30/08/2020 às 09h42min - Atualizada em 30/08/2020 às 09h42min

A gloriosa piscina do Brasília Country Clube

Esta é a história de como a piscina do Brasília Country Clube foi azulejada e os vestiários construídos, segundo Décio Fontanella (*)

A piscina principal era enorme, funda, verdadeiramente linda. Se hoje impressiona, imagina você naquela época
Por Décio Fontanella 

Naquela época eu trabalhava no Banco Ribeiro Junqueira já fazia mais de 10 anos, comecei em 1948, e esta história que eu vou contar foi no começo dos anos 1960.
 
Eu resolvi comprar um botequim na Rua Presidente Carlos Luz, a uns 100 metros da casa do meu sogro, Luiz Barcellos. O botequim já estava montado e o que mais me animou foi que ali tinha uma máquina de fazer sorvete e picolé. Eu saía do banco entre 4 e 5 horas da tarde e ia para lá fazer picolés de frutas e de leite para vender na vizinhança. Para dar vazão, uns rapazes com suas carriolas vinham buscá-los de manhã e vendiam durante o dia. Então eu tive a ideia de começar vender picolés no clube Brasília. Já existia um quadro de sócios na época e o clube ficava movimentado, principalmente aos sábados e domingos, quando as famílias vinham com as crianças nadar e traziam suas comidinhas e bebidas porque ali ainda não tinha um bar ou restaurante, como tem hoje. Eu punha minha carriola de sorvete em cima de uma caminhonete velhinha, mais uns engradados de cerveja, e ia para o clube. Foi assim que montei o primeiro bar do Brasília.


 A piscina 
tem mais ou menos 40 × 40 metros, e na parte mais funda chega a ter uns três metros de profundidade.

Se hoje aquela piscina impressiona, imagina você naquela época? 
 
Duas coisas atraíam os sócios para lá: o campo de futebol e as piscinas, que eram realmente impressionantes. A piscina principal era enorme, funda, verdadeiramente linda. Se hoje impressiona, imagina você naquela época? Tinha sido construída pela família do doutor Joaquim Junqueira, uns 15 ou 20 anos antes. A piscina é gigantesca, tem mais ou menos 40 × 40 metros, e na parte mais funda chega a ter uns três metros de profundidade. Só tinha um problema: a piscina era cimentada. Perceba que era o começo da década de 1960, a modernidade estava chegando e ela precisava de uma modernização. Tinha de ser azulejada. A piscina principal é gigantesca, tem mais ou menos 40 × 40 metros, e na parte mais funda chega a ter uns três metros de profundidade. E tinha também a piscina infantil, com uns 50 centímetros de profundidade e uns 20 metros quadrados. Agora calcula a quantidade de azulejos que seriam necessários. Mais a mão de obra. O dinheiro na época era curto. A gente precisava de um plano arrojado para conseguir azulejar.

Vista aérea do Brasília Country Clube (Foto: João Gabriel Baía Meneghite)
 
O presidente da Brasília era o doutor Durval Bastos, que me deu carta branca para o projeto.
 
O presidente da Brasília era o doutor Durval Bastos, dono da farmácia perto do Clube Leopoldina. Eu expliquei a ele a minha ideia para arrecadar dinheiro para o projeto e ele me deu carta branca. Fui em frente e implementei o plano. A ideia era a seguinte: fazer uma rifa de um carro. Sim, um carro! O plano era audacioso. O carro era um Fusca zero que custava Cr$ 7.000,00 (sete mil cruzeiros). Arranjei tudo com o Olinto Ribeiro Guedes, sobrinho do bispo, da família Guedes, que tinha montado a Volks de Leopoldina. Primeiro eu venderia as rifas e com o dinheiro eu compraria o carro e com o lucro azulejaria as piscinas.
 
O plano era perfeito. E FOI perfeito!
 
Eu vendi 1000 números de rifa. Os sócios não me ajudaram a vender, mas todos compraram números, com exceção de um sócio que frequentava muito o clube com os filhos, mas este foi o único que não comprou. Dois dias antes de rolar a rifa já estava tudo vendido, não tinha mais número de rifa para vender. Foi um sucesso arrebatador. A rifa deu um lucro de Cr$ 11.000,00. Isto mesmo, vendi Cr$ 18.000,00 em rifa!
 
Foi um rapaz de Argirita que ganhou o carro. Um Fusca cinza zerinho. No dia da entrega da chave houve uma grande festa, foi uma alegria: os sócios jogaram o rapaz e a mim dentro da piscina!
 
As obras correram rapidamente porque Cr$ 11.000,00 era muito dinheiro. Só de azulejo foram uns 3.500 metros quadrados. Desculpa agora que eu não me lembro quem foi que comprou para mim os azulejos em Juiz de Fora, mas me lembro perfeitamente que foi o Joaquim Pacheco com a sua turma que trabalhou na obra. O lucro foi tão bom que não só azulejamos as duas piscinas como construímos e azulejamos os dois vestiários que não existiam até então. O trabalho do Joaquim Pacheco foi tão bem-feito que a obra está lá até hoje, 60 anos depois.
 
A festa de inauguração das piscinas azulejadas e do vestiário foi muito linda. Eu me lembro que estavam lá o Durval Bastos, Olinto Ribeiro Guedes, Dalmo Bastos, os Maranha, meu irmão Arlindo Fontanella, Zé Nelson Junqueira, meu sogro Luiz Barcellos.
 
Foi assim que as piscinas do Brasília Country Clube passaram de impressionantes para espetaculares! Meus quatro filhos aproveitaram tanto aquelas piscinas nas férias de verão quando vínhamos de São Paulo para visitar meus sogros! Eles aprenderam a nadar no Brasília e passaram dias maravilhosos ali. E muitas outras crianças e famílias aproveitaram e ainda aproveitam daquelas maravilhas de piscinas!
 






(*) Décio Fontanella nasceu 1935 na Fazenda Pensilvânia, em Leopoldina, onde viveu até 1968, quando se mudou para São Paulo. Hoje vive com a família em Mogi Mirim, SP.
 
 
 
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