15/08/2014 às 15h46min - Atualizada em 15/08/2014 às 15h46min

Marina começa a perceber a pressão que enfrentará na campanha

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Correio do Brasil
Marina Silva foi ministra do Meio Ambiente durante a gestão do ex-presidente Lula.

Ainda candidata à Vice-presidência da República pela legenda do PSB, a ex-senadora Marina Silva aguarda que sejam agendadas as últimas homenagens ao ex-companheiro de chapa, Eduardo Campos, em seu apartamento, na capital paulista, onde tem-se mantido calada, publicamente, acerca de seu futuro político. Ela pediu um “momento de luto” antes de voltar a discutir o cenário eleitoral, mas tem acompanhado as últimas movimentações na direção do partido e junto ao grupo que lidera, a Rede Sustentabilidade. Analistas que, desde a queda do avião em que viajava o ex-governador pernambucano, apontam Marina como sua herdeira política, são unânimes ao prever que um rápido acordo a manterá à frente da chapa, com um vice, no lugar dela, oriundo das hostes pernambucanas. O nome do irmão de Eduardo, Antonio Campos, tem sido ventilado para ocupar o posto. Há, porém, mais obstáculos entre os planos e a realidade, uma vez que é inegável a existência de profundas divergências entre os integrantes dos distintos grupos políticos.

Logo após o posicionamento de Antônio, favoravelmente à candidatura de Marina, a direção nacional do PSB esclareceu, por meio de nota, que nada seria resolvido até o enterro de Eduardo e a decisão, quando ocorrer, será por “exclusivo critério” do PSB. Neste cenário, percebe-se a possibilidade até de o PSB não lançar candidato e apoiar a campanha da presidenta Dilma Rousseff, o que deixaria Marina fora da disputa eleitoral desse ano, uma vez que o Rede não conseguiu se firmar como um partido político, polarizando a disputa com o senador mineiro Aécio Neves, do PSDB. Diferenças irreconciliáveis entre as diversas alianças estaduais e de posições ideológicas, como quanto a aversão de Marina ao setor do agronegócio ou à aliança com o governador Geraldo Alkmin, em São Paulo, pesam agora na sua possível escolha como representante do PSB. Para seguir em frente, Marina precisaria garantir que daria continuidade ao projeto de Eduardo Campos e passar a falar para além dos limites da Rede.

Com ou sem um novo discurso na bagagem, Marina enfrenta, naturalmente, a resistência de candidatos de governos ligados ao agronegócio. Candidato majoritário, Pedro Taques (PDT), no Mato Grosso, descartou seu apoio a uma eventual candidatura de Marina e já avisou que pretende apoiar a candidatura do tucano Aécio Neves. Mesmo a direção nacional do PMDB já considera que dois de seus candidatos a governos estaduais que apoiavam Eduardo Campos, Nelson Trad (MS) e Ivo Sartori (RS), tendem a somar na campanha à reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Ambos são ligados ao agronegócio e que, se apoiarem a líder da Rede, perderão votos, na certa.

Em suas andanças, Eduardo Campos conversou com empresários do campo durante sabatina na Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e propôs que o diálogo ajudasse a “combater o preconceito ao agronegócio”. Citou, várias vezes, a capacidade de Marina Silva em conversar sobre o assunto e foi aplaudido.

Alianças estaduais

Muitas das alianças formadas por Eduardo Campos foram colocadas sem a expressa concordância de Marina, em nível estadual, como em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Paraná. Em Minas Gerais, ela tentou emplacar um candidato da Rede, com indicação aconteceu no momento em que a legenda estava dividida entre candidatura própria ou apoio ao PSDB. Marina indicou como pré-candidato ao governo do Estado o médico e ambientalista Apolo Heringer, da Rede, mas também alojado no PSB. A ex-senadora anunciou seu apoio em carta enviada ao partido, dividido naquele momento entre o lançamento de candidatura própria ou o apoio ao PSDB. A aliança com os tucanos chegou a ser defendida pelo presidente do diretório estadual, deputado federal Julio Delgado. O próprio parlamentar chegou a ser cogitado como candidato do PSB mas, na convenção, passou o nome do pai do congressista, o ex-prefeito de Juiz de Fora, Tarcísio Delgado. A decisão afastou os correligionários de Marina do PSB no Estado e a campanha segue dividida.

Mas o nó górdio que Marina precisará desatar está no Estado de São Paulo, maior e mais conservador colégio eleitoral do país. O PSB, em uma articulação direta de Eduardo Campos, emplacou o presidente do partido no Estado, Marcio França, como vice na chapa do governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição. Desde então, Marina se recusou a participaria de qualquer ato de campanha que tivesse a participação do tucano. No Rio de Janeiro, Estado de ressonância nacional, o constrangimento é parecido, embora o ator coadjuvante tenha ficado no campo da esquerda, como candidato a senador na chapa petista. O PSB fluminense pontificou o deputado federal Romário como candidato ao Senado na chapa de Lindberg Farias (PT) candidato ao Palácio Guanabara. Da mesma forma, Marina disse que não gostaria de subir no mesmo palanque em que estiver a concorrente Dilma Rousseff.

 


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