13/11/2014 às 09h06min - Atualizada em 13/11/2014 às 09h06min

Em respeito à memória de Itamar Franco

José Fernando Aparecido de Oliveira(*)
José Fernando Aparecido de Oliveira.

O Brasil decidiu seu destino pelos próximos 4 anos. Diante desse quadro, não posso calar o que não quer calar dentro de mim. Refiro-me aos ataques, feitos em todos os debates eleitorais, à memória de um grande estadista: Itamar Franco. Ninguém esteve mais presente nesses debates quanto o ex-presidente.

Primeiro, foi-lhe cassada acintosamente a paternidade do Plano Real, oriunda de sua competência e certeza da necessidade de uma medida para conter e disciplinar o processo inflacionário galopante da época.

Esta, porém, repetida inúmeras vezes como obra de tucanos – repudiados por Itamar Franco -, não é a mais grave referência ao ex-presidente. A mais cruel e insidiosa referência ao ex-governador de Minas Gerais, Estado que governou de 1998 até 2002, está nas afirmações do senador Aécio Neves, dando ênfase às condições do nosso Estado: “recebi uma Minas quebrada e desorganizada”.

Tal afirmação foi feita ainda quando Itamar estava entre nós. Ele reagiu, denunciando firmemente a fraude contábil nascida dentro do governo de seu sucessor. Conhecedor dos números, Itamar exigiu o reparo, obrigando o governo Aécio a reconhecer o erro. Na verdade, não havia Estado quebrado. Itamar entregou um Estado muito melhor que o que recebeu de Eduardo Azeredo. Mas era necessário repetir a mentira do tão propalado choque de gestão.

O silêncio tucano permaneceu enquanto Itamar estava vivo, quando ele, e apenas ele, saiu em defesa de seu próprio governo, resistindo bravamente, às investidas do governo FHC contra Minas. Itamar desfez a privatização da Cemig, estancando aquele processo doloso de furto de uma das maiores e mais significativas estatais de Minas e do país. Vale lembrar que teve nessa empreitada o apoio decisivo do embaixador José Aparecido de Oliveira, então membro do Conselho de Administração da Cemig.

No confronto político e econômico em defesa de Minas e do Brasil, Itamar teve que enfrentar, ainda no governo FHC, até mesmo a figura de um presidente do Banco Central que aconselhava e orientava investidores estrangeiros a não investir em Minas, violando, criminosamente, o pacto federativo, além de ignorar o compromisso com o desenvolvimento do país.

De todas as paternidades negadas a Itamar Franco, a mais triste e que mais enxovalha a alma política mineira é a paternidade política do sr. Aécio Neves, feito governador de Minas, pelas mãos do próprio Itamar. É, igualmente, a prova cabal de que a ingratidão é a arma política dos espertos e daqueles que reescrevem suas biografias ao prazer de suas ambições, como FHC.

A ingratidão em um país, segundo descreveu Jonhathan Swiff, em suas “Viagens de Gulliver”, é tida como o mais grave delito que pode ser praticado pelo cidadão. Considerava que a ingratidão não era um crime do indivíduo contra outro indivíduo, mas de um indivíduo contra todos. Saiba dr. Itamar que a sua retidão e o seu exemplo estão fazendo falta à vida pública de nosso país.

(*)Ex-deputado Federal

 


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