31/07/2018 às 18h43min - Atualizada em 07/08/2018 às 08h43min

Jornalistas do “Jornal de Minas”lançam livro de memórias

O conjunto da obra (30 artigos) conta bem a trajetória desse periódico que fez história entre os mineiros

Alair Ribeiro
Os jornalistas Luiz Otávio Meneghite e Alair Ribeiro
Em 1972, o antigo Diário Católico, jornal impresso da arquidiocese de Belo Horizonte, foi vendido e recebeu o nome de “Jornal de Minas” (JM). Foi uma escola de jornalismo que revelou grandes nomes da imprensa mineira. Em 1988, o jornal encerrou suas atividades por questões econômicas.

O curso de Jornalismo da UFMG estava em seus primórdios e nos jornais como “Estado de Minas”, “Diário da Tarde”, “Diário de Minas” não havia jornalistas de canudo em seus quadros, mas profissionais que sabiam escrever, garimpar notícias e davam conta do recado de modo brilhante.

Foi nesse início do “Jornal de Minas” que ingressei como foca na editoria de Polícia do matutino. Adotei o nome de guerra, que carrego até hoje, de Alair Ribeiro. Tirei o Silva. Ali escrevi minha primeira matéria, tive minha primeira manchete e, sobretudo, tive a oportunidade de realizar o sonho de jornalista ao brigar com prédios que possuíam escadas-rolante, mas não davam manutenção. Uma delas arrancou três dedos do pé de um menino. Acompanhei e defendi o pequeno com a arma que possuía: a escrita.Como escreveu o patrono da minha turma de Jornalismo, Carlos Drummond de Andrade, em “O Lutador”: “Lutar com palavras/é a luta mais vã./Entanto lutamos/mal rompe a manhã.”

Minha vida de foca (pessoas que estavam começando no jornalismo) transcorreu durante a ditadura, com os censores proibindo ou alterando ou permitindo a publicação de notícias conforme os interesses do general de plantão. Depois de uns meses deixei a editoria de Polícia e o jornal e parti para outras atividades jornalísticas até 1976, quando entrei para o Estado de Minas onde permaneci até 2001. Nesse meio tempo, tive a honra de colaborar com o “Jornal Leopoldinense” por vários anos.

Esse livro “Jornal de Minas – Histórias que ninguém leu”, nasceu pelas mãos do filho do Editor geral do jornal, Celso Fernando Zuba. O filho, Fernando Horta Zuba, conseguiu reunir a turma do JM, na comemoração dos 90 anos de Adival Coelho, chefe de redação do JM,e nesse encontro os antigos jornalistas assumiram o compromisso de publicar o livro, cada um mostrando sua visão da ótima escola de jornalismo que foi esse jornal.

O conjunto da obra (30 artigos) conta bem a trajetória desse periódico que fez história entre os mineiros. É escrita por pessoas que só fizeram escrever a vida toda. Então é um texto que proporciona boa leitura.

Na contra capa, as fotos da turma que escreve no livro, em ordem de foto e de texto. Alair Ribeiro é o terceiro da foto e seu texto é o terceiro dos que começam na página 29 e assim por diante. Boa leitura.



O livro foi lançado no Sindicato dos Jornalistas de MG e dia 11 de agosto será relançado na Livraria Ouvidor, na Savassi, em BH.
 
 
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