27/09/2014 às 20h14min - Atualizada em 27/09/2014 às 20h14min

Crianças superconectadas não reconhecem expressões do outro

Para Eduardo Shinyashiki, questão pode prejudicar áreas pessoal e profissional durante a vida adulta

Para Eduardo Shinyashiki, questão pode prejudicar áreas pessoal e profissional durante a vida adulta.

Uma recente pesquisa da Universidade da Califórnia mostra que a nova geração de crianças superconectadas pode ter perdido uma habilidade muito importante: a identificação das emoções transmitidas pelo olhar e expressão facial. O estudo comparou crianças de 11 e 12 anos que passam a semana num internato a crianças que passam, em média, cinco horas por dia conectadas em seus celulares. O resultado foi que os internos conseguiram identificar emoções em testes com fotos e trechos de filmes muito mais precisamente do que os superconectados.

“Em uma geração na qual as expressões são definidas por dialetos digitais como “kkkk” e “snif”, é de se refletir sobre como essas crianças irão lidar com os desafios da vida adulta, com as suas emoções e com as emoções de quem está ao seu redor”, salienta Eduardo Shinyashiki, especialista em comportamento humano e no desenvolvimento das competências de liderança aplicada à administração e à educação.

Eduardo explica que as crianças que estão perdendo o poder natural do ser humano de reconhecer as expressões, estão perdendo metade da sua comunicação. “Um dos sistemas de comunicação mais antigos do mundo é a linguagem não verbal. Em uma mensagem, só 7% se dá por meio das palavras, 38% por tom de voz, ritmo e pausas e 55% por expressão corporal, ou seja, postura, olhar, mímica facial, gestos, expressões do rosto e movimentos do corpo”.

Em uma infância na qual o acesso a tabletes e smartphones não tem limite, é importante prever o futuro dos pequenos conectados, pois, segundo o especialista, eles podem ter dificuldades em se desenvolver nas áreas pessoal e profissional. “No trabalho, por exemplo, é essencial que a pessoa saiba reconhecer expressões. Em reuniões, entrevistas de emprego e encontros com clientes é preciso nos observar e analisar com atenção o outro. Desse modo, por meio da linguagem corporal, será transmitido o que se quer comunicar e também entender as intenções do interlocutor”, explica.

Nas relações pessoais o risco é de não estabelecer relacionamentos consistentes. “Em uma amizade ou namoro a ausência de habilidades para reconhecer as expressões pode acarretar em falta de compreensão e pré-julgamentos, o que contribui para que laços afetivos sejam desfeitos”, finaliza.

Sobre o especialista: Eduardo Shinyashiki é palestrante, escritor, consultor organizacional e especialista em comportamento humano, Comunicação não verbal e Desenvolvimento das Competências de Liderança Aplicada à Administração e Educação.

Bruna de Paula-Assessora de Imprensa


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