30/09/2019 às 17h58min - Atualizada em 30/09/2019 às 17h58min

Praça General Osório - Pensamentos - D. Osmunda

Por Sérgio Domingues França
Dona Osmunda artesã da Feira da Gal. Osório (Arquivo- Jornal Leopoldinense)
Ao pautarmos a Praça General Osório, com sua histórica importância, somos levados às chamadas memórias afetivas da infância, da adolescência ali vividas, se dilatando à fase adulta, quando somos aquecidos por um calor ardente, por chamas que nunca irão se apagar.
 
A praça, para alguns ou para muitos, pode significar tão somente um espaço que o general emprestou seu nome. Para nós, contudo, traduz , decodifica inexplicáveis momentos que vão triunfando sobre o tempo, se firmando mais e mais com os diários poentes, os meses e os anos que vão se sucedendo.
 
É um espaço tomado por cores -sem faltar o rubro-negro – em legítimo arco-íris, como se estivéssemos
participando continuamente de uma Copa do Mundo. São sorrisos eternos que fazem ecoar aquilo que não deixa de traduzir uma permanente comemoração. Isto, sem voarmos para Johannesburgo e determinarmos encontro na “Mandela square” que já se transformou na General Osório para todos os brasileiros que lá se encontram, conforme declaração de literatos que executam suas tarefas.
 
Tradicionalmente, cumprimos uma agenda que evoca aquelas cores, forças concorrentes que se completam, que não resistimos às luminosidades.Muito de nossa vida foi vivida na Praça General Osório. Há ,contudo, outros fatos, comportamentos, ocorrências que se acomodaram em nossa mente. Os varais esticados por D.Osmunda, coadjuvada por Terezinha Leitão, ostentando peças de um artesanato nobre,
pouco comum, davam uma tonalidade especial, um cenário raríssimo. Sem dúvida, foram peças que traduziram enriquecimento artesanal e cultural. Poderíamos, quem sabe, nos transportarmos a Orestes Barbosa e indagar se não teria eclodido dali, daqueles varais, a inspiração para a poesia “Chão de Estrelas”, que não deixou de consagrá-lo.
 
 D.Osmunda tinha muito de especial em suas criatividades no crochê. Movimento das mãos, bailar dos dedos, olhar de ternura, de alegria que simbolizaram arte, sensibilidade, fé e amor. Aos sábados, visitávamos sempre sua barraca, na feira que se instala, ali, na Praça General Osório. Quadro que nos toca profundamente, aquelas armações abrigando os mais diversos produtos de nossa terra, de nossa gente.
 
Quando a clientela nos permitia, dilatávamos o bate-papo. As agulhas do crochê não se acomodavam,
Identificavam  uma pianista utilizando os teclados, para a emissão dos sons. A ela, levava notícias de sua filha Aldenira, esposa do Jésus, funcionário da Energisa, nossos vizinhos no bairro Vale do Sol. Nas despedidas, com os votos de feliz final de semana, nos transferia sua benção materna. D.Osmunda já não mais está materialmente conosco, mas temos convicção de que continua praticando o “crochê”, expressando o olhar de ternura, com aquela força do sentimento que tanto a caracterizava.
 
Hoje, temos um novo capítulo, um capítulo especial dedicado e reservado para D.Osmunda nessa nossa enciclopédia: Praça General Osório. Tudo é uma conjugação de valores, tudo na mesma Praça.
 
Ao “pensamento”, a gratidão por tantos momentos de uma história, que também a nós pertence. Com o pensamento nunca nos encontramos sozinhos, é verdade.
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