15/09/2014 às 14h15min - Atualizada em 15/09/2014 às 14h15min

Mulher de Tarcísio prefere não se envolver com política

Amália Goulart
Hoje em Dia
Tarcísio com a esposa Aloysa, que prefere ficar em Juiz de Fora do que se envolver com a campanha ( Divulgação )
São tantos anos de casamento que ela nem se lembra ao certo. “Casei em 61, são cinquenta e tantos anos”. Aloysa Rosa Delgado prefere ser chamada de Dona Isa. É esposa do candidato ao governo de Minas Gerais, Tarcísio Delgado (PSB). Dona Isa está sempre bem humorada.
 
Aos 73 anos conta que sempre foi dona de casa. “Antigamente as mulheres foram feitas para serem donas de casa”, explica. Mãe de cinco filhos e 12 netos, ela mora sozinha em Juiz de Fora, cidade de 546 mil habitantes. Tem a companhia do marido, mas, com a campanha eleitoral, está solitária. Tem uma funcionária que ajuda com os afazeres domésticos, mas vai embora por volta das 17h. Não vê a hora do período eleitoral chegar ao fim, para ter o marido de volta. Para Dona Isa, com 3% das intenções de voto, “o negócio está difícil” para o marido.
 
Dona Isa leva uma vida simples e pacata. Gosta de ver filmes – de ficção e infantil – e detesta ir para a “roça”, passatempo preferido do marido. 
 
 
Política
 
Ela não é daquelas senhoras que gosta muito de discutir sobre política. Ironia do destino, um de seus cinco filhos é o deputado federal Júlio Delgado. O marido já foi prefeito de Juiz de Fora por três vezes. Período em que Dona Isa se recorda com nostalgia. 
Para ela, ele foi o melhor prefeito. E o povo pede para Tarcísio voltar, segundo a esposa. A maior preocupação de Dona Isa é com as viagens do filho, candidato à reeleição, e do marido. Após a morte do candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, ela fica ansiosa com as andanças de Tarcísio e Júlio. “Toda vez que eles vão viajar fico preocupada. Eu ligo para o Júlio para dizer: meu filho vai com deus, te liguei para te abençoar”, conta.
 
Dona Isa também é tímida. Ficou um pouco constrangida em dar entrevista. Gosta mesmo de conversar com os amigos que têm em Juiz de Fora.
 
 
Minientrevista
 
Como tem sido a vida com a campanha eleitoral? 
Terrível. Fico muito sozinha. Os meus filhos não moram aqui. Fico praticamente só. É angustiante. Quando a campanha é aqui, é bom. Você se envolve e tudo mais. Quando é fora, n ão dá para se envolver. Nem se pudesse eu ia me envolver.
A senhora é casada há quanto tempo?
Bota casada aí. Casei em 61. Tem cinquenta e tantos anos de casamento. Tenho cinco filhos.
 
Todos políticos?
Só um político
 
Gosta de política?
Eu sofro com política. Fico preocupada. 
 
Com o desgaste?
O desgaste, esse negócio de vai e vem. As pessoas ficam muito expostas, vulneráveis. Você viu o que aconteceu ao Eduardo. É muito triste, principalmente para uma mãe. Eu não queria estar no lugar dela (mãe do Eduardo Campos).
 
A senhora fica muito preocupada?
Toda vez que eles vão viajar fico preocupada. Eu ligo para o Júlio para dizer: meu filho vai com Deus, te liguei para te abençoar. 
 
Tarcísio viaja muito de avião? 
Tarcísio viaja de avião. Eu nem sei para te falar a verdade. A pessoa fica vulnerável mesmo. Só a proteção de Deus. Não digo que a proteção de Deus não estava com Eduardo . Ele não morreu atoa, morreu para o Brasil acordar. Pode escrever isso: para o Brasil acordar
 
Antes de Tarcísio ser candidato como era a vida?
Estávamos sozinhos, os filhos fora. Aí, vamos para o sítio. Eu não gosto de roça. Tenho horror. Vou de dia, anoiteceu fico doida. Acho triste a roça. Você fica sozinha. Não gosto de ficar sozinha. Não nasci sozinha. Sou gêmea. Nasci acompanhada. 
 
Por que o seu marido deve ser governador?
Vai ser difícil ele ser, né! O negocio está meio feio para o lado dele. Mas, o que ele fez por Juiz de Fora ninguém fez. Ele foi prefeito por três vezes. A cidade era linda, alegre e feliz. Não tinha menino na rua. Ele fez a casa do pequeno jardineiro. Ensinava trabalho para as crianças lá. Depois as firmas contratavam essas pessoas. Já saia empregado. Ele recolheu as meninas de rua. Elas aprendiam balé, você precisava de ver a sala de balé. Ele dizia: elas aprendem a amar isso e aprende que tem condição de ter uma casa assim. Ele fez muito. Fizeram a casa da cidadania. As pessoas trabalhavam um certo tempo, tinha meio salário e ficava lá. Nem tinha assalto como tem hoje. A cidade era feliz. E o povo não sabia. Eles criticavam e agora dizem : Tarcísio você precisa voltar. 
 
A senhora fica sozinha em casa?
Tenho uma funcionária que fica até uma certa hora. Até umas cinco horas. Agora estou com um neto de Botucatu que está ajudando na campanha do Júlio e do Tarcísio.
 
A senhora trabalha?
Trabalhava, mas casei cedo. Antigamente as mulheres eram feitas para serem donas de casa. Eu era dona de casa. Tenho 12 netos. Moram todos fora. Dos meus filhos, uma mora em Florianópolis, outro em Piracicaba, Botucatu, um em Brasília e o Júlio que fica aqui e em Brasília. Ele vem só no final de semana. Aqui só tenho um neto Vinícius, filho do Júlio. O Artur na época de campanha. Acabou a campanha vão embora.
 
A senhora não pensa em morar em outro lugar?
Acho que quero morar com algum filho, mas conheço todo mundo aqui, os motoboys que me atendem, já estou mais velha.
 
A senhora é muito alegre?
A minha vida é na Igreja, participando das coisas da Igreja. Sou evangélica Metodista. Essa igreja maravilhosa, tem sido legal. Sou vice-presidente das mulheres metodistas da minha cidade.
 
Gosta de ver televisão?
Gosto muito de filme. Sou apaixonada por filme. Tarcísio diz que eu devia ser crítica de cinema. Não tem um filme que eu não tenha visto. Não gosto muito de antigo. Gosto de filme de efeito especial. Sou mais moderna. 
 
Tem cinema aí?
Tem, a cidade é maravilhosa. Chegou a ser a segunda de Minas, quando Tarcísio era prefeito. 
 
E de que filme mais gosta?
Se eu te contar o que gosto vai ficar espantada. Gosto mesmo de filme infantil, amo. Enrolados. Sabe? (risos)

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