12/08/2020 às 09h27min - Atualizada em 12/08/2020 às 09h27min

Jorge da Mina foi escutar música no céu

Figura folclórica da Taboquinha morreu nesta quarta-feira 12/08

Jorge gostava de mostrar seus antigos discos de vinil (Foto: Luciano Baía Meneghite - 31/07/2019)
Leopoldina amanheceu nesta quarta-feira, 12 de agosto com a notícia do falecimento mais uma de suas figuras populares. Jorge da Mina aos 69 anos. A causa da morte ainda não foi divulgada.
 
Em 16 de agosto de 2019 o jornal Leopoldinense publicou a seguinte matéria sobre ele:

Por Luciano Baía Meneghite

 
Quem ao passar pela rua Dom Aristides ao lado da mina d’água da Taboquinha não teve sua atenção chamada pelo personagem em destaque? Ali numa casa simples mora Jorge Antônio dos Santos, 68 anos.

Negro alto e corpulento com andar meio arrastado, está sempre pelas redondezas a puxar conversa com conhecidos ou na calçada em frente de casa cuidando de seus trens, lavando roupas, vasilhas e quase sempre escutando músicas na maior altura.

Nasceu em Laranjeiras no Rio de Janeiro em 23 de abril de 1951 segundo uma carteirinha meio apagada. Por lá era conhecido como “Pelé de Nova Iguaçu”. Pouco se sabe sobre sua infância e juventude.  Veio para Leopoldina, origem de sua família, há mais de 30 anos.  Nos fundos do terreno moram alguns parentes, com os quais, segundo ele, não tem muito contato, mas sem entrar em detalhes. Com ele moraria apenas um sobrinho. 
 
Como se estivesse falando na rádio que ouve na manhã em que nos parou para conversar, Jorge pede para mandar um abraço à sua irmã Iracema e a amigos de Comendador Soares em Nova Iguaçu. Aproveita o espaço no jornal Leopoldinense pra anunciar seu “casamento” com sua nova amada, Cristina. Seria uma espécie de imaginária Dulcinéia de Dom Quixote? Não sei.  

Há alguns anos publicamos seu pedido de ajuda para reformar a casa e recentemente ela veio através de uma voluntária. Jorge mostra um monte de roupas que recebeu e pretende doar.  Posa para fotos com alguns discos de vinil, mas estes já não chiam há algum tempo. “Tá sem agulha”, diz apontando pra um antigo Três em um. No rádio toca um desses "sertanojos", mas vou embora lembrando os Mutantes: “Mas louco é quem me diz... que não é feliz... Não é feliz.” Jorge, aos trancos e barrancos parece que é. Ou tenta ser.

 

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