16/06/2018 às 12h09min - Atualizada em 16/06/2018 às 12h09min

Catanic III

Luciano Baía Meneghite
Final de tarde, inicio da noite e eu mais uma vez no ponto de ônibus da Carlos Luz. Espero o ônibus para o Pirineus. Com a paralisação dos caminhoneiros e a falta de combustível, o “catalixo” que já vinha cheio, chega empapuçado de gente, mas enquanto passava uma agulha ia entrando gente. Alunos da UNIPAC e da UEMG, que como sabem, também funciona Junto ao Polivalente no Pirineus eram a maioria. Espero o tumulto na porta do inferno diminuir e consigo entrar. Espremendo-me com cuidado para não ser acusado de estar bolinando alguém, consigo passar pela roleta. Ajeito-me confortavelmente entre a porta de saída e uma bitéla duma dona cheia de sacolas de compras. O trem ameaça sair, mas um esmilinguido carregando um galão de gasolina bate na porta para entrar. Ele se escorrega para dentro, rodando o pescoçinho feito um periscópio procurando assento. Não encontra e começa a resmungar:

- Pessoal não respeita idoso não! Aqui na frente é pros velhos.

- Esse ônibus é pros alunos! Responde um sentado na primeira cadeira.

- Uma ova! Cê comprou o ônibus? Retruca o sexagenário.

 À medida que o catanic vai chegando à Praça do Urubu, o debate presidencial vai  esquentando entre chiados, risos, “Oooi’s” e “Iiii’s” da turma de trás.

No pé do morro, outra arca de Noé pelejava pra subir. A turma que não conseguiu nela entrar corre em direção à nossa. Uma freguesa do “Mercadinho JB (J de Zé Carlos e B de Vanusa” segundo o Merquinho) sai despencando com uma penca de bananas na mão com medo de perder o “bus”. Na correria entucha uma banana na boca do magrinho da galosina que esquece o bate boca com o aluno e vai pra cima dela.

- A Senhora num tem loção não?

- Não! Tenho banana... Quer? Responde malcriada.

- Enfia no...  OOOOiiii!!!! Grita a turma antes de ele completar.

- É no Oi mesmo! Diz ele sacudindo o galão que começa a vazar.

- Vai por fogo no ônibus! Grita um no fundo.

- A culpa é do Lula! Berra outro desorientado.

O aluno que antes batia boca com o esmilinguido começa atiçar a dona e ela a tiçar banana pra todo lado.


Chegando ao Chafariz, despenca novamente a dona, as bananas o magrinho e mais meia dúzia rindo.

Logo são cercados pelo candidato a candidato que se embanana todo ao se meter no conflito. Ainda na porta vou tomando cotoveladas e bolsadas. Só não tomei bananada.  Chegando ao Polivalente desce metade do povo e todos respiram aliviados.  

Desço na Cohab Velha rindo pra não chorar.

 

 
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