19/09/2020 às 07h58min - Atualizada em 19/09/2020 às 07h58min

Leopoldinense pioneiro da TV no Brasil segue ignorado em sua cidade natal

Olavo Bastos Freire é pouco reconhecido no Brasil como realizador da primeira transmissão televisiva

Luciano Baía Meneghite
Foto: Jorge Curi - Reprodução Juiz de Fora da Depressão
Esta semana estamos assistindo as emissoras de TV rememorar os 70 anos da  inauguração da Televisão  no Brasil. A TV Tupi, primeiro canal comercial da América Latina foi ao ar em 18 de setembro de 1950.  A primeira transmissão de TV, porém, é pouco lembrada e  ocorreu dois anos antes, em Juiz de Fora.

O velho e surrado ditado “Santo de casa não faz milagre” infelizmente ainda faz muito sentido em Leopoldina. Embora o tal “milagre” da primeira transmissão televisiva no Brasil tenha ocorrido em JF, seu realizador nasceu e criou-se em Leopoldina. 

Há alguns anos  o jornal Leopoldinense relembrou através dos poucos registros existentes a história do técnico em eletrônica e inventor Olavo Bastos Freire.

Salvo alguns poucos orgãos de imprensa, principalmente de Juiz de Fora, pouco se fala desse fato histórico no Brasil.

Leopoldina que já homenageou com títulos, medalhas ou nomes de logradouros e prédios públicos algumas figuras sem qualquer ligação com o municipio, relega ao esquecimento outros nomes, como de Olavo Bastos Freire, falecido em 2005.

Os equipamentos construidos por ele, hoje pertencentes ao acervo da Funalfa em Juiz de Fora, poderiam se houvesse interesse, fazer parte, quem sabe, de uma exposição temporária em Leopoldina.

Relembrando a história


Olavo
(Marcado ao centro) e colegas da TV Paranaense
(Reprodução TV Paranaense)

Natural de Leopoldina, nascido em 29 de dezembro de 1915, Olavo Bastos Freire iniciou seus estudos em sua cidade natal, onde também começou a se interessar por rádios. Em 1935 mudou-se para Juiz de Fora, onde trabalhou até 1938, em diversas atividades, como engarrafador em uma fábrica de bebidas, e auxiliar de engenheiro em medições de terreno, no Departamento de Obras da Prefeitura. Neste período, como autodidata, iniciou seus estudos sobre rádios, até se empregar na firma A. Villela & Andrade (depois Casa do Rádio) como técnico, em 1938. Em 1936, quando a BBC de Londres lançou a televisão para o público, Olavo também interessou-se pelo assunto, e começou a estudar a matéria.

Em novembro de 1940 desligou-se da Casa do Rádio e abriu uma oficina de conserto de rádios. No ano seguinte construiu o primeiro osciloscópio, com tubo de raios catódicos, conjugado com monitor de TV em circuito fechado, no Brasil. Em 1946 adquiriu, no Rio de Janeiro, um iconoscópio RCA 1847 (o olho da televisão), iniciando a construção da sua câmera de TV experimental, tendo terminado em dezembro do mesmo ano. Foi quando conseguiu obter a primeira imagem no monitor, da própria câmera.

Em 1947 iniciou a construção do receptor da TV com tela de três polegadas, que ficou pronto no meio do mesmo ano, quando iniciou também a construção do transmissor de televisão, para funcionar na freqüência de 114,7 MHz, terminando em dezembro. Em agosto de 1947 conseguiu transmitir uma imagem pela TV em circuito fechado, a curta distância, e no fim desse mesmo ano conseguiu, pela primeira vez, transmitir uma imagem pela TV em circuito aberto, a curta distância, entre sua oficina, na Rua Marechal Deodoro 373, e a casa de Ademar Fernandes Ribeiro, na mesma rua, no número 368.

No dia 10 de abril de 1948 realizou a primeira transmissão de imagem pela TV, em circuito aberto, entre rádio-amadores no Brasil. Essa transmissão foi feita da Rua Marechal Deodoro 373, com Olavo Bastos, Aloísio Cavalcante Albuquerque – PY4FI - e Roberto Thielmann – PY4FQ, para a residência de Homero Fontes – PY4CB - na Rua Delfim Moreira 248. As experiências culminaram no dia 28 de setembro de 1948, na primeira transmissão e demonstração oficial de televisão totalmente eletrônica e em circuito aberto no Brasil, com a presença do então prefeito Dilermando Cruz e do general Demerval Peixoto, entre outras autoridades e convidados.

Quando Seu Olavo saiu de Juiz de Fora foi para o Sul, onde conheceu os profissionais da Rádio Paranaense. Daí surgiu a oportunidade e a idéia de ingressarem no ramo televisivo. Mas Olavo não se desfez de sua invenção e levou-a para a TV Paranaense.

Segundo relato de Elmo Francfort Ankerkrone, Olavo chegou a ficar um mês inteiro fazendo um aparelhinho para ligar o transmissor da TV.

Poderia ser considerado o primeiro "controle-remoto" do mundo ou talvez o primeiro e único controle-remoto de ligar um transmissor de televisão.

Ainda de acordo com relato do escritor Renato Mazanek, Olavo criou um sintetizador sonoro, que emitia notinhas (1, 80m de altura e 70 cm de largura) Era um protótipo de um teclado no qual teria composto um samba.

“Por um bom tempo, as listas telefônicas de Curitiba estampavam a história de Olavo Bastos Freire no verso de suas capas. Pelo menos assim preservaram a memória deste grande inventor brasileiro. Seu Olavo não tinha nem dinheiro direito para fazer suas invenções, muito menos para registrá-las. Mas era alguém que merecia ter seus eventos registrados de graça. Ele é para televisão o que o Padre Roberto Landell de Moura foi para rádio. Só que Landell de Moura registrou a rádio, dando sérios problemas com Guglielmo Marconi por causa disso. Quem dera se Olavo tivesse todas as homenagens que merecia...E merece!”

Olavo Bastos Freire faleceu em abril de 2005

Clique no link abaixo e assista 
 

A Luz Fragmentária de Olavo

de Rogério Terra Jr.

Fontes: Funalfa, Redtc, Museu da TV

Leia também:  
A Televisão em Leopoldina
 
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