26/02/2020 às 10h11min - Atualizada em 26/02/2020 às 10h11min

Alunos visitam bonecos gigantes e descobrem como são feitos

Bonecos surgiram também em Leopoldina no início do século XX

Alunos do Polivalente foram recebido pela Zezé que contou um pouco da história e como são feitos os bonecos
Por Luciano Baía Meneghite

Alunos dos  professores  João Portugal da Escola Municipal Cirene Valentim,Vânia Bittencourt da APAE e Thiago e Silvana da Escola Estadual Sebastião Silva Coutinho “Polivalente” estiveram conhecendo mais de perto os bonecos gigantes construídos por mim, Luciano e minha mãe, Maria José. A visita em nossa casa aconteceu dias antes do carnaval e os alunos souberam um pouco da história dos bonecos e como são construídos. Algumas fantasias doadas por Vilma Morais e Lucilia Paixão  foram  repassadas à APAE  que realizou matinê no Cutubas.

 
Alunos da APAE Leopoldina (Foto: Luciano Baía Meneghite)

Os Bonecos gigantes em Leopoldina

Há muitos anos eu ouvi minha mãe falar sobre como ela e outras crianças, lá pelas décadas de 1950/60 ficavam encantadas ao ver passar a boneca baiana do Vitalino, o carnavalesco mais popular da história de Leopoldina.

Fiquei curioso e pus na cabeça que gostaria de fazer uma réplica da Baiana do Vitalino. Infelizmente nunca consegui uma fotografia da tal boneca e quase ninguém lembrava de seus detalhes. 

Lendo publicações antigas, fui descobrindo que os bonecos gigantes faziam parte de uma tradição tão antiga no município de Leopoldina quanto em Olinda-PE. A diferença é que lá tiveram visão da importância cultural e turística dessa manifestação e aqui nunca deram o devido valor.

O tradicional Clube dos Cutubas, fundado em 1925, já apresentava em seus desfiles no início do século XX, três bonecos gigantes: o Rei, a Lourinha e a Baiana Virgulina, essa a mais famosa.  A partir da década de 1970 os bonecos foram desaparecendo do carnaval leopoldinense.  Eu não compreendia como a cidade havia deixado morrer tal tradição. Ressaltando que no distrito de Tebas, o Bloco da Baiana, hoje o mais antigo em atividade do município, mantém a tradição, apresentando bonecos gigantes, mulinhas e bois.

No final de 2002 resolvi então, junto com minha mãe, fazer um boneco do próprio Vitalino, que com problemas de saúde veio a falecer em 2003, sem participar de seu último carnaval. O boneco, porém, participou e ainda hoje, depois de várias reformas, continua desfilando.

Naquele ano, Maria Lúcia Braga, então coordenadora da Usina Cultural, hoje extinta, me convidou para colocar na rua o bloco “Gigantes da Usina” com cerca de uma dezena de bonecos, a maioria feitos por ela e alunos da APAE. O bloco infelizmente não teve continuidade. A cada ano eu com ajuda de minha mãe criava um boneco novo, melhorando a técnica e desfilando em diferentes blocos como do Pirineus, Fajardo e Só Falta Você. A ideia de montar outro bloco de bonecos continuava na minha cabeça, mas as dificuldades sempre adiavam a concretização.

Foi então que no carnaval de 2006, sem nada combinado, pouco mais de vinte pessoas que se reuniam no Bar do Dário na Cohab Velha, resolveram pedir os quatro bonecos que tinha para fazer uma brincadeira pelo bairro,  a impolgação foi tanta que demos uma volta de quilômetros por diversas ruas de Leopoldina. Numa parada no Bar do Telo, ainda na Avenida Getúlio Vargas, tive um “estalo” e pegando uma expressão debochada do açougueiro Marco “Bagaceira”, também usada pelo pintor Rubens Canastra que acompanhava o desfile, escrevi numa cartolina “Bão Igual Bosta” batizando o bloco.


O bloco Bão Igual Bosta após seu primeiro desfile em 2006. Bonecos representavam o Rei Momo Licinho, Serginho do Rock, Vitalino e um ET. (Foto: João Gabriel Baía Meneghite)

De lá pra cá, o bloco e o número de bonecos só aumenta a cada ano. Uma nova geração de foliões já cresceu tendo os bonecos na memória.

Infelizmente não temos um local adequado e com condições de segurança, para mantê-los expostos e nem mesmo uma oficina para construí-los. Tudo é feito na base do improviso e com sacrifício, mas gostamos do que fazemos.

Além dos bonecos para o carnaval fazemos outros sob encomenda como estes para exposição da Casa de Leitura e para o Festival de Viola de Piacatuba.  A base da escultura é feita no isopor, depois revestido com papel e massa corrida. (Arquivo Leopoldinense)
 
  

 
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