27/05/2019 às 14h58min - Atualizada em 27/05/2019 às 14h58min

O tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo

Enquete do Jornal Leopoldinense revela que 49% dos leitores fumantes disseram que têm vontade de parar de fumar.

O tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema)
O Dia Mundial sem Tabaco – 31 de maio – foi criado em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) é órgão responsável por ações integradas ao Ministério da Saúde para o desenvolvimento do Programa Nacional de Controle do Tabagismo.
 
Segundo a OMS, o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas . Destes, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero, estômago e fígado), 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral – AVC).
 
Além disso, o tabagismo também é um fator importante de risco para o desenvolvimento de outras enfermidades, tais como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras (INCA, 2018).
 
O consumo de tabaco mata milhões de indivíduos a cada ano. Se a tendência atual continuar, a previsão é de que em 2030 o tabaco matará cerca de oito milhões de pessoas por ano, sendo que 80% dessas mortes ocorrerão em
países de baixa e média rendas (OMS, 2011).
 
SOBRE A CAMPANHA
 
Em 2019, o tema escolhido pela OMS para ser trabalhado internacionalmente é TABACO E SAÚDE PULMONAR. Pretende-se com essa campanha alertar a população brasileira sobre os riscos de doenças pulmonares oriundas do consumo de tabaco.
 
Sabe-se claramente que o tabaco faz mal aos pulmões, mas talvez os dados impressionem ao mostrar o quanto este importante órgão é atingido: Das mortes anuais causadas pelo uso do tabaco,  31.120 mortes por DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica); 23.762 por câncer de pulmão , 10.900 por pneumonia e 17.972 mortes por tabagismo passivo; e 10.812 por AVC (PINTO et al., 2017).
 
O tabagismo é a principal causa de DPOC, conjunto de enfermidades no qual o acúmulo de um muco cheio de pus nos pulmões resulta em obstrução das vias aéreas, ocasionando tosse dolorosa e dificuldades respiratórias agonizantes. Condição que inclui a bronquite crônica e o enfisema pulmonar.
 
O tabagismo também é a principal causa de câncer de pulmão, responsável por mais de dois terços das mortes por essa doença no mundo. A exposição ao fumo passivo em casa ou no local de trabalho também aumenta o risco de câncer de pulmão. O câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil (sem contar o câncer de pele não melanoma). É o primeiro em todo o mundo desde 1985, tanto em incidência quanto em mortalidade.
 
FUMO PASSIVO E DOENÇAS PULMONARES:
 
Além disso, a exposição ao tabagismo passivo (ou seja, a exposição involuntária à fumaça do tabaco), pode acarretar reações alérgicas, rinite, tosse, conjuntivite, exacerbação de asma, infarto agudo do miocárdio, câncer do pulmão e DPOC (enfisema pulmonar e bronquite crônica).
 
Em crianças, a exposição passiva aumenta o número de infecções respiratórias. Bebês expostos ainda no útero às toxinas da fumaça — por materno ou exposição materna ao fumo passivo — frequentemente experimentam redução do crescimento e da função pulmonar.
 
As crianças fumantes passivas apresentam uma grande chance de contrair problemas respiratórios (bronquite, pneumonia, bronquiolite) em relação àquelas cujos familiares não fumam. Além disso, quanto maior o número de fumantes no domicílio, maior o percentual de infecções respiratórias nas crianças que vivem com fumantes.
 
É, portanto, fundamental que adultos não fumem em locais onde haja crianças, para que estas não sejam transformadas em fumantes passivos. Como seu organismo ainda se encontra em desenvolvimento, as crianças, especialmente as de pouca idade, são mais vulneráveis aos efeitos da fumaça (INCA, 2018).
 
A epidemia global do tabaco mata mais de sete milhões de pessoas por ano, das quais, cerca de 900 mil são não fumantes que morrem por respirar o fumo passivo.
 
DEPENDÊNCIA
 
O tabagismo é reconhecido como uma doença que causa dependência física, psicológica e comportamental semelhante ao que ocorre com o uso de outras drogas como álcool, cocaína e heroína. A dependência ocorre pela presença da nicotina nos produtos à base de tabaco. Ao ser inalada, a nicotina presente no cigarro produz alterações no Sistema Nervoso Central, modificando, assim, o estado emocional e comportamental dos indivíduos. A nicotina quando atinge o cérebro libera várias substâncias (neurotransmissores) que são responsáveis por estimular a sensação de prazer que o fumante tem ao fumar. Com a inalação contínua da nicotina, o cérebro se adapta e passa a precisar de doses cada vez maiores para manter o nível de satisfação que tinha no início. Esse efeito é chamado de “tolerância à droga”. Com o passar do tempo, o fumante passa a ter necessidade de consumir cada vez mais cigarros.
 
ENQUETE PROMOVIDA PELO JORNAL LEOPOLDINENSE
 
O Jornal Leopoldinense disponibilizou aos seus milhares de leitores a seguinte enquete: Você que é fumante já fez alguma tentativa de parar de fumar? O resultado pode ser conferido no infográfico abaixo:
49% dos leitores fumantes disseram que  têm vontade de parar de fumar
 
Os resultados obtidos mostram a Vontade de parar de fumar na maioria dos votos o que pode ser considerado um grande passo na luta contra o tabaco. O primeiro passo para parar de fumar é ter determinação e escolher uma data para ser o primeiro dia sem cigarro. Existem vários métodos, incluindo a parada abrupta ou gradual. O importante é começar!

Já o resultado de 30 % que já tentaram, mas não conseguiram, não é motivo para desânimo. Poucos fumantes conseguem parar sem ajuda das equipes de saúde. Reiniciar o tratamento e observar onde houve falhas será muito importante para a retomada.
 
A dependência realmente existe, física, psicológica e comportamental. O cigarro é uma droga lícita e de fácil acesso. A indústria do tabaco introduz substâncias no cigarro para aumentar a capacidade da nicotina causar dependência. Se o vício é mais forte que você, se dê uma chance! Não é fácil parar, mas sua vida é muito importante para sua família!
 
A taxa de cessação é muito pequena, apenas 13 % conseguiram parar, mas traz esperança àqueles que desejam parar. É possível vencer o vício e experimentar a LIBERDADE!
 
 
OPORTUNIDADES
 
A medida mais eficaz para melhorar a saúde dos pulmões é reduzir o uso do tabaco e a exposição ao fumo passivo. Parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento da vida, mesmo que o fumante já esteja com alguma doença causada pelo cigarro, tais como câncer, enfisema ou derrame. A qualidade de vida melhora muito ao parar de fumar. Veja o que acontece ao parar de fumar:
• Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal.
• Após duas horas, não há mais nicotina circulando no sangue.
• Após oito horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza.
• Após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor.
• Após dois dias, o olfato já percebe melhor os cheiros, e o paladar já degusta melhor a comida.
• Após três semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora.
• Após um ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido à metade.
• Após dez anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram.
 
• Quanto mais cedo você parar de fumar, menor o risco de adoecer.
 
Desde o ano de 2012 o município de Leopoldina, sob a ótica da promoção da saúde, desenvolve o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, juntamente com o Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde - MG e o INCA (Instituto Nacional de Câncer).
 
O Programa tem como objetivo reduzir a prevalência de fumantes,  prevenir a iniciação do tabagismo, promover a cessação de fumar e proteger a população da exposição à fumaça ambiental do tabaco.
 
Em Leopoldina as ações educativas se unem aos grupos de apoio e tratamento que ocorrem nas Unidades de Saúde da Família. Os grupos são formados de acordo com a necessidade de cada bairro do município. Desde 2012 vários grupos já foram formados com estatísticas que superam as expectativas para o Programa.

A equipe formada por farmacêuticos, dentistas, enfermeiros, psicólogos, educadores físicos, médicos e toda equipe do NASF e Saúde da Família realizam sessões com pacientes que desejam parar de fumar. A abordagem é dinâmica e quando julgam necessário são utilizados medicamentos para auxiliar o paciente. O uso de medicamentos tem um papel bem definido no processo de cessação do tabagismo, que é o de minimizar os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina, facilitando a abordagem intensiva do tabagista. Os medicamentos disponibilizados pelo Ministério da Saúde para o tratamento do tabagismo pelo SUS são adesivos para reposição de nicotina, goma de mascar e pastilha, e o Cloridrato de Bupropiona.
 
A Secretaria Municipal de Saúde, a Prefeitura Municipal, Equipes do NASF, Saúde da Família e Assistência Farmacêutica estão unidas nesta causa e se não consegue parar de fumar sozinho procure informações mais detalhadas na Unidade de Saúde mais próxima à sua residência.
 
Um link para dar os primeiros passos: https://saudebrasilportal.com.br/eu-quero-parar-de-fumar/quer-parar-de-fumar-tres-metodos-diferentes-para-escolher

Com informações de Josete Amadeu Almeida Lavorato/Referência Técnica em Assistência Farmacêutica da Secretaria Municipal de Leopoldina - MG

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