Em 07 de maio de 1947 era inaugurada a Rádio Sociedade Leopoldina – ZYK-5

Por Luciano Baía Meneghite - Baseado em texto de Luiz Otávio Meneghite e Zé Américo Barcellos
9 Min

Fotomontagem Luc Luciano - Fotos: Hamilton Vasconcellos/Memória Leopoldinense/GGN

Na época de sua fundação a Rádio Sociedade Leopoldina era presidida pelo grande entusiasta da radiodifusão, Dr. Breno Dutra Mendonça, residente em Ubá.

Segundo o noticiário da época, “os programas da emissora são ouvidos em longínquas paragens abrangendo suas ondas um extenso círculo. Com o prefixo ZYK – 5,  com a frequência de 1.560 kilociclos, a rádio emissora local constitui um elemento importante de progresso, notável meio de  propaganda que é fonte inigualável de noticiário e informações.

Nem era preciso anunciar que sua solene inauguração estava marcada para o dia 7, cientes que todos estão através dos alto-falantes que a todo momento informam o público. O programa das solenidades desse dia é o seguinte:

  • 09:00 horas – Benção das instalações;
  • 14:00 horas – Desfile de valores do rádio mineiro, pelo microfone da ZYK-5;
  • 21:00 horas – Ato inaugural, falando em nome da Rádio Sociedade Leopoldina, o professor Dr. Amil Adum;
  • 22:00 horas – Nos salões do Clube Leopoldina, grandioso baile com apresentação de brilhante show por consagrados artistas do rádio nacional, como Odete Amaral, Ciro Monteiro, Edgard Lafucarde, a dupla humorística Barreto e Barroso e outros.

No desfile das 14 horas, far-se-ão ouvir Irandi Bittencourt, Francisco Grossi, Aristides Guimarães, Odilon Lacerda, Heitor de Castro, Maria Campos, Francisco Xavier Pereira, Ulisses Oliveira e outros futurosos elementos do rádio.

 

A Secretaria da Rádio Sociedade Leopoldina funciona junto aos estúdios da sociedade no Clube Leopoldina, dirigida pelo senhor Marcio Franzone,  sendo sua auxiliar a senhorita Maria da Glória Raponi. São locutores os srs. Hélio Santos Pinto e Willian Berbari.

Foi um real sucesso a festa de inauguração da Rádio Sociedade Leopoldina. Pela manhã realizaram-se cerimônias religiosas e benção das instalações pelo Revmo Monsenhor José Domingues.

Às 14 horas, desfilaram pelo microfone futurosos artistas das rádios próximas e amadores desta  cidade.

Às 20 horas, em um dos salões do Clube Leopoldina, realizou-se a solenidade inaugural, com grande número de pessoas.

O Dr. Breno Dutra de Mendonça, dinâmico superintendente da sociedade, convidou para presidir os trabalhos o sr. Francisco Barreto de Faria Freire, digno prefeito municipal, integrando-se à mesa diretora com as seguintes pessoas:

Dr. Castelar Guimarães, Sr. Guanayro Mota – presidente do Clube Leopoldina, Sr. Fernando Vitoi – presidente da Associação Comercial, Professor Amil Adum, orador oficial, Sr. José Pires Junior – representante da Rádio Sociedade Muriaé, senhorita Dinah Cirinho – representante da Rádio Sociedade de Ubá e o sr. João Lustosa.

Ocupou em primeiro lugar o microfone o Dr. Breno Dutra de Mendonça que pronunciou notável oração, historiando os acontecimentos que culminaram na inauguração da radiodifusão em Leopoldina.

Reconhecido, pôs em relevo o auxilio da prefeitura local doando o terreno para a ereção da torre da emissora, a gentileza da diretoria do Clube Leopoldina, pondo à disposição da sociedade uma das salas da casa para instalação da aparelhagem da emissora.

Prestou o superintendente da sociedade comovente homenagem à memória do eminente leopoldinense, Senador Ribeiro Junqueira, figura sempre lembrada quando se trata do progresso do município.

O Dr. Breno, por fim, declarou inaugurada a Rádio Sociedade Leopoldina. Em prosseguimento, usou da palavra o professor Amil Adum, em nome da Rádio Sociedade, focalizou a orientação sadia da direção da entidade, dizendo dos benefícios que a cidade e vizinhanças fruirão do empreendimento.

Falou após, em nome da Associação Comercial de Leopoldina o Dr. Castelar Guimarães, felicitando a Rádio Sociedade Leopoldina e seu superintendente pela notável realização.

Representando a Rádio Sociedade Muriaé, o sr. José Pires Junior saudou a nova entidade radiofônica.

O Sr. prefeito municipal, agradecendo a presença de um numeroso auditório, desejou prosperidade à Rádio Sociedade Leopoldina.

Momentos após, o microfone da rádio foi instalado no salão de festas do Clube Leopoldina, onde teve lugar um animadíssimo baile que se prolongou até a madrugada, desfilando os artistas da Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro e da Sociedade Radiofônica de Ubá.

Ocuparam o microfone a senhorita Maria Campos, ao piano, Cyro Monteiro e Odete Amaral cantando números de música brasileira, Barreto e Barroso com humorismo caipira e Edgard Lafucarde com canções mexicanas.

 A assistência compacta e seleta não regateou aplausos aos consagrados artistas.

O%20programa%20foi%20ancorado%20por%20Arnaldo%20Spindola%20e.JPG Em 12/05/2012 foi reunido em programa especial comandado por Arnaldo Espíndola diversos radialistas que passaram pela emissora (Foto: João Gabriel Baía Meneghite)

Ao longo das décadas a rádio mudou de direção e de sede várias vezes, funcionando em cima do Cine Brasil, Cantina da Vovó, Sindicato Rural e por fim, em meados dos anos 80 no prédio do Celcar, já com o nome de Rádio Jornal AM – 1560 kHz, pertencendo aos Sistema Multisom de Rádio da então Companhia Força e Luz Cataguases-Leopoldina.

Xamego%20e%20Monten%C3%A1ri.jpg Xamego, fenômeno de audiência na história do rádio em Leopoldina, foi quem deu oportunidade a Luiz Carlos Montenari na Rádio Leopoldina em 1969. Chegou a ver seu apadrinhado praticamente igualar seu sucesso ou segundo alguns, até superá-lo, embora de estilos diferentes. (Fotos: Álbuns das famílias)

Entre altos e baixos é inegável que a Rádio Leopoldina/Rádio Jornal marcou a história de Leopoldina e entre os muitos nomes que dela fizeram parte, alguns se destacaram em termos de audiência e repercussão. Roberto Vizani Yung o “Xamego” entre finais dos anos 50 e década de 60 com seu "Rancho Fundo" entre outras transmissões e sua revelação Luiz Carlos Montenari, principalmente nas décadas de 70, 80 e 90 com o "Jornal da Cidade". Zé Américo Barcellos, além de diretor também marcou como apresentador.

Grandes coberturas politicas, esportivas, carnavalescas ainda estão na memória de muitos ouvintes. Programas de debates, esportes e variedades.  

490060846_3919153231679524_4436459484043778297_n.jpg Equipe da Rádio Jornal AM 1560 - 1989 - Da esq/dir: Jairo Fernandes, Mauro Heleno, Arnaldo Espíndola, Marcus Vinícius Schettine, Montenário, Canhotinho. Sentados: Warley Botelho ( Lalinho), quarda mirim, o gerente da emissora e comunicador Zé Américo Barcellos e Luiz Carlos Montenári.

( Fotografia gentilmente cedida por Marcus Vinícius Schettine )

Outras dezenas de nomes que aqui lembramos de forma aleatória e não em ordem de importância também marcaram a história da Rádio.  William Berbari, Márcio Franzone, Almeida Filho, Hudson Rodrigues, Ed Mauri, Carlos Cassagne, Eloy Neto, Vitalino Duarte, Luiz Otávio Meneghite, Jorge Antônio Silva, Gerson Batista, Wagner Nogueira, José Vasconcelos, Cirilo Reis, Carlos Felix, Sinval Borges, Waldir Borges, Carlos Wilson Ferreira,  Waldir Resende Policiano,  Ângelo Gabriel, Kátia Méscolin, Alexandre Méscolin,José do Carmo Rodrigues, Nilo Ramos, João Esteves, Galeno Moraes, Ironi Gonçalves, Chico Monteiro, José Augusto, Mauro Heleno, Warley Botelho “Lalinho”, Júlio César Martins Gonçalves, Marcos Marinato, Maria Souza, Marcus Vinícius Schettine “Papão”, Amauri Silva Santos, Zé Américo Barcellos, Anderson Nogueira, Anderson Fontanela,   Edenir Montan, Canhotinho, Aristides do Vale, José Gregório, Sandro, Chiquinho, Lucio Sampaio,  Hermes, Arley Basílio, Bruno Farinazzo, Edgar Vieira, Nerval Rosa,   Andrea Rayol, Fernanda Spíndola,  Edinho Montan, Jairo Fernandes, Luiz Carlos Montenári, Luiz Antônio Montenário, Getúlio Borges, Arnaldo Spíndola, Haroldo Crespo, Alex Siqueira, Emanuel Azevedo, Ubiracy Bártoli, Berto Oliveira, Shalon,Paulo Henrique, Derion Fajardo, Marcos Paixão, Antônio Tor, Willian Bunitinho, Tiago Montan Dengo Pessoa, Jorge Roberto Barbosa, Jorge Renato. 

488956776_3919162815011899_165864000500480168_n.jpg Rádio Jornal AM - Anos 80 do século XX: Edinho Montan, Ubiracy Bartoli "Bira", Alexandre Méscolin, Márcio Montes, Arnaldo Espíndola, Apollo, Jairo Fernandes, Marcos Marinato, Warlley Botelho "Lalinho", Zé Américo, Luiz Carlos Montenari. ( Fotografia gentilmente cedida por Fernando Barcellos Montes)

Usada para o bem e para o mal a rádio foi instrumento político e mudou de proprietários várias vezes nos últimos anos. O próprio jornal Leopoldinense, através de seu editor e radialista Luiz Otávio Meneghite, que apresentava o Jornal Leopoldinense no Ar, de grande audiência, foi vitima disso.

Lembrando que embora o art. 54 da Constituição Federal  “proíba” que políticos sejam donos de concessões de rádio e TV, na prática, sempre encontram maneiras de burlarem a lei.

No último dia 30 de abril, mesma data em que faleceu o radialista Jorge Renato, seus companheiros de emissora e funcionários contratados, Marcos Paixão, Jairo Fernandes e Arnaldo Espíndola, foram demitidos pelo proprietário da mesma, Alexandre Ferreira e comunicados da venda da emissora para a Rádio Maravilha, uma rede de emissoras evangélicas que teria ligação com o ex-deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).  

Segundo Marcos Marinato, que assim como outros terceirizados, mantinha horário pago aos domingos, não foi dada sequer oportunidade aos comunicadores de se despedirem dos ouvintes. Assim, também saíram do ar “Manhã Sertaneja”, com Dengo Pessoa, “Haroldo em Notícias”, “Na Marca do Penalti”, com Jorge Antônio e “Domingo Musical”, com Tiago Montam, além do Programa do Centro Espírita Tintino Pires que era levado ar nas manhãs de sábados há muitos anos. Foram mantidos por hora,“O despertar da Fé” e  “Fonte de Misericódia”, ambos da Igreja Católica e os programas evangélicos “Pão Diário”, “Seminário da Fé” e “A Voz das Assembléias,”

Triste fim de uma longa história.

53813330_1200288676812350_8076610138120650752_n.jpg Cristian "Lindone" que participava do Sala de Visitas com Marcos Paixão  e o saudoso Jorge Renato (Centro) e Dengo Pessoa que apresentava o "Manhã Sertaneja". (Facebook Jorge Renato)

 

( Fontes de pesquisa: Gazeta de Leopoldina, Revista Acaiaca, O Progresso e arquivo do jornal Leopoldinense)