20/01/2019 às 13h31min - Atualizada em 20/01/2019 às 13h31min

“Ao ladrão!”

Por Luciano Baía Meneghite

O fim e início de ano estiveram animados em Leopoldina. Roubos a residências aos montes apavoraram ainda mais a solitária e neurótica vizinha.  Ela que já vivia trancada, aumentou o número de cadeados nas portas e janelas. Instalou câmeras, alarme e pediu ao vigia da rua que apitasse mais vezes para ter certeza que este não dormiu.

Ela que já parecia uma coruja, agia como tal. Passava as madrugadas nos facebook’s, What Zap ‘s da vida. Além disso, qualquer movimento estranho dava o alerta pra todos vizinhos aos berros.

Dias atrás dormiu sentada na poltrona e acordou arranhada pelo gato que se assustou com o barulho do helicóptero que rondava a cidade. Limpou a baba, nem tirou as remelas dos olhos e já foi conferir qual era a ocorrência. Uma quadrilha bem armada havia sido presa.  Era longe de sua casa, mas ela surtou. Da janela gritou a vizinha pra contar o ocorrido. Passou o dia querendo saber se tinha alguém conhecido. Não tinha.

- Não é possível! Tem que ter alguém daqui.

- Ééé... Num sei, mas qui im Lepoldina tem uma meia dúzia qui faiz mlagre, isso tem! Respondeu a vizinha, que preferiu não esticar o assunto e ir “evacuar o café.”

A coruja passou o dia todo roendo até a unha do gato, já que a dela não tinha mais. Quando não tava na internet, relaxava escutando Jornal da Cidade ou assistindo “Cidade Alerta”, “Brasil Urgente” entre outros.

A noite chegou aparentemente calma, A lua surgiu redonda como um tamanco, a vizinha também estava estranhamente calma. Quando o relógio bateu uma da manhã, ela escutou na rua: Tratatatata!!!!

- É tiro! Acorda Ceição! Gritou a coruja pra vizinha do lado.

- Ali oh! Subiu no telhado! Avisou o folclórico Bizu com a meiota na mão.

- Ai meu deus! Chama os hômi! Berrou Ceição, acordando o marido que já saiu com um porrete na mão.  As crianças também apareceram iguais fantasminhas arrastando os lençóis.

Com a confusão, o quarteirão todo acordou. 

- É o Naquinho? Perguntou uma roliça de baby doll.

Não tô vendo, tá escuro. A gente paga taxa de iluminação e não tem iluminação! Revoltou-se o marido da Ceição, sendo apoiado por parte da platéia.

-Tem que matarrrr! Eu vou comprar um revolverrrr!!!. Zurrou um bolsominion.

- Revolver não adianta nada. Ele tá de metralhadora ... Eu escutei o Tratatata!!!  falou um magrinho da rua de trás.

E ficaram naquele: pega, não pega, corre, não corre. E ninguém se arriscava subir no telhado da vizinha atrás do meliante.  Meia hora depois chega o vigia. Uma hora depois aparecem duas viaturas da PM.

A confusão aumentou quando a puliça resolveu cercar o local. O povo com medo de tiro se escondeu onde pôde, menos Bizu, que parecia alheio a tudo, só dando suas beiçadas na mardita.

Meia hora de buscas e nada. Alguns não queriam entrar em casa com medo de que o bandido tenha se escondido em algum guarda roupas.

-Tá ali oh! Gritou Bizu apontando pro telhado da coruja. Todos torceram o pescoço pra ver e a vizinha coruja desmaiou.

  - Foi o seguinte seu guarda... Eu tava vortando da padaria e parei no latão de lixo, pra pegá latinha. Condo eu rastei o latão no paralelepípedo... Tratatata... O fedazunha do gambá sustô, me mordeu deu um gole na minha meiota e correu lá pra cima.

O bicho pulou do telhado assustado e sumiu mato afora.

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