29/04/2020 às 10h15min - Atualizada em 29/04/2020 às 10h15min

Em meio à pandemia do coronavírus, Brasil notifica mais de 600 mil casos de dengue

Ministério da Saúde registra 221 óbitos em decorrência da doença; outros 208 estão em investigação

Repórter Thiago Marcolini/Agência do Rádio
Mesmo com o crescente número de casos da Covid-19 no Brasil, a população não pode esquecer de um velho conhecido: o mosquito Aedes aegypt. De acordo com o boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde, o Brasil registrou, até o momento, 603.951 casos prováveis de dengue. A taxa de incidência da doença é de 287,4 por 100 mil habitantes.

Em relação aos casos fatais, o Ministério da Saúde registrou 221 mortes. Outros 208 óbitos em quatro regiões do país permanecem em investigação. A taxa de letalidade por dengue foi maior entre os idosos a partir dos 60 anos, que representam 58,4% das vítimas fatais. Dentro dessa categoria, os mais acometidos foram aqueles com 80 anos ou mais.

Boa parte dos criadouros, segundo o Ministério da Saúde, está dentro das residências. “O mosquito pode completar o seu ciclo de reprodução, da eclosão do ovo até o inseto adulto, em dez dias. Então, a gente chama a população para participar efetivamente para reduzir os criadouros dentro dos domicílios”, explica o coordenador-geral em Arbovirose do Ministério da Saúde, Rodrigo Said.

Zika e chikungunya 

O mosquito Aedes aegypt também é responsável pela transmissão da Zika. Os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que, até o momento, há 2.058 casos prováveis da doença no Brasil. 

Além da dengue e da Zika, o Aedes aegypt transmite ainda o vírus da chikungunya. Segundo a pasta da Saúde, foram notificados 17.636 casos prováveis da doença no país em 2020.

“Nós estamos no início da sazonalidade de doenças respiratórias. Então é natural que a gente tenha uma sobreposição da epidemia de coronavírus, com a epidemia de influenza, com a epidemia de dengue, chikungunya, Zika”, destaca o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira. 

Dengue e Covid-19

Com a quarentena vigente em grande parte do país, os cuidados em casa com possíveis criadouros precisam ser reforçados. “O mosquito Aedes aegypt é um mosquito domiciliar. Ele fica dentro habitações, construções, galpões, locais comerciais. Com o isolamento social, as pessoas ficaram mais expostas ao mosquito”, ressalta o médico infectologista do Hospital das Forças Armadas de Brasília, Hemerson Luz.

Deve-se ficar atento também aos sintomas de cada doença. Dengue e Covid-19 tem alguns pontos em comum, como febre, fadiga e cansaço. “O que se pode diferenciar entre os dois quadros são os sintomas respiratórios, como a falta de ar, a tosse seca, a coriza, que são usualmente comuns nos casos da Covid-19”, diz o doutor Hemerson Luz.
 

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