29/10/2021 às 11h21min - Atualizada em 29/10/2021 às 11h21min

Homenagens, nomes... Uns pegam outros não

Luciano Baía Meneghite
Fotomontagem: Luciano Baía Meneghite
Ao longo do tempo, diversas ruas de Leopoldina tiveram seus nomes alterados oficialmente. Na prática, porém, leva pelo menos uma geração para que tais novos nomes peguem de fato. A prova é que pra muitos, principalmente os mais velhos, a rua Presidente Carlos Luz ainda é a “Rua Nova” ou “Rua Thebas”. A rua Professor Joaquim Guedes Machado ainda é a antiga rua “Três de Junho”, a praça Zequinha Reis sempre será a “Praça da Bandeira” e por aí vai... Outros locais aceitam bem o nome oficial e o popular como a rua Manoel Lobato, a popular “Rua da Grama” ou a Vila Esteves, a popular “Taboquinha”.

Os nomes dados aos logradouros representam a mentalidade e os interesses dos dirigentes políticos de cada época. Alguns historiadores são contra mudanças e revisionismos, já outros defendem como justa reparação.

A meu ver, toda a polêmica gerada após a publicação no Leopoldinense Online da matéria sobre possível mudança do nome da rua Barão de Cotegipe poderia ser evitada se houvesse maior interesse no diálogo. O argumento de que o personagem era um escravocrata, contrário à abolição de 1888 é mais do que justo. Assim como também é verdadeiro que tal mudança de nome daria trabalho, principalmente por ser a principal rua comercial da cidade. 

 Outra questão tem a ver a sonoridade do novo nome. Pode parecer bobagem, mas nomes ou apelidos, pegam ou não também pela facilidade em falá-los e pela sonoridade. Pegaria “rua Jerônima Mesquita” ou “Rua da Abolição” como já sugerido? Resolveria trocar o nome e ele simplesmente não emplacar?

A bem da verdade, quase ninguém em Leopoldina fala rua Barão de Cotegipe e sim “rua Cotegipe”. Talvez fosse o caso de rebaixar oficialmente o asqueroso Barão, retirando-lhe o título no nome da rua passando a realmente ser só rua Cotegipe. Ou então acrescentar às placas com seu nome a observação:  “ESCRAVOCRATA”.

Pode-se até questionar se diante de tanto problema na cidade esse seria o momento de falar em tal mudança. Mas não falar resolveria os outros pepinos? Como diz o ditado, não tem nada a ver o cu com as calças. Debater a ideia, ser contra ou a favor é aceitável. Os que partem para ofensas e destilam ódio, principalmente em redes sociais não merecem crédito.

Segundo o “pai dos burros”, Cotegipe vem do tupi “Akutiype, que significa “No rio das Cutias”. Não sei se em Leopoldina ainda tem cutias além do lavador de carros, mas antas tem muitas.
 
 
 
 
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