21/08/2014 às 06h41min - Atualizada em 21/08/2014 às 06h41min

Lançado edital para elevar resultados educacionais dos jovens negros

Thiago Thobias, diretor de políticas etnicorraciais do MEC.

O Instituto Unibanco, o Fundo Baobá e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com a colaboração técnica do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), lançaram na terça-feira, 19/08, o edital Gestão Escolar para a Equidade – Juventude Negra durante a realização do seminário, de mesmo nome, no Museu Afro, em São Paulo.

O edital irá selecionar projetos de gestão escolar que busquem elevar os resultados educacionais dos jovens negros e negras no Brasil, como acesso, conclusão, frequência, rendimento escolar, acesso ao ensino superior e índices correlatos.

Podem se inscrever escolas públicas de Ensino Médio e organizações, de todo o Brasil, com interesse na área da educação e superação das desigualdades raciais, desde que atuem em parceria com escolas. As inscrições poderão ser feitas de 19 de agosto a 10 de outubro de 2014 pelo site www.baoba.org.br.

O seminário reuniu diversos especialistas e profissionais ligados à questão racial e à educação para discutir como a gestão escolar pode contribuir para a equidade racial na escola e como os jovens podem participar para tornar a escola menos desigual. O superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, destacou a questão racial como um desafio de todo o país.

“O desafio hoje da equidade racial é o desafio da nação brasileira”, disse. “O Ensino Médio não é adequado para a juventude e a questão racial se impõe neste cenário. Nossa expectativa com o edital é incidir nesta realidade. Não é um foco usual no mundo da pedagogia. Propomos enfrentar esses dilemas e propor soluções que possam ser difundidas. Ou seja, queremos gerar conhecimento, sistematizar e difundir”, completou.

Thiago Thobias, diretor da Diretoria de Políticas de Educação do Campo, Indígena e para as Relações Étnico-Raciais, Ministério da Educação (MEC), também destacou a importância de iniciativas como esta: “É extremamente importante pensar exemplos para resolver a equidade. De 2003 a 2013 tivemos muitos avanços nos marcos regulatórios, mas ainda há grandes gargalos”.

O professor da Universidade Federal de São Carlos, Valter Silvério, fez críticas sobre as disciplinas escolares. “Existe a história do negro só na escravidão, na condição de trabalhador subalterno e não como parte da formação do povo brasileiro. A luta é para que todas disciplinas escolares incorporem os conteúdos, e não apenas em arte, história e língua portuguesa”, diz Silvério.

Participaram do seminário também Ieda Leal de Souza, Secretária de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Cida Bento, diretora executiva do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), Cristina Trinidad, oficial de projetos do setor de educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a estudante de Artes Plásticas e professora de educação artística Micaela Cyrino, que contribuiu com  depoimento sobre a questão, a partir da perspectiva juvenil: “Vivo as questões raciais no meu cotidiano. É importante trabalhar de, para e com os jovens. A escola deve pensar como fortalecer o jovem e a identidade do negro, pois é uma batalha diária ter que assumir seu cabelo, sua atitude de cidadão negro. A gente está muito distante do ideal de sociedade. Começar pela escola é só um passo”, afirmou Micaela.

Cida Bento também destacou que “o sistema escolar expulsa a criança negra, por isso a gestão escolar é fundamental. A escola tem que dar apoio, acolher e fortalecer o jovem”.

Edital

Vários estudos mostram que há resultados educacionais significativamente piores entre os jovens negros e negras quando comparados aos de jovens brancos e brancas. Em 2010, a porcentagem de jovens de 15 a 17 anos cursando o Ensino Médio era de 55% entre os brancos e 41% entre os negros (Censo/IBGE 2010). Entre os jovens de 18 e 19 anos, 47% dos brancos haviam concluído o Ensino Médio enquanto somente 29% dos negros finalizaram essa etapa (Censo/IBGE 2010).

Outro estudo de 2013, “Fracasso escolar: evolução das oportunidades educacionais de estudantes de diferentes grupos raciais”, da pesquisadora Paula Louzano (In Cadernos CENPEC) revela que “ser negro no Brasil aumenta a probabilidade de fracasso escolar entre 7 e 19 pontos percentuais”, dependendo da região do país.

As conclusões desses estudos apontam que as disparidades reveladas pelos indicadores escolares de jovens negros e negras estão diretamente vinculadas às relações raciais dentro e fora da escola. Diante desse cenário, o Instituto Unibanco acredita que a gestão escolar pode contribuir para identificação das situações de desigualdade que afetam particularmente esses estudantes e implementar ações para enfrentá-las.

O lançamento do edital Gestão Escolar para a Equidade – Juventude Negra é uma das formas encontradas pelas entidades para contribuir com a reversão desse quadro, selecionando e premiando projetos que promovam uma gestão escolar que, a partir do reconhecimento das desigualdades raciais, planeje, execute e monitore medidas para criar condições de equidade e valorizar a diversidade.

Organizações sociais e escolas poderão apresentar um projeto e serão considerados, na seleção, as ações que promovam o envolvimento dos jovens e da comunidade, assim como a possibilidade de serem replicadas em outras escolas. As solicitações de apoio deverão ter valor máximo de R$ 30 mil, o que não impede que o custo total do projeto seja maior e tenha financiamento de outras fontes. Os projetos deverão prever duração total de 12 meses.

Os projetos serão escolhidos por um Comitê de Seleção, formado por representantes do Fundo Baobá, do Instituto Unibanco e da UFSCar.

Prazos do Edital

Inscrições

19 de agosto a 10 de outubro de 2014

Seleção de projetos

13 de outubro a 24 de novembro de 2014

Divulgação – Resultados

25 de novembro de 2014

Formalização do apoio

26 de novembro a 15 de dezembro de 2014

Execução dos projetos

01 de janeiro a 31 de dezembro de 2015

Apresentação de relatório

Até 31 de dezembro de 2015

Assessoria de Imprensa – Instituto Unibanco:Carolina Stefanini e  Rení Tognoni

 


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