14/10/2014 às 07h49min - Atualizada em 14/10/2014 às 07h49min

Fábrica da Mercedes será remodelada com aporte de R$ 230 milhões

Produção de caminhões será transferida para o ABC

Tatiana Lagôa
Diário do Comércio
Schiemer aporte de R$ 230 milhões na Zona da Mata. (Divulgação)

A fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora (Zona da Mata) vai passar por uma remodelagem, com o objetivo de atender os novos planos da montadora no país. Em 2016, a unidade deixará de produzir a linha de caminhões leves Accelo e passará a realizar apenas a montagem bruta e a pintura de cabines. Para isso, a planta receberá investimento de R$ 230 milhões, destinados à ampliação das instalações da linha de montagem. Já em São Bernardo do Campo (ABC paulista) serão aportados R$ 500 milhões até 2018.

As informações foram dadas na sexta-feira pelo presidente e chief executive officer (CEO) América Latina, Philipp Schiemer. Segundo ele, a estratégia da empresa é promover uma maior sinergia entre as unidades de São Bernardo do Campo e de Juiz de Fora. Com isso, a produção dos caminhões será concentrada em São Paulo e a montagem e a pintura das cabines em Minas. A princípio, a linha de produção do modelo extrapesado Actros permanecerá na Zona da Mata.

"Decidimos utilizar as duas fábricas de forma mais eficiente. Juiz de Fora é uma planta nova, que foi adaptada para caminhões em 2011. Por isso, resolvemos, há um ano e meio, transferir toda a pintura e montagem de cabine para lá. Com isso, esperamos ganhar escala e usar os investimentos de melhor forma. Em contrapartida, vamos renovar a linha de produção em São Bernardo", explicou o executivo.

Dentro do projeto de renovação da unidade paulista, está previsto aporte de R$ 500 milhões, destinados à construção de novas linhas de produção de caminhões agregados e à mudanças na infraestrutura da fábrica. Além disso, a fábrica receberá um Centro de Transformação de Caminhões (CTC), que será responsável pela customização dos veículos.

Já em Juiz de Fora, segundo Schiemer, não deverá ocorrer grandes mudanças. Ele explicou que a fábrica é hoje muito dependente da venda do modelo Acello, que representa 90% da produção local. Com a transferência da pintura e montagem de cabines para a unidade, ela ficará menos dependente de apenas um produto. Com os aportes de R$ 230 milhões, a capacidade de produção de cabines na planta passará das atuais 50 mil unidades/ano para 80 mil cabines anuais.

Ainda de acordo com o CEO, os aportes nas duas fábricas, que somam R$ 730 milhões, serão incorporados ao plano geral de investimentos da Mercedes no país, que prevê inversões de R$ 2,5 bilhões entre 2010 e 2015, elevando os aportes totais da montadora alemã para R$ 3,23 bilhões até 2018. Isso seria, conforme ele, mais uma prova de que a companhia ainda acredita no crescimento do Brasil.

Empregos - Porém, a grande preocupação do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora é em relação ao nível de emprego. Isso porque, de acordo com estimativas da entidade, com as mudanças seria necessário manter apenas 50% do atual quadro de funcionários, que hoje chega a 750 pessoas.

Apesar do temor do sindicato, o presidente da Mercedes garante que a ideia é manter o atual quadro e requalificar os empregados que atuam na área de produção que será transferida para São Paulo, para que eles possam continuar na empresa.

No entanto, ele não descarta demissões caso o mercado permaneça retraído. "A necessidade de mão de obra não tem nada a ver com a nova estratégia de produção, mas sim com a situação do mercado. Se ele crescer, teremos emprego. E isso não se refere somente a Juiz de Fora, mas a todas as empresas do país", afirmou.

Linhas de montagem serão paralisadas

Com as vendas no mercado interno encolhendo 15% e as exportações despencando 50%, a Mercedes-Benz vai parar totalmente a produção no país entre o início de dezembro e o dia 6 de janeiro do ano que vem, e colocar os 10 mil empregados da unidade de São Bernardo do Campo (ABC paulista) e os 750 da fábrica de Juiz de Fora (Zona da Mata) em férias coletivas. Nem mesmo durante a crise de 2009 a empresa paralisou suas linhas de montagem por completo por um período tão longo, segundo o presidente e chief executive officer (CEO) América Latina, Philipp Schiemer.

Segundo suas estimativas, neste exercício a montadora alemã deverá produzir aproximadamente 35 mil caminhões leves e extrapesados, volume cerca de 15% inferior ao registrado em 2013. E o impacto na planta de Juiz de Fora poderá ser ainda maior. "Sofremos muito em Juiz de Fora porque a unidade é focada, basicamente, em uma só linha. Como o segmento de leves foi um dos mais afetados pela retração nas vendas, ela foi ainda mais prejdicada", afirmou.

Alguns fatores afetaram fortemente os negócios da empresa. O primeiro deles foi a situação econômica na Argentina, que é o principal mercado importador da Mercedes. Além disso, ele citou o caso do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que expira em 21 de novembro e não há definição sobre sua reativação. O PSI simplifica o processo de aquisição de caminhões e ônibus pelas empresas, e hoje é usado em mais de 90% das vendas da indústria.

O cenário econômico e o clima de incerteza no Brasil também atrapalharam as vendas da companhia no país, já que diversos empresários engavetaram investimentos, diante das dúvidas criadas pelo período eleitoral. "Estamos vivendo um momento turbulento por causa das eleições", afirmou.

Para evitar demissões, a montadora tem utilizado todas as estratégias possíveis, uma vez que os resultados deste ano não estão sendo positivos. Neste mês e em novembro serão usados os bancos de horas nas unidades de São Bernardo do Campo e Juiz de Fora. Na fábrica mineira, dos 750 funcionários, 168 já estão com contratos de trabalho suspensos até janeiro e não existe nenhuma garantia se haverá ou não renovação do mecanismo conhecido como lay-off.

Até porque, as perspectivas para o próximo exercício não são positivas. Schiemer explicou que, independentemente de quem vencer as eleições presidenciais, 2015 vai ser um ano de ajustes. E será necessário reconquistar a confiança dos empresários para que a economia volte a crescer. Portanto, ele espera melhores resultados apenas a partir do segundo semestre, caso isso venha a ocorrer.

(*) A repórter viajou a convite da Mercedes-Benz

 


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