26/04/2019 às 14h54min - Atualizada em 26/04/2019 às 14h54min

A ignorância apagando a história

Luciano Baía Meneghite
Alguns podem achar exagerada a afirmação do título e citar ações pontuais realizadas pelo poder público ou particulares no sentido de preservação de nosso patrimônio. Estão ensacando fumaça, diante do que se perde pela ação do tempo e da ignorância humana.

Só pra citar um exemplo, lembremos o caso do Casarão de Piacatuba

Diante da matéria publicada na edição nº 360 de 01 de agosto de 2018, do Jornal Leopoldinense, intitulada ‘Por fora Bela Viola’ em que mostramos o péssimo estado do Casarão localizado no distrito de Piacatuba pertencente ao Município de Leopoldina, o Promotor de Justiça, Dr. Sérgio Soares da Silveira, determinou instauração de Inquérito Civil na área de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural.  Foi expedido ofício ao Prefeito de Leopoldina recomendando a adoção, no prazo de 60 dias (a contar a partir de 11 de setembro de 2018) de “medidas pertinentes visando implementação de ações de correção e manutenção predial eficazes, no Casarão que abriga o Centro Cultural de Piacatuba”.

Relembre:

Promotor recomenda ao Município ações de correção e manutenção no Casarão de Piacatuba

Até o momento não temos informação de quais medidas de fato foram tomadas pelo Município.
 

Se fosse só um casarão seria menos mal, mas são vários imóveis, incluindo a Matriz de Nossa Senhora da Piedade que segundo o arquiteto Eduardo Soares sequer plano contra incêndio possui. Se até a França não cuidou devidamente de Notre Dame, imaginem o que pode acontecer por aqui. Aliás, já aconteceu. Todos se lembram que em 2006 o prédio da prefeitura pegou fogo e sequer seguro contra incêndio havia.

Eduardo Soares mesmo, já alertou por mais de uma vez que a falta de dinheiro não é justificativa para o abandono do patrimônio histórico, ao contrário, o município perde repasses por isso.

Relembre:

O que fazer para preservar nosso patrimônio?

Em todo território de Leopoldina há fazendas centenárias do ciclo do café,  boa parte caindo aos pedaços. Algumas sendo demolidas, descaracterizadas. Outras com proprietários lutando com dificuldades para preservá-las. Poderiam se transformar em hotéis-fazendas, ou melhor, fazendas-hotéis, não deixando de lado a atividade agropecuária. Poderiam também receber visitas guiadas de escolas, tornando atraente e mais próxima nossa história.

Claro que não se trata de culpar apenas o poder público, mas este deve liderar e envolver outros setores privados, igrejas, entidades para reverter esse quadro de abandono. É difícil, mas não impossível.

O Município poderia incentivar mais a preservação tanto na zona rural, como na sede do município. Já citamos que outras cidades oferecem, por exemplo, descontos no IPTU aos proprietários que mantenham bem cuidados seus imóveis, sejam eles de valor arquitetônico, histórico ou não. É muito mais agradável viver ou visitar uma cidade com as calçadas bem pavimentadas, as fachadas das casas pintadas, mesmo que seja com uma simples caiação.

Como esperar isso se nem o que compete à prefeitura é bem feito? Buracos aos montes em praticamente todas as ruas. Reparos que não resistem à primeira chuva, árvores sem poda ou mutiladas, deficiência ou falta de iluminação entre outras coisas básicas. Leopoldina é fogo!

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