17/08/2014 às 14h55min - Atualizada em 17/08/2014 às 14h55min

Infidelidade partidária se instala no PT, PMDB e PSDB do interior

Patrícia Scofield
Hoje em Dia
Pimenta e Pimentel

A infidelidade partidária nos quadros de PT, PMDB e PSDB já se instalou no interior de Minas Gerais, onde petistas e aliados dividem o comando da prefeitura com vices tucanos ou de partidos da base de governo.

Levantamento feito pelo Hoje em Dia nas 59 cidades mineiras com esse perfil revela que 30 prefeitos, especialmente das regiões Sul e Central do Estado, declararam apoio à Coligação “Todos por Minas”, do ex-ministro Pimenta da Veiga (PSDB). Vinte administradores municipais de regiões pulverizadas garantiram que fazem campanha para a Coligação “Minas Pra Você”, do ex-ministro Fernando Pimentel (PT), e outros nove administradores ainda não se definiram.

Em cidades como Dores do Campo, nos Campos das Vertentes, com pouco menos de 10 mil habitantes, e em  Jacutinga, no Sul de Minas, com 22 mil, prefeito e vice dividiram o apoio entre Pimenta e Pimentel. “Eu estou com o PSDB e liberei meu vice (do PT) para dar apoio para o outro lado, mas com certeza Pimenta e

Aécio vão sair muito na frente aqui na minha cidade”, disse Antônio Américo Ramalho (DEM), conhecido como “Toninho do Ninico”.

Situação semelhante se repete em Bonfinópolis de Minas, no Noroeste do Estado, cidade com cerca de 6 mil habitantes. O gestor de Jacutinga, Noé Rodrigues (PSDB), resume: “Eu voto no meu candidato, meu vice (é do PT) vota no candidato dele, Pimentel. Não tem conflito”.

Indefinição

Nos municípios em que os apoios ainda não foram definidos, como Ubá, Miradouro e Oliveira Fortes, na Zona da Mata; em Açucena e São Félix de Minas, no Vale do Rio Doce; e em Serranos, no Sul de Minas, os políticos disseram que aguardam bater o martelo com deputados estaduais. Mas, antes, vão pedir benefícios para suas gestões municipais.

Em Caparaó, o prefeito Cristiano Xavier da Costa (PSDB) decidiu fazer campanha para um parlamentar do PT que tenta a reeleição para a Câmara dos Deputados. “Depende do nosso grupo político. Só sabemos que vamos apoiar um nome do PT para deputado federal, que sempre nos ajudou a conseguir verba e projetos. Devemos definir até o início da semana que vem, antes de começar o tempo de TV. Mas já lhe digo que a política só pega mesmo no interior quando a eleição é para prefeito ou deputado. Governo estadual e presidente influem  pouco no dia a dia de uma cidade pequena”.

Escolha

Mais recursos e poder não são, porém, os únicos quesitos que balizam a decisão por um ou outro candidato. Paira dúvida também quando há uma disposição de não desagradar nenhum dos lados. O chefe do Executivo de Alfredo Vasconcelos, José Vicente Barbosa (PT), está com o deputado federal Reginaldo Lopes (PT) e com o deputado estadual Braulio Braz (PTB), esse da base de governo, e conta que “sempre apoiou” o deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB). “Realmente ainda não defini. Reginaldo me deu muita força nos dois últimos anos, Braulio é forte aqui, e Rodrigo é meu voto antigo”, conta.

Depoimentos

Gabriel Guimarães

“O PT tem fidelidade partidária. Os seus membros que, por alguma opção local, tenham definido até agora uma composição fora da nossa aliança, devem seguir a linha partidária, o projeto para o Estado e a coerência com o projeto nacional. Esse compromisso será exigido pelo partido, até porque, se esses prefeitos e vices foram eleitos, foi graças ao apoio do PT”.

Marcus Pestana

“O quadro partidário brasileiro está pulverizado e os partidos não têm vida orgânica, não têm ação política consistente, leva a fidelidade ao campo regional e pessoal, mais do que partidário. É preciso uma reforma política que fortaleça o partido. Temos 32 hoje, e 40 esperando para ser criados. É natural conseguir apoio do interior, nosso grupo tem articulação de deputados e presença constante”


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