08/07/2019 às 19h47min - Atualizada em 08/07/2019 às 19h47min

O centenário e a XVII Exposição Agropecuária de Leopoldina

Reportagem da famosa revista A Noite Ilustrada de 25/05/1954

Revista Noite Ilustrada 25/05/1954 - Acervo da Biblioteca Nacional
Há um século atrás, no dia 27 de abril de 1854 foi fundado o atual município de Leopoldina. Estado de Minas Gerais com o nome de Feijão Cru. Essa designação foi motivada por uma grande chuva que caiu sobre a improvisada cozinha dos tropeiros apagando o fogo que deveria cozinhar o feijão, base do alimento daqueles encarregados do transporte das mercadorias* entre a corte e as regiões do interior. Tornando-se conhecido o local pela referida designação. A medida que se desenvolvia foi se tornando distrito, vila, e, finalmente, cidade, já agora com outro nome, homenageando a filha mais moça de D. Pedro II, nosso último imperador e o primeiro chefe do país que visitou aquela hoje grande metrópole da Zona da Mata.
 
No decurso desse lapso de tempo, Leopoldina cresceu, tomou lugar de destaque entre as suas umas montanhesas, graças ao trabalho constante dos seus habitantes, tornando- se industrial, bancária, pastoril e agrícola. O seu povo, portador das virtudes cívicas tradicionais dos brasileiros em geral, soube e sabe atrair os forasteiros, e graças a esse gesto cativante, conseguiu levar àquela cidade homens ilustres, sob o aspecto econômico social e literário, entre esses, Augusto dos Anjos, cidade em que lecionou e escreveu páginas cheias de emoção. Falecendo ali, agora, nas comemorações do I Centenário, o governador Juscelino Kubitscheck' de Oliveira, perante o prefeito Newton Monteiro de Barros (um dos descendentes dos fundadores de Leopoldina) e outras altas  autoridades civis, militares e eclesiásticas, inaugurou o Grupo Escolar “Augusto dos Anjos”, símbolo da cultura literária, educacional e artística, apanágio dos residentes naquela capital da zona.
 
Foram também inauguradas duas estátuas sendo a primeira em homenagem ao governador do Estado, Sr. Juscelino Kubitscheck de Oliveira, em sinal de agradecimento pelos seus feitos durante a administração governamental, e a segunda homenageando a família Junqueira, a quem cabe o principal desenvolvimento do município, em todos os setores da vida leopoldinense. Pois em Leopoldina a família Junqueira foi a fundadora das indústrias, da criação de gado leiteiro e do Banco Ribeiro Junqueira S. A., estabelecimento que honra todas as casas de crédito do Brasil. Essa ilustre família, entregando-se ao trabalho, à administração, às letras, às ciências e às artes, fez incontestavelmente a grandeza daquela cidade, motivo por que a homenagem que lhe foi prestada, com a ereção da estátua do Dr. Custódio Junqueira, de saudosa memória, constitui um gesto de gratidão dos homens de tôdas as esferas residentes naquela linda e próspera cidade que lhe serviu de berço Ainda nos dias de hoje. Junqueira e Ribeiro dos Reis, representados nas pessoas de José Ribeiro dos Reis (Zequinha). Dr. Ormeo Junqueira Botelho. Antenor Ribeiro dos Reis*, Dr. Joaquim Junqueira,respectivamente ex-prefeito, diretor da Associação Rural, fazendeiro de alta expressão e diretor do banco local. Comercial, agrária e bancária daquele município. Isto sem ficar esquecidos o Dr. Newton Monteiro de Vasconcelos, presidente da Câmara Municipal, Francisco Gama de Oliveira, secretário da Prefeitura , Dr. Jairo Salgado, vice-presidente e chefe da Cooperativa de Laticínios, farmacêutico Carlos Vieira de Oliveira,vereador, Dr. Clóvis Salgado, vice-governador do Estado, Dr.Carlos Coimbra da Luz, deputado federal e presidente do Banco Ribeiro Junqueira S.A, Jonathas Ferreira de Toledo, um dos mais adiantados fazendeiros da comuna, além de muitas outras altas personalidades que, por seu turno, vêm trabalhando para a prosperidade de Leopoldina, dando-lhe o brilho de grande cidade composta de todos requisitos dos civilizados centros.

E a todos esses leopoldinenses de nascimento e pelo coração, Leopoldina, através desse cronista, registra seus sinceros agradecimentos.

Resta-nos fazer um ligeiro registro sobre a inauguração e da XVII Exposição Agropecuária, ocorridos entre os dias 27 de abril e 2 do corrente, sob aplausos de milhares de pessoas de todos os quadrantes de Minas Gerais , do Estado do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de São Paulo. Inaugurada pelo vice-governador do Estado, Dr. Clóvis Salgado, estando presentes, D. Delfim Ribeiro Guedes, bispo diocesano local e autoridades civis e militares, o Dr. Ormeu Junqueira Botelho prosseguiu na direção dos festejos consagrados ao trabalho, procurando atender aos visitantes, entre os quais  figuravam homens da imprensa, a quem ofereceu um almoço em um dos restaurantes da exposição, mantendo com eles cordial palestra, dando-nos motivos para deixar-nos aqui registrados  os agradecimentos  do autor desta crônica.
Durantes todos os dias da exposição, verificaram festejos variados, entre outros, jogos de futebol e lutas livres, praticadas por lutadores internacionais, a saber: Nina Olivieri, italiana, Mirian, cubana,  Linda Davvies, norte-americana, Carmem,  marroquina e Mary, francesa, festas essas que deixaram ótima impressão entre os que acorreram àqueles espetáculos dedicados aos trabalhadores do campo, da industria e do comércio.

Revista Noite Ilustrada 25/05/1954
Acervo da Biblioteca Nacional
 
 
 
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