Reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, bandas de música definham
Lira Primeiro de Maio em uma de suas últimas apresentações na praça Félix Martins. (Foto: Luciano Baía Meneghite)
Desde a minha infância aprendi a admirar as bandas de música de Leopoldina. Foram inúmeras mas, infelizmente, a maioria não resistiu à falta de apoio para se manterem em atividade. Cheguei a integrar como aprendiz a Banda da Fábrica de Tecidos.
Convivi com muitos músicos que se dedicavam prazerosamente às apresentações durante eventos cívicos populares como o aniversário de Leopoldina, a abertura da Exposição Agropecuária, a comemoração da Independência do Brasil, a Proclamação da República entre outros.
Aqui no Jornal Leopoldinense já publicamos, com tristeza, o definhamento de várias agremiações do gênero. A última que resiste, ainda que precariamente, é a Lira Musical 1º de Maio. Criada em 1975 ela enfrenta dificuldades de sobrevivência.
Hoje recebi a notícia por meio da Agência Minas, que no sábado, 22 de novembro, durante reunião do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), realizada no Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), foi aprovado, por unanimidade, o reconhecimento dos Saberes e Formas de Expressão das Bandas de Música de Minas Gerais como Patrimônio Cultural Imaterial do estado.
.A secretária de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Bárbara Botega, destacou a importância desse reconhecimento que valoriza a trajetória de grupos responsáveis por manter viva a tradição das bandas por gerações.
“Ao reconhecermos as bandas como patrimônio, preservamos nossa memória, valorizamos a nossa mineiridade, reconhecemos a trajetória desses grupos e contribuímos para fortalecer a nossa economia criativa. Minas valoriza sua história, mas também projeta seu futuro por meio da cultura”.
O presidente do Iepha-MG, Paulo Roberto do Nascimento, ressaltou que este registro representa a formalização de um merecimento histórico: “É o reconhecimento de um dos mais importantes e democráticos movimentos culturais genuinamente mineiros, do vibrante som dos dobrados aos solenes cortejos das procissões da Semana Santa que percorrem todo o Estado de Minas Gerais”.
Segundo o diretor de Proteção e Memória do Iepha-MG, Adriano Maximiano, o registro reafirma o papel essencial das bandas na formação da sociedade mineira. “As bandas de música são parte da alma de Minas Gerais. Elas atravessam gerações, unem comunidades e mantêm viva uma tradição que forma músicos e cidadãos”.
O processo de registro, iniciado em 2024, envolveu entrevistas, registros audiovisuais, levantamento de repertórios e a elaboração de um extenso dossiê técnico. As bandas, presentes em festas religiosas, atos cívicos e celebrações populares desde o período colonial, representam um dos pilares da educação musical e da vida comunitária no estado.
O reconhecimento é celebrado por músicos e regentes. Para o maestro Frederico Teixeira de Freitas, idealizador do encontro, a conquista fortalece um legado que sempre sustentou a cultura mineira de base. “Cada banda é uma pequena orquestra de afetos e tradições. Esse reconhecimento dá visibilidade a um trabalho coletivo que emociona e transforma”.
Minas Gerais possui hoje mais de 700 bandas ativas, muitas com mais de um século de existência. O registro oficial das Bandas de Música de Minas Gerais como Patrimônio Cultural Imaterial, portanto, consolida um capítulo fundamental da história do estado e assegura que esse saber coletivo, transmitido de maneira oral, comunitária e solidária, permaneça vivo para as próximas gerações.
Fica o alerta para as autoridades ditas competentes de Leopoldina, voltarem suas atenções para o resgate da nossa Lira Musical 1º de Maio que aos 50 anos ainda sobrevive por um milagre, pois desde sua fundação em 1975, formou centenas de músicos, vive de pequenas contribuições de sócios, dos próprios músicos.