15/06/2022 às 10h04min - Atualizada em 15/06/2022 às 10h04min

Leopoldina perde Jorge Luiz Baía “Tula” aos 68 anos

Funcionário da Câmara Municipal era figura popular da cidade

Luciano Baía Meneghite
Tula no Carnaval de 2019 em Tebas (Foto: João Gabriel Baía Meneghite - 02/03/2019)
Morreu nesta quarta-feira, 15/06 na Casa de Caridade Leopoldinense o funcionário da Câmara Municipal de Leopoldina Jorge Luiz Baía, o popular “Tula”. Ele esteve internado nos últimos dias com problemas pulmonares. Exames descartaram Covid19.

Nascido em Ubá-MG a 06 de fevereiro de 1954, filho caçula do lanterneiro Dionísio Cândido Baía e da costureira e lavadeira Mariana da Costa Barros, Jorge Luiz Baía era irmão de Maria José Baía Meneghite “Zezé”, José Mário Cândido (IM) e Maria das Graças Cândido “Gracinha”. Quando ele era ainda bebê, a família, com dificuldades financeiras, veio para Leopoldina. Aqui o menino esperto, curioso e levado cresceu, sem nunca deixar de ser esperto, curioso e levado.

O apelido “Tula” foi dado pelo pai, também um grande gozador que o comparava com  um vizinho de nome Getulinho  na época em que moraram na Rua das Palmeiras. A família também morou por muitos anos na rua João Gualberto na Grama, rua Ribeiro Junqueira, rua Joaquim Ferreira Brito no Rosário, Arthur Maranha na Cohab Velha. E ele por último na Cohab Nova. Apesar das dificuldades da vida, por onde passou Tula fez inúmeras amizades com seu jeito alegre, brincalhão e pela sua generosidade. Com pouco estudo, formou-se na prática eletrotécnico. Era um desses “Professores Pardais”, sempre a criar uma gambiarra que ao final dava certo.




Em 1974 entrou por concurso na Câmara Municipal de Leopoldina, junto com Ademar Gonçalves de Mattos e Antônio Sérgio Lima Freire, o “Serginho do Rock” formou um trio afinadíssimo tanto no serviço no legislativo, quanto fora.  Ele e Ademar eram os funcionários mais antigos da Câmara e Tula conhecia como poucos o seu funcionamento.  Era fonte constante de pesquisadores, escritores e documentaristas da história de Leopoldina pelo seu conhecimento e disposição em ajudar.


Ele tinha um pensamento de certa forma mais aberto e progressista, mas nunca foi ligado a partidos, nem era de se manifestar politicamente.   Tratava a todos de forma respeitosa e manteve a amizade com políticos de diferentes posicionamentos, postura que segundo ele aprendeu com Serginho do Rock.

Nos encontros dos amigos do Girassol Maravilhoso promovidos por Serginho, era peça fundamental. Um faz tudo, principalmente em se tratando de sonorização, instalações elétricas e afins.   

Depoimento de Tula para o documentário Serjack.Doc



Tula também aprontou bastante na juventude, colocando inclusive a vida em risco em dois acidentes automobilísticos na década de 80. As cicatrizes ficaram.


Foi casado com a saudosa professora Ana Maria Fernandes Faria. Ana sabia lidar com as doideiras e teimosias dele e de certa forma o fez se equilibrar mais. A casa dos dois vivia cheia de vizinhos amigos para tomar umas, jogar conversa fora ou resolver algum problema. A partida de Ana em 2006 foi bastante sentida por Tula e ele custou a se recuperar. Tentou novos relacionamentos, mas manteve-se solteiro e sem filhos biológicos. Os filhos de coração eram muitos, além dos sobrinhos, os afilhados e amigos a quem sempre ajudava de alguma forma.

Se ajudava os outros, muitas vezes esquecia da própria saúde, chegando a abusar do álcool e cigarro. Os pulmões não resistiram.

Para mim, Luciano, seu sobrinho mais velho e afilhado, foi muito difícil escrever esse texto, quando já sabia que seu quadro era irreversível. Na minha infância foi das pessoas mais próximas e quem eu achava que sabia tudo, por suas habilidades, suas filosofias (Eu nem sabia o que era isso), suas tiradas engraçadas. Com o tempo percebi que ele não sabia tudo, que ele também errava, que nem sempre era gênio. Mas mesmo puxando orelha ou falando alguma bobagem com a qual eu não concordava, mesmo não tendo mais o contato diário, ele nunca deixou de ser meu tio Tula, com o qual eu via desenho animado juntos (Me chamava de Scoob Lu), que soltava papagaio com vara de pescar e molinete, que fazia “rádio pirata” pra gozar os vizinhos, que ligava tarde da noite com a voz mais enrolada que a normal pra sugerir uma foto “tudo mais e tal”...   O TiTula que se preocupava e ajudava se eu tivesse algum problema de saúde, que do nada vinha com um presente, uma ideia, uma informação.

Há alguns dias o vi sozinho sentado no banco em frente daqui de casa, olhando para a cidade lá embaixo, sentei no banco do lado. Pouco falei. Não sou de falar muito...  e não precisava.  

Ele não ligava muito para cerimônias e nem era chegado a despedidas. Chegava muitas vezes sem avisar e ia embora também de repente.  E assim ele foi.


Tula com os sobrinhos Luciano e João Gabriel em gravação de imagens para documentário na Fazenda Paraiso (Foto: Luciano Baía Meneghite - 09/04/2019)

Foi decretado luto oficial no Poder Legislativo e as bandeiras estão hasteadas a meio mastro.

O velório acontece na Câmara Municipal de Leopoldina, a partir das 12h:30 e o sepultamento às 16h:30 no cemitério Municipal Nossa Senhora do Carmo em Leopoldina.

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