10/07/2019 às 17h56min - Atualizada em 10/07/2019 às 17h56min

Vencedor da etapa Zona da Mata do Festival da Canção Prisional apresenta letra sobre recomeço

Teatro Paschoal Carlos Magno, em Juiz de Fora, foi palco da terceira etapa do concurso de músicas produzidas dentro de unidades prisionais

SEGOV - Governo de Minas - Central de Imprensa
Vencedor (Foto: Dirceu Aurélio)
Canções e discursos emocionados marcaram a exibição dos sete participantes do Festival da Canção Prisional (Festipri) 2019, nessa terça-feira (9/7), como parte da etapa Zona da Mata da competição. Os participantes buscaram mostrar ao público um pouco da realidade da prisão, seus arrependimentos e sonhos.
 
A apresentação vencedora foi do preso Alexsander José do Nascimento que tocou música de sua autoria sobre a importância de se acreditar em recomeços. Pela vitória, Alexsander ganhou um violão e a gravação de seu single em um estúdio profissional. O vencedor cumpre pena no Presídio de São João del-Rei.

No palco do Teatro Paschoal Carlos Magno, em Juiz de Fora, o vencedor agradeceu ao juiz da comarca e a todos os profissionais da sua unidade prisional que fizeram possível sua participação.
 
“Quando fui preso, foi perto do Festipri do ano passado, e eu vi na TV o vencedor e me perguntei, naquele momento, se um dia eu poderia participar e tocar piano em uma competição dessa. E, dentro do meu coração, eu desacreditei, achei que estava sonhando alto, mas olha onde Deus me trouxe, olha o que Ele fez. Não importa o tamanho do seu sonho, nunca deixe de sonhar”, disse o campeão da etapa Zona da Mata.

O segundo lugar ficou com Alessandro do Nascimento Paes, da Penitenciária José Edson Cavalieiri, localizada em Juiz de Fora, que ganhou um cavaquinho com a cançãoO Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Juiz de Fora levou o terceiro lugar com um rap de autoria dos presos Davi da Silva e Hudson de Oliveira Vigilato, que receberam um tantan como prêmio.


Organizadores (Foto: Dirceu Aurélio)

Os três vencedores também levaram o troféu Patrulha 66, banda musical escolhida como homenageada do evento. A premiação de cada edição sempre leva o nome do homenageado. O grupo musical promoveu, nos anos 80, a primeira apresentação de rock em uma unidade prisional de Juiz de Fora, no extinto Presídio Santa Terezinha. As outras três apresentações participantes foram do Anexo Feminino Eliane Beti, Casa do Albergado José de Alencar Rogedo, ambas em Juiz de Fora, e o Presídio de Visconde do Rio Branco. Todos ganharam brindes e um prêmio de participação.
 
Para a pedagoga da Penitenciária José Edson Cavalieiri, Viviani Freitas, principal responsável pela organização do evento, realizar a edição em Juiz de Fora foi a concretização de um sonho. “No ano passado fomos até Viçosa com o nosso participante e começamos a sonhar com a possibilidade de trazer o evento para Juiz de Fora. A vontade é de promover a arte de uma maneira geral. A arte sensibiliza. Não tem como nesse momento, haver diferença entre o erudito e o não erudito. Somos todos iguais com a música” disse Viviani.
 
O evento também contou com um show do coletivo Hiphopologia, que elogiou as apresentações e deixou uma palavra de incentivo para os participantes. Thiago de Souza Carvalho, participante do Festipen 2009, e Paulo Cézar Duarte, participante do festival de 2018, também se apresentaram.


 P
latéia  (Foto: Dirceu Aurélio)

Festipri

O festival, que busca a ressocialização por meio da música, nasceu em 2006 com o nome Festival Da Canção Penitenciária (Festipen) e envolvia presos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em 2015, a competição passou a ser denominado Festival da Canção Prisional e, em 2017, foi expandida para todas as regiões do estado. O evento tem também como objetivo incentivar e revelar talentos musicais dentro do Sistema Prisional.
 
A diretora de Ensino e Profissionalização, do Departamento Penitenciário de Minas Gerais, Bruna Aguiar, reforça como a efetivação do Festipri depende da ajuda de todos os envolvidos. “É importante que, cada vez mais, nós assumamos a nossa parte da responsabilidade com as pessoas privadas de liberdade. Nós acreditamos no poder de recuperação das pessoas. E tentamos, com muita luta, humanizar esse tempo que eles passam privados do direito de ir e vir. Acreditamos que a educação, a arte, a cultura, o trabalho, os laços familiares são fatores essenciais para o processo de ressocialização. Queremos que eles saiam do sistema prontos para enfrentar o mundo de outra forma”.

Etapas

Cerca de 350 presos de 50 unidades prisionais administradas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e Apac’s estão participando das seis etapas do Festipri 2019: Sul, Triângulo, Norte, Zona da Mata, Vale do Rio Doce e Região Metropolitana de Belo Horizonte. As próximas etapas serão realizadas até o final de agosto em datas a serem divulgadas.

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