13/10/2018 às 08h17min - Atualizada em 13/10/2018 às 08h17min

Relatos de violência nas redes por motivação política crescem no 2º turno

Levantamento da FGV conta 2,7 milhões de tuítes sobre tema em quatro dias; em todo o mês de setembro, foram 1,1 milhão

Destak Jornal
Foto: Reprodução / Redes sociais

Comentários sobre agressões por motivação política cresceram desde que o segundo turno começou. Essas postagens repercutem denúncias de agressões que circulam nas redes ou são notícias nos jornais sobre atos de violência. É o que mostra levantamento foi feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (Daap/FGV), que monitora o diálogo nas redes.

Nos 30 dias antes do primeiro turno das eleições deste ano, o total de tuítes sobre agressões foi de 1,1 milhão; já nos quatro dias após ao pleito– das 19h de domingo (7) até às 15h de quinta (11)–, o número de tuítes estourou: foram 2,7 milhões.

O caso mais grave foi o primeiro a ganhar notoriedade: o assassinato, na madrugada de segunda (8), em Salvador, de Moa do Katendê. 

 
O mestre de capoeira e fundador do afoxé Badauê foi morto a facadas por um apoiador do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) com o qual discutira num bar após a votação do primeiro turno, segundo a polícia. O crime motivou, na segunda-feira (8), 112 mil postagens entre as 749.495 menções a medo, violência, ofensas e assuntos correlatos, sempre associados ao contexto político. O assassino negou motivação política para a agressão, alegando que foi ofendido pelo mestre de capoeira.

Há comentários também sobre relatos de agressões a gays, lésbicas e travestis, agressões físicas e verbais. Muitos da comunidade LGBT dizem nas redes que são vítimas de ameaças e xingamentos por parte de eleitores de Bolsonaro.

Em Porto Alegre, uma jovem foi agredida por três homens. Ela tinha colado na bolsa um adesivo com a bandeira do movimento LGBT, onde havia a inscrição "Ele não". Os agressores marcaram o corpo dela com uma suástica, usando um canivete. O delegado afirmou que a vítima disse em seu depoimento que foi um cas  de homofobia.

Depois do assassinato de Moa do Katendê, o candidato do PT, Fernando Haddad, condenou na quarta-feira (10), todo tipo de violência: "Veja bem, nós estamos conversando com todas as forças que queiram conter a barbárie, que está em escalada no país. Nós temos que botar um fim nessa violência. É demais o que está acontecendo", disse Haddad.

Bolsonaro também repudiou a violência e, na quinta-feira (11) disse que dispensa o voto de eleitores que cometem tais atos: "Dispensamos esse tipo de voto. Não queremos a violência de quem quer que seja, tenha votado em mim ou não, cometeu crime, vai ter que pagar", afirmou o candidato do PSL.

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