26/06/2021 às 12h48min - Atualizada em 26/06/2021 às 12h48min

Municipal Henge - O Espetáculo da Rua Municipal

Registro fotográfico feito por Luciana Neder no pôr do sol em Leopoldina, no dia 17 de junho de 2021.

Por Roberto Maximiano Pereira e Ludmilson Abritta Mendes (*)
O sol é a principal fonte de energia para o nosso planeta. Ilumina, aquece, desencadeia reações essenciais para a existência dos seres vivos. Desde muito cedo influenciou a cultura de vários povos, determinando até nosso calendário. Em diferentes civilizações, construções foram erguidas aproveitando o movimento do astro-rei para criar efeitos que, em tempos antigos, despertavam a ligação com o divino e, hoje, encantam nosso olhar. 

Façamos um exercício de suposição: imagine que Leopoldina fosse palco de um espetáculo parecido com o que acontece nas ruas de Manhattan, em Nova Iorque, chamado Manhattanhenge em alusão ao alinhamento do sol em relação ao monumento Stonehenge, na Inglaterra. Suponhamos que, como em Manhattan, isso ocorresse também 2 vezes por ano. Mas, diferentemente de Nova Iorque, ele se daria uma vez em relação ao pôr do sol, e outra, no nascer do sol.

Imagine se Leopoldina tivesse uma rua chamada Rua Municipal em quadratura com o Solstício de Verão e com o Solstício de Inverno. Ou seja, que o nascer do sol, no início do verão, ocorresse em perfeito alinhamento com o início da avenida, e que o pôr do sol, no início do inverno, fosse exatamente alinhado com o fim da avenida. Se em Leopoldina houvesse uma rua assim, seria o nosso Municipal Henge.

Pois em 1855, foi construída na então Vila Leopoldina uma rua que recebeu o nome Municipal. Pouco depois, mudaram-lhe o nome para Rua das Flores, mais poético sem dúvida, contudo efêmero. Em 1890 ela já tinha o nome Barão de Cotegipe. Agradou aos barões do café, por desvio de destino e acidente de percurso, e, por ligar o então centro da cidade à estação de trem, que esse palco de um espetáculo solar em duas datas astronômicas notáveis, essa rua que se tornaria a principal da cidade, homenageasse um defensor do escravismo, o flagelo de quatro séculos que castigou a nossa gente e, hoje em dia, ainda deixa chagas abertas na Terra Brasilis.

O sol, às vezes, desperta incômodo nas pessoas, pela sua incidência tão retilínea nesta rua, ofuscando vitrines de lojas e para-brisas dos veículos. Todavia, com o uso de um bom protetor ocular, é possível deliciar-se com este espetáculo da natureza, o Municipal Henge, com contornos culturais modernos, como em Manhattan. Assim, no dia 21 de junho, quando comumente ocorre o Solstício de Inverno, o sol se porá atrás do histórico prédio da Prefeitura. E, no Solstício de Verão, comumente no dia 21 de dezembro, o sol nascerá no início da Rua Municipal, onde era o largo da Estação e hoje está a agência da Caixa Econômica Federal. Sejam todos benvindos ao nosso Municipal Henge!

Leopoldina é um município que está situado na Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora, em Minas Gerais. O acesso se dá pela BR-116 a partir do Rio de Janeiro, sentido Minas Gerais, são 235 km de distância. Pela BR-267 de Juiz de Fora para Leopoldina são 98 km. E 96 km do Aeroporto Regional da Zona da Mata via MG-353, MG-285 e BR-120.

(*)Roberto Maximiano Pereira

Leopoldinense, Economista pela FEA-UFJF e Mestre em Economia pelo PPGE-UFBA, Pesquisador e Consultor Econômico
Corecon-MG nº 8.521
 
(*)Ludmilson Abritta Mendes
Leopoldinense, Graduado, Mestre e Doutor em Engenharia Civil/Recursos Hídricos pela EP-USP, Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Sergipe UFS.
 
As fontes de dados históricos são o Jornal Leopoldinense e o livro de Nilza Cantoni e José Luiz Machado Rodrigues: Nossas Ruas, Nossa Gente: Logradouros Públicos de Leopoldina.
 
 
 
 
O Caminho do Sol nos Solstícios de Verão e de Inverno

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