11/10/2014 às 22h02min - Atualizada em 11/10/2014 às 22h02min

Aécio acata parcialmente exigências feitas por Marina em troca de apoio

Folhapress
Aécio Neves faz ato político com aliados no Recife; Filhos de Eduardo Campos participaram.( Bobby Fabisak/JC Imagem/Estadão Conteúdo)

RECIFE - Ao lado de pessebistas pernambucanos e dos filhos do ex-governador Eduardo Campos, o presidenciável Aécio Neves (PSDB) se comprometeu neste sábado (11) a cumprir, mesmo que de forma vaga, quase todas as exigências feitas pela ex-candidata Marina Silva (PSB) em troca de seu apoio.

Em um auditório lotado de médicos e integrantes de movimentos sociais, o tucano leu documento através do qual se compromete a garantir ao Executivo o papel de demarcação de terras indígenas, a ampliar a reforma agrária e acabar com a reeleição de cargos do Executivo.

O único dos principais pontos que ficou de fora do documento lido por Aécio foi a redução da maioridade penal, outra proposta feita por Marina. Ao discursar no Recife, se limitou a dizer que buscará alternativas para afastar a juventude da violência.

Alguns compromissos foram assumidos de forma vaga. Ao se comprometer com o fim da reeleição, por exemplo, não disse que a regra já valeria para ele. Ele também prometeu conduzir a transição do país à economia de baixo carbono sem estabelecer prazos nem metas.

A fala do tucano agradou o ex-vice na chapa de Marina, Beto Albuquerque (PSB-RS). "Achei o documento muito bom. Representa grande parte do nosso programa. Nós não teríamos a pretensão de que ele adotasse tudo, mas Aécio fez hoje um compromisso muito grande com o Nordeste e com a mudança", afirmou.

Albuquerque também minimizou a forma vaga como Aécio se comprometeu com o fim da reeleição. "Quem vai dar o prazo para isso é o Congresso. Não depende dele".

Esta é a primeira visita do tucano a Pernambuco neste segundo turno. Ele teve apenas 6% dos votos em Pernambuco, mas confia nos 48% que Marina Silva atingiu no Estado. A presidente Dilma Rousseff conseguiu 44%.

Aécio chegou ao encontro com movimentos sociais marcado de última hora em um hotel na zona sul do Recife acompanhado do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) e de líderes locais tanto do PSB, quanto do PSDB.

"Temos convicção da necessidade de mudança neste país, de um governo que dialogue mais", afirmou o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), ao abrir o encontro, chamando Aécio de "nosso futuro presidente".

Em um discurso semelhante ao que tem sido adotado pela presidente Dilma Rousseff, Geraldo Julio convocou os movimentos sociais a "combater a mentira". "Temos aqui um time coeso e forte que tem o papel importante de levar a verdade", disse. "Essas mentiras que serão ditas precisarão ser combatidas".

Aécio chegou ao encontro com movimentos sociais com cerca de uma hora e meia de atraso. Foi recebido com uma adaptação do grito de guerra que serviu tanto a Eduardo Campos quanto Marina Silva: "Brasil pra frente, Aécio presidente".

Integrantes que participavam de um congresso de médicos escritores no mesmo hotel entraram na reunião com os movimentos sociais para declarar apoio. "Nosso congresso foi suspenso temporariamente. A maioria de nós é a favor de Aécio", disse a médica Sônia de Castro, de São Paulo.


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