19/05/2020 às 13h49min - Atualizada em 19/05/2020 às 13h59min

Sistema prisional mineiro produz 1 milhão de máscaras de proteção à covid-19

Itens foram destinados às forças de Segurança, aos profissionais de Saúde, entre outros

SEGOV - Governo de Minas - Central de Imprensa
Divulgação/Sejusp
O sistema prisional mineiro alcançou a produção de 1 milhão de máscaras de proteção contra a covid-19. Os equipamentos de proteção, produzidos por detentos de diversas regiões de Minas, são distribuídos prioritariamente para as forças de Segurança e também para hospitais, asilos e servidores municipais de algumas cidades que fecharam parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

 
Atualmente, 36 presídios e penitenciárias estão envolvidos no processo, com linhas de produção montadas e 400 presos treinados e trabalhando sete dias por semana na confecção das máscaras, divididos em turnos. A produção já alcançou mais de 43 mil equipamentos de proteção por dia, o que significa praticamente o dobro da meta de 22 mil itens diários inicialmente estipulada pelo Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG). O trabalho começou em 6 de abril, em escala crescente de aumento de unidades prisionais envolvidas e detentos capacitados.

O Presídio de Caxambu, na região Sul de Minas, é o maior do Estado em produção de máscaras. Na unidade, 31 detentas já finalizaram 112.850 equipamentos de proteção. Isso porque, divididas em turnos, garantem o funcionamento da unidade fabril das 6h às 23h. São mulheres que já atuavam em uma oficina de confecção de camisetas masculinas e uniformes do sistema prisional, e que agora, durante a pandemia, se dedicam integralmente à produção de máscaras.

Em segundo lugar, está o Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com a produção de 98.200 itens. Na unidade, 23 presos têm uma produção diária de 3.200 equipamentos, que seguem para as forças de Segurança e para o Executivo municipal. Em Neves, a prefeitura contribui com insumos, reforçando o material disponibilizado pela Sejusp.

http://www.agenciaminas.mg.gov.br/ckeditor_assets/pictures/8265/content_producao_de_mascaras_depen-mg_chega_a_1_milhao.jpeg

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Além de quem recebe os equipamentos de proteção, também são beneficiados os que estão na linha de produção. Para os presos incluídos na tarefa, além da oportunidade de ressocialização e capacitação profissional por meio da colaboração com a saúde pública, há a vantagem da remição de pena pelos serviços prestados. Três dias em exercício significam um a menos na condenação.

Matéria-prima 

Para a produção das máscaras, o Governo de Minas adquiriu 165 mil metros de TNT. Essa matéria-prima foi dividida entre as unidades fabris, que receberam também tecidos de algodão para a produção de máscaras laváveis. A confecção dos itens reutilizáveis começou no final de abril, com a doação de 34,4 mil metros pela empresa Cedro Cachoeira. Atualmente, são 13,5 mil máscaras de tecido produzidas e já doadas. 

A previsão é de ampliar a confecção de máscaras laváveis, com a aquisição de 10,4 mil metros de tecido pela Sejusp. A pasta também já trabalha na compra de outros 250 mil metros de TNT, considerando o bom desempenho da produção no sistema prisional e também no socioeducativo (com cerca de 6 mil máscaras feitas para uso do próprio sistema).

Parceria com prefeituras

Quatro municípios fecharam parcerias com o Depen-MG para a produção de máscaras para seus servidores. A maior parte do material é destinada a hospitais e profissionais da rede de Saúde local. Na parceria, o departamento entra com a mão de obra e o Executivo municipal contribui com a compra de insumos. As cidades com o projeto em andamento são Ribeirão das Neves, Carmo do Paranaíba, Uberlândia e Montes Claros.

Avaliação

O diretor de Trabalho e Produção do Depen-MG, Paulo Duarte, lembra que foram necessárias organização e sinergia para se chegar ao avanço na produção de máscaras pelo sistema prisional em Minas Gerais. Paulo afirma que os primeiros momentos foram de aprendizagem e destaca também o papel de um interno do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na RMBH, que atuou como multiplicador da técnica de confecção dos equipamentos de proteção para outras unidades. 

O detento Sérgio Lages aprendeu a costurar profissionalmente dentro do sistema, em um curso do Sesc, há 16 anos. "Com autorização judicial, levamos o sentenciado para dar treinamento a outros presos. Para o interior, como seria impossibilitado o deslocamento, gravamos um passo a passo da produção", explica o diretor.

O diretor-geral do Departamento Penitenciário de Minas Gerais, Rodrigo Machado, destaca o trabalho dos profissionais que atuam diretamente com os presos. “Meus agradecimentos a diretores regionais, diretores de unidades prisionais e policiais penais, que garantiram disciplina e ordem nas unidades para execução da tarefa, e também aos demais profissionais envolvidos com o processo de produção”. De acordo com o diretor-geral, ao praticamente dobrar a meta inicial prevista, de 22 mil máscaras por dia, o sistema prisional mostra que há condições de se investir em outras produções fabris que deem sustentabilidade para o Depen-MG, como a confecção de uniformes.
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