26/09/2014 às 08h32min - Atualizada em 26/09/2014 às 08h32min

Dilma desmonta críticas da equipe econômica neoliberal de Marina

A presidenta respondeu ao discurso do economista e assessor da campanha de Marina sobre o tema, Alexandre Rands

Correio do Brasil
Dilma, em Feira de Santana, conversa com jornalistas e responde às críticas da equipe econômica de Marina.

Presidenta e candidata à reeleição pela legenda do PT, Dilma Rousseff (PT) desmontou, na manhã desta quinta-feira, 25 o discurso da equipe econômica de tendência neoliberal da adversária Marina Silva (PSB/Rede Sustentabilidade), no qual afirma que o Brasil precisará passar por um “ajuste fiscal grande” para reequilibrar as contas públicas no ano que vem. Dilma afirmou que a proposta de “choque fiscal” na economia brasileira é “perigosa e extremamente eleitoreira” e sua adversária apresenta um “modelo de política econômica extremamente liberal e conservador”.

– Nós não acreditamos em choque fiscal, isso é uma forma incorreta de tratar a questão fiscal no Brasil. O Brasil precisa de uma política fiscal sistemática e robusta. Choque fiscal é um baita ajuste no qual se corta tudo para pagar juros para bancos? Se você vai ampliar alguns mecanismos, tem de explicar: vai cortar o que? Vai cortar programa social? Vai cortar o Bolsa-Família? Vai cortar os subsídios para o Minha Casa, Minha Vida? – questionou a presidenta, antes de uma caminhada pela segunda maior cidade baiana, a 110 km de Salvador.

A presidenta respondeu ao discurso do economista e assessor da campanha de Marina sobre o tema, Alexandre Rands, um dia depois de afirmar que o próximo governo brasileiro terá que fazer um ajuste fiscal “grande”. Segundo ele, além do ajuste fiscal forte, o próximo governo terá que reajustar preços de gasolina e energia, atualmente represados pelo governo federal.

– Isso tudo gera incertezas… No primeiro ano, vai ter um crescimento baixo, porque você vai precisar de um ajuste fiscal grande e acomodação de preços relativos – disse Rands.

Para Dilma, porém “não é necessário um ajuste fiscal profundo” no país.

– O Brasil tem uma das menores dívidas líquidas sobre o PIB, de 34%, enquanto todo o resto do mundo, tirando uns seis países, tem dívidas líquidas perto ou acima de 100%. O Brasil não está desequilibrado, não tem crise cambial. O Brasil passa, como o resto do mundo, por um processo de crise, que nós não combatemos como eles. Nós combatemos (a crise) garantindo empregos, garantindo salários. Ficar falando em choque fiscal é uma manobra perigosa e extremamente eleitoreira – criticou Dilma.

A presidenta também bateu nas propostas macroeconômicas do programa de governo de Marina e alfinetou seus assessores.

– O grande problema da candidata (Marina) é que um dia eles (integrantes de sua campanha) dizem uma coisa, outro dia dizem outra. Mas ela apresenta um modelo de política econômica extremamente conservador e neoliberal. Ela pretende atender prioritariamente aos bancos, como deixou claro no programa dela, sobre a independência do Banco Central. No Brasil, independentes só são os Poderes da República, Legislativo, Executivo e Judiciário – afirmou a presidenta.

Com razão

A presidenta também marcou mais um ponto no campo econômico, nesta quinta-feira. Uma reportagem publicada pelo diário norte-americano The New York Times reforça que Dilma estava correta durante sabatina no programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, na segunda-feira, em oposição à jornalista Miriam Leitão, que contestou os dados da presidente. A apresentação de números divergentes e as seguidas interrupções na entrevista de meia hora, exibida na íntegra pela emissora, viraram uma marca da emissora. Quando Dilma falou que a economia alemã ia mal, Miriam discordou, rebatendo que a mais forte economia da zona euro cresceria 1,5% esse ano, mais que o Brasil, cujo mercado espera crescimento de 0,3%.

A jornalista – ligada aos setores mais conservadores da economia – porém, referia-se à expectativa de crescimento da Alemanha, não um avanço real no PIB. Dilma disse que o país europeu havia crescido apenas 0,8% no segundo trimestre desse ano, dado que já foi calculado e divulgado oficialmente. A reportagem do NYT, publicada nesta quarta-feira 24, aponta que um dos principais indicadores de confiança das empresas alemãs caiu na terça-feira mais do que o esperado, para o patamar mais baixo desde 2012, intensificando assim os temores de que a economia do país esteja ameaçada de entrar em recessão.

“A economia alemã já registrou um declínio no segundo trimestre, quando a produção caiu 0,2% em comparação com o trimestre anterior. Outro declínio trimestral consecutivo colocará o país em recessão”, diz a matéria, sobre a economia que, como diz o jornal, serviu de âncora para o restante da zona do euro durante quatro anos de crise intermitente e de crescimento irregular.

A crise internacional é justificativa frequente de Dilma para o baixo crescimento do PIB brasileiro. Com alguns adendos: enquanto países europeus desempregavam, o Brasil criava vagas, aumentava a renda, mantinha investimentos em infraestrutura e redução da desigualdade. A tese é rebatida por economistas e políticos da oposição. Mas não parece estar nem um pouco incorreta. Os dados da economia alemã são prova disso.

Dilma também comentou as recentes denúncias sobre supostos desvios de verbas públicas, dirigidas à construção de casas populares na Bahia, para financiar campanhas do PT no Estado.

– Tenho uma posição claríssima sobre denúncias: denúncias são feitas para ser investigadas, apuradas, e os responsáveis, presos e condenados. Amanhã (sexta-feira), vou divulgar um programa sobre a impunidade. O que dá respaldo à corrupção é a impunidade. Agora, as pessoas têm de ter direito à defesa. Antes de condenar, é fundamental que se saiba quais são as provas – concluiu.

 


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