30/11/2018 às 13h08min - Atualizada em 08/12/2018 às 13h08min

Leopoldinense participa de expedição que tenta bater recorde mundial de voo com parapente

Túlio Subirá, além de piloto, é empreendedor no segmento de manutenção dos paragliders, atendendo à demanda do mercado nacional.

João Gabriel B. Meneghite
Brasileiros e estrangeiros de diversas partes do mundo aproveitam as térmicas e correntes de ventos constantes de Patu, região oeste do Estado do Rio Grande do Norte, para vôo com parapentes.

Os meses de outubro, novembro e dezembro são propícios para os voos de longa distância naquela região, considerada a melhor do mundo para essa prática esportiva, onde já foram batidos recordes mundiais.

Entres os dias 05 e 17 de novembro, o leopoldinense Túlio Subirá Coutinho e o seu amigo Eduardo Eisenlohe, ambos pilotos de parapente, foram até o local com o propósito de conhecerem as condições de voo da região.

Túlio, além de piloto, é empreendedor no segmento de manutenção dos paragliders, atendendo à demanda do mercado nacional. Ele recebeu a nossa reportagem na sua oficina no dia 29 de novembro para um bate papo, contando-nos um pouco sobre a sua viagem.




JL - Túlio, conte-nos como foi a experiência dessa expedição.

Foi a maior expedição da minha vida, é o melhor lugar do mundo para a prática de voo livre. Costumo comparar muito às ondas gigantes – quem vai para o sertão brasileiro [voar de parapente] é como quem fosse a Nazaré surfar, são as condições mais extremas do mundo, pois, são térmicas muito fortes que nos dão condições de voar a maior distância possível no parapente.

JL - O Objetivo dessa viagem foi bater o recorde mundial?

Uma equipe brasileira é detentora do recorde mundial, voando 564 quilômetros de distância, no sertão brasileiro. Estamos iniciando nessa caminhada para, futuramente, tentar chegar nesse recorde também. Na verdade, fomos para fazer um estudo do local, saber as melhores rotas de voo, a melhor área e, nos anos seguintes, fazermos uma expedição maior tentando esse recorde.

JL - Com apenas 23 anos, fez um vôo muito longo durante essa expedição, totalizando 415 km de distância. Talvez seja o piloto mais jovem do mundo a bater esse recorde. Esse dado foi analisado?

Nessa expedição, fiz um voo decolando de Patu/RN, atravessando o Estado do Ceará e pousando no Piauí. Foi um voo de 415 quilômetros de distância, com duração de dez horas e meia, extremamente longo. Decolei às 07:00 da manhã e pousei às 17:00 horas. Estamos analisando, mas, não é nada oficial. Ainda buscamos descobrir se, de fato, sou o piloto mais jovem do mundo a obter esse feito.

JL - Quais foram às dificuldades e desafios dessa expedição?

No inicio, estranhei muito, achei muito diferente dos voos que faço em nossa região. Lá, tudo começa muito mais cedo, a rotina é bem rigorosa e cansativa, sob uma condição extrema.  Temos que acordar de madrugada, decolar às 06h30min e  às 07:00 horas  já estar com alguns quilômetros de distância de onde decolamos -  é muito diferente, os ventos são muito fortes, o tempo das térmicas, o giro, a hora certa que tem para sair ou não sair,  estranhei um pouco, mas me acostumei.

JL - Como foi o suporte logístico para essa aventura?

Contratamos uma equipe de resgate, a ‘Mandacaru’ - eles deram todo apoio necessário para cortamos o sertão com toda tranquilidade, pois, eles iam nos buscar onde fossemos.

JL - Há planos para voltar?

A temporada de lá é em outubro e novembro. Pretendemos voltar logo no início de outubro de 2019, com mais pilotos e, decolando de outro local, pois, mapeamos um outro lugar, com objetivo de  aumentar essa marca.

JL - Você recebeu um convite para disputar o campeonato mundial. Como surgiu essa oportunidade?

Vou disputar uma etapa do mundial, no ano que vem [2019], em Portugal. O evento acontecerá nos meses de junho e julho, inverno no Brasil e, verão lá.  Essa oportunidade veio da minha equipe australiana, a Flow Paragliders, pois o meu chefe gosta muito do meu trabalho e acabou me convidando para participar. Ele é um brasileiro, dono da marca que trabalho em minha oficina.

JL - Então, disputará o Campeonato Mundial pela Austrália?

Não, sou um piloto brasileiro que farei parte da equipe Flow Paragliders, marca Australiana.

JL - Além dos objetivos dessas expedições, dos seus trabalhos na manutenção de paragliders, quais são os planos para 2019?

Estou muito tranquilo e confiante com meu desempenho. A intenção é participar do máximo de campeonatos que pudermos voar, para sempre estar treinando e evoluindo para atingir esse recorde.
 

O leopoldinense Túlio Subirá Coutinho



 
Biografia

Túlio Subirá Coutinho fez o seu primeiro voo duplo aos cinco anos de idade, acompanhado de seu pai Luiz Geraldo ‘Lalado’ Coutinho, responsável por implantar e incentivar a prática de paragliders em Leopoldina.  Atualmente, com 23 anos, é considerado um dos pilotos mais técnicos do Brasil.

Ele é neto do professor de educação física Getúlio Subirá, técnico de futebol que comandou famosas equipes dos tempos áureos do E.C. Ribeiro Junqueira.

Desde criança acompanha o seu pai nessa atividade esportiva. A sua mãe, Rodriga Junqueira Subirá, tinha que levar mamadeira para ele na rampa de Leopoldina. O seu primeiro voo duplo foi com cinco anos e desde então é apaixonado pelo esporte.

Relação de títulos: 

2013 – 2º lugar Carnafly
2013 – 3º lugar no Campeonato Mineiro
2013 – 3º lugar no Open Zona da Mata
2013 – 4º lugar no Campeonato Capixaba de Castelo
2014 – 2º lugar no Campeonato de Machados
2014 – 2º lugar no Carnafly
2015 – 1º lugar no Carnafly
2016 – 6º lugar no Open Pirapanema
2016 – 1º lugar no Campeonato de Governador Valadares
2017 – 1º lugar no Campeonato de Machados
2017 – 1º lugar no Open Muriaé
2018 – 5º lugar no Campeonato Paulista de Andradas
2018 – 1º lugar no Campeonato Capixaba de Pancas
 
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