17/09/2014 às 18h40min - Atualizada em 17/09/2014 às 18h40min

Patrimônio, poluição e eleição

Natania Nogueira(*)

O que eu vou dizer aqui não é novidade para ninguém: em tempo de eleição, a poluição aumenta. E não é apenas a poluição visual, mas também a sonora e o lixo que se acumula nas ruas, resultado de panfletos atirados a esmo ou jogados fora pelas pessoas que os recebem. Como do meu blog sabem, eu moro no interior. Em uma cidade pequena as pessoas sofrem um impacto menor deste tipo de poluição. Menor, mas não ausente. 

O que mais me irrita, pelo menos aqui, é a poluição sonora. Eu leciono na periferia e sou constantemente incomodada com o barulho de carros de som, quem muitas vezes não respeitam escolas, igrejas ou hospitais. Acho um absurdo!  Imagino que esses carros de som sejam até multados, mas parece que isso não faz efeito. O que também me preocupa, pois o partido e/ou o candidato não se importam em infligir a lei.

Estou constantemente me deslocando para outras cidades maiores, para estudar ou participar de congressos. No Rio de Janeiro e Niterói eu vejo a poluição visual ocupar um espaço maior e o lixo se acumular nas áreas de maior circulação de pessoas. Bandeiras sendo balançadas nas esquinas são um obstáculo a mais para o pedestre. Mas o que mais me incomodou esses dias foi ver as áreas de preservação histórica, onde normalmente turistas fazem visitação sendo tomadas pela propaganda política.

Estive na semana passada em Porto Alegre e precisei ter muito jogo de cintura para tentar tirar uma foto da praça do mercado público sem incluir nela a propaganda eleitoral. Espantou-me, também, a sujeira que se acumulava no local, fruto da distribuição de panfletos. Vou ser sincera: tirou pelo menos metade da graça do passeio.

Não podemos ter uma eleição limpa?

Não podemos respeitar o patrimônio público?

Não podemos respeitar as pessoas?

Não são esses mesmo políticos que prometem revolucionar a sociedade, com mais educação, com valorização da cultura e das artes?

Não é minha intenção fazer um texto político (embora não tenha como escapar disso) ou criticar esse ou aquele candidato. O que eu quero é chamar a atenção para o fato de que a educação patrimonial deve fazer parte das campanhas eleitorais, sejam elas federais, estaduais ou municipais. Que o respeito ao patrimônio público e ao cidadão deve começar no momento que uma pessoa se acha apta a evocar o direito de se candidatar a um cargo público, seja em Leopoldina, Rio de Janeiro ou em Porto Alegre.

Posso estar falando uma asneira enorme, mas acho que a reforma política de que tanto se fala tinha que começar educando os candidatos que pretendem representar o povo e o nosso país. Dessa educação deve fazer parte o respeito ao patrimônio público. Soa um desejo utópico, eu sei, mas tudo que hoje é concreto surgiu de um sonho, não é mesmo?

(*) Professora, pesquisadora e historiadora. Membro da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.


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