26/09/2014 às 08h17min - Atualizada em 26/09/2014 às 08h17min

SENAR inicia formação de agentes para atuar em assistência técnica

Primeira edição do curso de Assistente de Planejamento e Controle de Produção acontece em Nova Friburgo -RJ

Colégio Estadual Agrícola Rei Alberto I, na área rural de Nova Friburgo (RJ).

A primeira turma de agentes apta a atuar dentro da metodologia do Programa de Assistência Técnica e Gerencial com Meritocracia do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) começou a ser formada nesta quinta-feira (25/9). O grupo, composto por 21 alunos de nível médio, participa do curso de Assistente de Planejamento e Controle de Produção, que será desenvolvido ao longo de 240 horas no Colégio Estadual Agrícola Rei Alberto I, na área rural de Nova Friburgo (RJ).

“Existe uma grande carência de profissionais na área de assistência técnica no Brasil. Vamos capacitar esses jovens para serem técnicos de campo e atuarem no nosso programa e em outras instituições também. Uma das características do nosso curso é trabalhar a parte técnica e gerencial e isso, cada vez mais, será um diferencial no mercado de trabalho. Vocês são pioneiros no Brasil”, destacou a coordenadora de capacitação técnica do Programa de Assistência Técnica e Gerencial com Meritocracia do SENAR, Janete Lacerda de Almeida, na abertura do curso.

Oferecido por meio do Pronatec do SENAR, o curso é demandando pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que lançou chamadas públicas para a prestação de assistência técnica e precisará de profissionais capacitados para executar o serviço. As aulas serão ministradas pela instrutora do SENAR-RIO, Patrícia Diniz de Paula, que participou do curso de Gestão Técnica e Econômica de Propriedades Rurais com ênfase em Projetos de ATER, realizado em Brasília, onde foram capacitados instrutores para a multiplicação da metodologia nos Estados. Ao todo, 106 multiplicadores já concluíram o treinamento.

O programa curricular prevê quatro módulos que vão abordar conteúdos sobre como deve ser a atuação dos agentes; assuntos técnicos; gestão e planejamento e empreendedorismo. As aulas foram adaptadas para a metodologia de alternância já aplicada na escola, ou seja com encontros quinzenais. A maioria dos estudantes frequenta o 2º ano do ensino médio nos municípios de Nova Friburgo e Sumidouro.

“Gestão e planejamento é o “X” da questão. O produtor não tem o costume de fazer anotações, saber quanto está gastando, onde pode melhorar. Esse é o grande desafio. Temos que começar a mudar o foco da produção e entender a atividade como uma empresa. É preciso mudar essa mentalidade dentro de nós para poder passar para as outras pessoas”, ressalta a instrutora.

A solenidade de abertura do curso também contou com a participação do gestor estadual do Pronatec do SENAR e supervisor técnico do SENAR-RIO, Marcos André Ravizzini Lima; do chefe da Divisão de Política, Produção e Desenvolvimento Agropecuário da Superintendência Federal de Agricultura no Estado do Rio de Janeiro, Celso Merola Junger e do diretor do Colégio Estadual Agrícola Rei Alberto I, Antônio Carlos Frossard.

“Fizemos um esforço muito grande para conseguir recursos do Pronatec Agro e o SENAR está sendo o nosso grande parceiro nesse programa. Estamos trabalhando em conjunto. Acredito que é fundamental que o jovem esteja capacitado para ocupar essas vagas e planejar o futuro. É importante ter conhecimentos em gestão e gerenciamento para ver a cadeia como um todo e ter essa visão global da atividade”, declara Junger.

O supervisor técnico do SENAR-RJ, Marcos André Ravizzini Lima, acredita que o curso permitirá a empregabilidade imediata dos participantes na região, além de ser um incentivo para que os jovens permaneçam na área rural ao invés de procurarem as zonas urbanas. Na opinião dele, o agronegócio é o setor que tem sustentado o PIB do Brasil e a qualificação será cada vez mais valorizada.

“Muitos poderiam ter escolhido ir para a cidade, mas ficaram aqui. Estamos investindo nos jovens e queremos que esse curso gere oportunidades na propriedade deles, de um familiar ou em uma empresa. A capacidade de produção do Brasil é muito grande e o mundo está de olho nisso. Precisamos estar sempre nos qualificando mais”, salienta.

Possibilidades ampliadas

A vontade de se qualificar fez até ex-alunos do Colégio Estadual Agrícola Rei Alberto I procurarem o curso. Pedro Manoel da Silva Paula, de 27 anos, é técnico em agropecuária e resolveu buscar mais conhecimentos para voltar a atuar na área e também ajudar a família no cultivo de hortifruti e na criação de animais. Ele, que já participou de outros treinamentos do SENAR e está prestes a concluir o curso de agricultura orgânica, revela que a capacitação ajuda muito e que agora espera aprender a trabalhar com orçamento e gerenciamento.

“A assistência técnica é muito falha hoje em dia. O produtor tem que ir a caça dela. Além disso, eles não atuam como técnicos, só como vendedor de loja. Falta uma assistência mais independente”, aponta.

Estudante do 2º ano do curso Técnico em Agropecuária, Talia da Costa de Moraes, de 17 anos, espera ampliar o seu currículo e conseguir uma inserção mais rápida no mercado de trabalho depois da formação. Em casa, onde já ajuda os tios no cultivo e na colheita de salsa, brócolis, tomate e couve, ela também espera poder levar informações técnicas para melhorar a rentabilidade da família.

“Não pretendo ficar na lavoura. Quero ajudar com um conhecimento técnico maior. Às vezes eles extrapolam a quantidade de insumos. Se tivessem uma orientação, poderiam reduzir os gastos e ter mais lucro”, avalia.

Assessoria de Comunicação SENAR

 


Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »