14/08/2014 às 17h52min - Atualizada em 14/08/2014 às 19h37min

Cresce poder de compra dos pecuaristas

Em Minas Gerais, o ganho foi de 7,8% na relação de troca pelo concentrado (ração) e de 4,7%, pela mão de obra

Michele Valverde
Diário do Comércio
Foi preciso 1,07 litro de leite para a aquisição de um quilo de ração, aponta pesquisa.

A elevação dos preços pagos pelo litro leite ao pecuarista em Minas Gerais e demais regiões produtoras do país fez com que o poder de compra dos produtores fosse ampliado ao longo dos primeiros seis meses do ano. Em Minas Gerais, o ganho foi de 7,8% na relação de troca do leite pelo concentrado (ração) e na mão de obra o ganho ficou em 4,7%, os dois itens são os principais na composição dos custos da atividade leiteira, respondendo por 42,5% e 15,56%, respectivamente.

Os dados são do boletim Ativos da Pecuária de Leite, elaborado pela Superintendência Técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP).

Conforme o boletim, o aumento do poder de compra dos pecuaristas está atrelado aos maiores preços pagos aos produtores de leite ao longo do primeiro semestre de 2014, frente a igual período de 2013. Na média do período, os preços ficaram 5,7% maiores, levando em conta os resultados dos estados de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Na relação com o concentrado, principal gasto da atividade, em Minas Gerais, a relação de troca ficou 7,8% maior, sendo necessário 1,07 litro de leite para a aquisição de um quilo de concentrado. No mesmo período de 2013, a relação era de 1,16 litro por quilo do concentrado.

De acordo com os dados da CNA, ao longo do primeiro trimestre os preços do milho se mantiveram elevados, porém, a partir de abril, com a expectativa de um crescimento significativo da segunda safra do ano e da maior produção do cereal nos Estado Unidos, os valores recuaram, contribuindo para o ganho na relação de troca, já que o milho é um dos principais componentes da ração bovina.

Em relação à mão de obra o ganho em Minas Gerais foi de 4,7%. No primeiro semestre de 2013, eram necessários 768,9 litros de leite para o pagamento do salário mínimo, volume que recuou para 732,87 litros ao longo dos primeiros seis meses de 2014. A mão de obra é um dos maiores componentes dos custos de produção da pecuária leiteira.

Ainda segundo o boletim da CNA, ao longo do primeiro semestre, os custos de produção em Minas Gerais ficaram maiores, porém, foram compensados com a valorização dos preços do leite. No acumulado do semestre, foi registrado incremento de 2,07% no Custos Operacional Efetivo (COE), que reúne os gastos necessários para a condução da atividade, como pagamento da mão de obra, fertilizantes, defensivos, energia, combustível, manutenção, reparos, impostos e taxas, assistência técnica, entre outros.

Alta também foi observada no Custo Operacional Total (COT) que ficou 2,04% maior no período. O custo total engloba o COE, a reposição patrimonial e o pró-labore. O levantamento da CNA mostra que na "média Brasil" o COE apresentou alta de 2,72% e o COT 2,66%.

No mesmo período, o pecuarista mineiro recebeu 3,93% a mais pela negociação do litro de leite, o que compensou a elevação dos custos na produção. Na média do país o incremento nos valores ficou em 5,77%.

País - De acordo com o levantamento da CNA, na média Brasil, os principais itens que contribuíram para a elevação dos custos da pecuária do leite, entre janeiro e junho de 2014, foram a suplementação mineral, que acumulou alta de 7,9%, seguido pela suplementação animal, 7,16%, e material de ordenha, 3,34%. O concentrado, que responde por 42,5% da composição do COE, acumulou incremento de 3,3% ao longo dos primeiros seis meses do ano. No período, alguns itens apresentaram queda nos custos como as forrageiras, que teve os preços reduzidos em 3,24%, silagem, 0,69% e energia e combustíveis, 0,26%.

Os dados detalhados de Minas Gerais não foram divulgados, porém, a participação do Estado na composição dos custos na média nacional é de 34,3%, isto pelo fato de o Estado ser o maior produtor nacional.

 


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