30/08/2014 às 13h11min - Atualizada em 30/08/2014 às 13h11min

Zona da Mata une café com cachaça

Roteiro de viagem inclui visita a três propriedades que exploram os dois produtos

Diário do Comércio
Roteiro turístico da permite o turista conhecer todos os processos produtivos artesanais do café e da cachaça.

O copo é quase sempre pequeno, a dose tem que ser na medida certa. O corpo esquenta a cada gole. Café e cachaça são bebidas tipicamente brasileiras. Tomar uma xícara de café ao acordar ou após o almoço é prática comum de muitos brasileiros. Alguns, também, não deixam de degustar uma dose de cachaça antes das refeições para apurar o paladar.

Agora, as bebidas andam juntas em um roteiro de turismo rural pelo Sudeste de Minas Gerais. Denominado Café com Cachaça, o passeio reserva aos visitantes a oportunidade de conhecerem os processos produtivos artesanais das duas bebidas, produzidas por agricultores familiares, além de degustarem produtos premiados.

O programa pode durar um ou dois dias e passa por três municípios mineiros: Viçosa, Arapongas e Guaraciaba, na Zona da Mata. "Minas Gerais é a capital da gastronomia e dois produtos importantes do Estado são o café e a cachaça, que já vêm sendo premiados há tempos. Então, unimos esses dois elementos e estamos trabalhando para os visitantes terem um conhecimento mais técnico de produtos trabalhados e de alta qualidade", conta Renato Cardoso, coordenador do Roteiro Café com Cachaça.

Segundo o diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Onaur Ruano, a produção familiar é um atrativo turístico que valoriza a regionalidade local. "As atividades produtivas da propriedade familiar são atrativas porque mostram as vivências no campo, assim, o turista interage com todo processo e contribui na geração de renda e agregação de valor dos produtos e serviços da agricultura familiar", avalia.

Há duas formas de se fazer o passeio. O roteiro de um dia custa R$ 120 e o de dois dias sai por R$ 350, por pessoa, já inclusos hospedagem e alimentação. O grupo, de no mínimo oito pessoas, sai de Viçosa ou de Guaraciaba e passa por três propriedades da agricultura familiar, além do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro. Os interessados podem encontrar mais informações no site http://www.serrasdeminas.org.br/.

Melhor - Certificado há oito anos para produzir café orgânico, o agricultor familiar Edmar Lopes cultiva o produto a mais de 1.572 metros de altitude, o que influencia nas características de aroma da bebida. O resultado do trabalho são os prêmios: a família já ganhou por duas vezes a comenda de melhor café do Estado.

Edmar recebe pelo menos 20 visitantes por mês em sua propriedade, o Sítio Cantinho da Saudade, que fica no município de Arapongas. Ele explica que as visitas são pedagógicas e detalha como são os passeios. "Nós mostramos desde o princípio da produção. Como é uma propriedade orgânica, como é o manejo do solo, depois levamos os visitantes para a seleção do café, o torrador, a secagem. Eles passam a conhecer todo o processo", afirma.

A produção total de café do sítio varia entre duas e três toneladas por ano. A maior parte da venda é feita via cooperativa, mas o objetivo é aumentar a venda nas visitas. "Hoje eu vendo uns 10% do café produzido nas visitas à propriedade. Nosso objetivo é dobrar esse número com o Roteiro Café com Cachaça", acrescenta o produtor.

Cachaça - O agricultor familiar José Maria Santana Júnior deu segmento ao trabalho começado pelo pai na Cachaçaria Guaraciaba. Os 400 mil litros de cachaça artesanal são produzidos na Fazenda Independência, em Guaraciaba. Os 300 visitantes anuais vão à propriedade da agricultura familiar para saber como é feita a cachaça.

"Nós trabalhamos com a colheita da cana sem queima, a nossa fermentação é natural, a destilação é feita em alambiques de panela e fracionada - nós separamos a cabeça e a cauda, e só engarrafamos o coração da cachaça, que é a parte boa do produto", detalha Júnior, que é como gosta de ser chamado.

O cuidado com o produto rende bons frutos e prêmios. "Já ganhamos várias premiações. Ganhamos, nesse ano, duas premiações na Expocachaça, ficamos entre as cinco melhores cachaças amarelas no Brasil, e já fomos premiados com o segundo lugar. Então, é um produto de qualidade", assegura o produtor.

Como chegar - Saindo de Belo Horizonte, pegar a BR-356 - sentido Ouro Preto - seguir, então, para Ponte Nova e para Guaraciaba, ponto inicial do roteiro. Para circular pelo roteiro, recomenda-se dispor de um veículo de passeio ou contratar um serviço de turismo receptivo.

 


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