01/05/2020 às 10h01min - Atualizada em 01/05/2020 às 10h01min

Não é verdade que vacina contra a gripe cause a doença

Organismo leva cerca de duas semanas para ficar protegido depois da injeção.

Agência do Rádio
Você, com certeza, já viu alguém reclamar que ficou doente depois que tomou vacina contra a gripe. Mas, será mesmo que, ao invés de proteger, a vacina pode deixar a pessoa gripada? A afirmação não passa de mito, afirmam os especialistas em Saúde. 

A exemplo de todos os anos, o Ministério da Saúde faz a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Algumas pessoas ficam preocupadas porque, em algum momento, tomaram a vacina e, alguns dias depois, estavam com sintomas de gripe. Como isso é possível? 

Marta Heloísa Lopes, especialista da Universidade de São Paulo (USP), diz que é impossível a vacina causar a gripe. Ela explica que os tipos de vírus presentes na composição da fórmula - que estimulam o organismo a produzir anticorpos -, estão “mortos.” 

“Isso é absolutamente mito, porque a vacina é de vírus mortos. E, além de ser de vírus mortos, os vírus são fracionados. Só há pedaços do vírus na composição da vacina. Não pode dar doença porque o vírus não está vivo, portanto, não consegue se replicar no nosso organismo.” 

Se a vacina não pode causar a gripe, como explicar o quadro gripal que aparece em muitas pessoas depois da injeção? Há muitas respostas, segundo os especialistas em Saúde. Uma delas é que, apesar de ter eficácia próxima a 70%, o organismo de alguns indivíduos não consegue desenvolver os anticorpos para evitar a doença. 

Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS), responsável por indicar a composição da vacina a cada ano, afirma que o organismo leva cerca de duas semanas para ficar protegido depois da injeção. Ou seja, é possível que, nesse intervalo, a pessoa seja infectada pelos vírus Influenza, que causam a gripe, ou por vírus que causa o resfriado. 

Marta Lopes lembra que o inverno é a época de maior circulação dos vírus que causam infecções respiratórias. E acrescenta que é comum as pessoas confundirem sintomas de gripe com os de resfriado, entre eles tosse e coriza. 

“É a época de circulação dos vírus respiratórios. No inverno as pessoas ficam mais aglomeradas e esses vírus circulam mais. Tomou a vacina, teve um quadro que pode ser causado por qualquer outro vírus, e muitos vírus causam quadro de resfriado, nariz escorrendo ou tosse, e acham que foi pela vacina.” 

A vacina da gripe é eficaz contra os três tipos de vírus Influenza mais comuns no hemisfério sul. O mais conhecido deles é o Influenza A (H1N1). Os outros são o Influenza B e o A (H3N2). A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe vai até 22 de maio e foi dividida em três etapas, priorizando os grupos mais vulneráveis.

Na primeira fase, o público-alvo foi composto por idosos com 60 anos ou mais e trabalhadores da saúde. No dia 16 de abril começaram a ser vacinados membros das forças de segurança e salvamento, doentes crônicos, caminhoneiros, motoristas e cobradores de transporte coletivo, portuários e população indígena. De 9 a 22 de maio, quando a campanha termina, é a vez de professores, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, grávidas, mães no pós-parto, pessoas com 55 anos ou mais e pessoas com deficiência.

Para mais informações sobre a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, acesse: saude.gov.br/vacinabrasil.

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