01/05/2020 às 14h15min - Atualizada em 01/05/2020 às 14h15min

Alto da Grama

Fotografia da primeira metade do ´seculo XX, gentilmente cedida por Francisco Mendonça Gama
O bairro da Grama ou Alto da Grama, surgiu em finais do século XIX nas terras da antiga Fazenda da Grama, pertencente ao alferes Bernardo José da Fonseca. Este junto com o irmão Manuel José da Fonseca (Estabelecido em São Lourenço, onde fundou a Fazenda das Moças), também estava, segundo a tradição, entre os primeiros desbravadores dessas matas.

A sede da Fazenda da Grama localizava-se aos pés da grande pedreira granítica da Serra dos Purís que posteriormente ficou conhecida como Morro do Cruzeiro.

O ponto central do bairro da Grama era conhecido por largo Professor Ângelo, depois praça Professor Ângelo. Pode-se dizer que é uma praça que existe, mas não se vê, já que o logradouro ainda mantém o mesmo nome, mas foi totalmente ocupado pelo Grupo Escolar Botelho Reis o “Grupo Novo”, cuja construção teve início em 1938, sendo inaugurado em 16 de março de 1946.


Praça Professor Angelo - primeira metade dos século XX 

(Acervo  do antigo Espaço dos Anjos de Luiz Raphael Domingues Rosa )

Professor Ângelo Lopes dos Reis foi nomeado como professor público para o sexo masculino em 1869 e formou várias gerações de leopoldinenses. Foi o fundador no bairro de uma Capela dedicada à Nossa Senhora da Piedade. Em 07 de setembro de 1922, ano do centenário da Independência do Brasil, foi lançada no local da antiga capela a pedra fundamental da atual Capela de São Pedro. Logo atrás da capela existe a sede da Sociedade São Vicente de Paulo.


Grupo Escolar Botelho Reis em construção
(Fotografia gentilmente cedida por Nilza Cantoni)

Formam ainda o bairro as ruas que saem da praça , sendo elas, a rua Manoel Lobato, popularmente chamada de “Rua da Grama” que era uma antiga estrada de tropas, rua João Gualberto que era uma sequência desta antiga estrada e antigamente chamada de "Rua do Sotéro" provavelmente por ligar ao antigo cemitério existente nas proximidades da antiga Matriz de São Sebastião., rua João Neto, rua Álvaro Bastos Freire, rua Dr. Oswaldo Vieira, rua Santa Filomena ”Caminho do Meio”. A antiga rua Sindicato Textil foi renomeada recentemente como rua José Dário Sodré, em homenagem ao fundador do sindicato. Popularmente sempre foi conhecida como “Beco do Sindicato". Há ainda a rua João Samuel e rua Juvenal Carneiro que faz ligação com o bairro Fábrica, também localizado em terras da antiga Fazenda da Grama que depois pertenceram em parte à fazenda da Floresta.


Rua Manoel Lobato - Primeira metade do século XX. 

(Fotografia de Jarbas Pereira da Silva )

Certamente por ser um bairro tradicional, num ponto central mais elevado e com aspecto bucólico, foi comparado ao bairro Santa Teresa do Rio de Janeiro, pela revista Acaiaca de 1954 sobre o centenário de Leopoldina.

Ali, defronte ao Grupo Novo existiu por muitos anos a torrefação do Café Emma do Sr. Ary Cunha, depois transferida para o bairro São Cristovão e a Casa Emma, tradicional loja de armarinho e variedades fundada por Raphael Iennaco, com nome que homenageava sua filha Emma Iennaco . Funcionou até os primeiros anos desta década de 10 do século XXI.


Rua Manoel Lobato ainda é conhecida como "Rua da Grama" 
(Foto: Luciano Baía Meneghite- 22/04/2009)


Na Rua da Grama, por iniciativa do Dr. Gabriel de Paula Almeida Magalhães foi fundada em 08/081896 a primeira sede da Casa de Caridade Leopoldinense, muito provavelmente no casarão em que hoje funciona a escola Apogeu Novo Horizonte. Na mesma rua foi instalada a Igreja Metodista em 25 de março de 1895 na residência de descendentes de Tiradentes , o mártir da Inconfidência Mineira. Um de seus membros mais conhecidos foi a professora e organista da igreja Carmem da Silva Xavier , nascida no distrito de Tebas em 15 de janeiro de 1890 e falecida aos 111 anos de idade em 11 de fevereiro de 2001 . Na década de 80 foi criado junto à igreja a escola Instituto Metodista Arca de Noé.


Mesmo com algumas construções que fogem ao padrão, antigas edificações ainda resistem ao tempo, como a antiga "Casa Emma" ao fundo na imagem.
(Foto: Luciano Baía Meneghite - 24/06/2019)

Em 03 de junho de 1906 foi inaugurado na mesma rua, o Centro Espírita Amor ao Próximo e em 03/06/1950 foi inaugurado o "Albergue Noturno Major Zeferino", administrado pelo Centro Espírita, com entrada pela rua Santa Filomena.


Capela de São Pedro 
(Foto: Luciano Baía Meneghite- 23/04/2009)

Já em julho de 1989 foi instalada na rua João Gualberto a Rádio Cidade Leopoldina FM 104,3 FM, emissora que pertencia ao deputado Sérgio Naya. Na mesma rua existiu um prostibulo.

Originalmente formado por classes mais populares, hoje o bairro é ocupado predominantemente por residências de classe média. A Grama conta ainda com alguns pequenos estabelecimentos comerciais e mantém ainda uma certa tranquilidade.

(Foto: Luciano Baía Meneghite)
Fontes pesquisadas:
Leopoldina de Outrora – Luiz Eugênio Botelho – 1963
Revista Acaiaca – Centenário de Leopoldina - 1954
Nossas Ruas, Nossa Gente – José Luiz Machado Rodrigues e Nilza Cantoni - 2004
Arquivos da Gazeta de Leopoldina, Leopoldinense e Câmara Municipal de Leopoldina

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