradas nas 516 cidades ao longo do ano de 2015, a maioria foi entre homens (57%). Seguindo a tendência, em 23 estados, os homens lideram o número absoluto de mortes. Em 21 municípios, não houve sequer um registro de óbitos entre mulheres. Apenas no Ceará e no Mato Grosso do Sul, elas foram maioria nos registros de óbitos, enquanto em 62 cidades, as mortes registradas foram iguais para ambos os sexos.

Com relação à idade, metade dos óbitos se concentra nas faixas de 60 a 69 anos (25%) e de 70 a 79 anos (25%). Em seguida, a maior proporção aparece no grupo com mais de 80 anos (20%). Crianças e adolescentes até 19 anos somaram 19% dos óbitos no mesmo ano.

Números

O levantamento revela ainda que, em 2015, foram registradas 209.780 mortes por câncer no Brasil – um aumento de 90% em relação a 1998, quando foram registrados 110.799 óbitos pela doença. O crescimento das mortes por neoplasias durante o período, segundo o relatório, foi quase três vezes mais rápido que o crescimento dos óbitos provocados por infartos ou derrames.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, em todo o planeta, o câncer é responsável por 8,2 milhões de mortes todos os anos. Cerca de 14 milhões de novos casos são registrados anualmente e a previsão da entidade é que as notificações devam subir até 70% nas próximas duas décadas.

Hospital do Câncer de Muriaé

O Hospital do Câncer de Muriaé é um dos mais avançados e bem equipados centros de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do país. O Hospital, localizado em Muriaé, foi inaugurado em 27 de junho de 2003.A instituição foi idealizada pela família Lael Varella que investiu recursos materiais e financeiros, juntamente com o Governo Federal, proporcionando a criação da Fundação Cristiano Varella, entidade sem fins lucrativos que tem por objetivo priorizar a assistência humanizada e participativa.

O Hospital possui uma área de 21 mil metros quadrados dividida em dois platôs distintos e atende mais de cem municípios da região, abrangendo além de Muriaé as cidades de Ubá, Leopoldina, Manhumirim, Governador Valadares e Ponte Nova. O Hospital é composto por uma equipe multidisciplinar formada por radioterapêutas, oncologistas clínicos, anátomo-patologistas, hematologista, médico nuclear, cirurgiões oncológicos, anestesiologistas, radiologistas, enfermeiros, odontólogo, fisioterapeutas, assistente social, psicólogos, nutricionista, farmacêuticos, entre outros.
 
 
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