04/12/2014 às 12h17min - Atualizada em 04/12/2014 às 12h17min

Servidores da Fhemig denunciam caos no sistema de saúde de Minas

Trabalhadores em greve na Capital e em Barbacena dizem que estrutura é precária e categoria é desvalorizada.

Hospital Regional de Barbacena.

Problemas estruturais, como falta de equipamentos e medicamentos, e a baixa remuneração dos servidores da Fundação Hospitalar do Estado (Fhemig) foram denunciados em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nesta quarta-feira (3/12/14). A reunião, solicitada pelo deputado Rogério Correia (PT), teve o objetivo de debater a saúde e a violações de direitos humanos dos servidores da categoria e contou com a presença trabalhadores em greve em Belo Horizonte e em Barbacena (Zona da Mata).

A representante da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), Mônica Fernandes Abreu, disse que toda a Fhemig está abandonada pelo Governo do Estado. Segundo ela, cirurgias estão sendo canceladas, leitos e berços estão inutilizados, há carência de profissionais capacitados, escalas mínimas estão suspensas em períodos de greve, e a estrutura geral dos hospitais está precária. “Não podemos esperar o próximo governo. A tristeza e o desespero são a realidade e a rotina nos estabelecimentos da Fhemig”, alertou.

O coordenador-geral da Asthemg, Carlos Augusto Martins, reforçou as palavras da colega e salientou que as maiores vítimas da precariedade do sistema estadual de saúde são os pacientes. Em sua participação, relatou casos de mortes ou agravamento de doenças nos hospitais por falta de estrutura ou erros médicos. “Sugiro que os deputados visitem os hospitais para conhecer pessoalmente este problema e os casos mais graves. E, posteriormente, exigir uma explicação aos diretores”, disse. Carlos Augusto pediu, também, uma audiência com a comissão de transição do novo governo para elaborar alguma ação emergencial para o sistema Fhemig e para melhorar a remuneração dos servidores.

Servidores de Barbacena estão em greve desde outubro

A técnica de enfermagem do Hospital Regional de Barbacena, Joselma de Araújo Fonseca, destacou que os servidores do estabelecimento estão em greve desde o dia 24 de outubro, uma vez que o estabelecimento atende centenas de municípios na região, não conta com estrutura suficiente e sofre com irregularidades nas relações de trabalho. Ela explicou que o local está sucateado, não conta com aparelhamento mínimo para atender os pacientes e não possui profissionais especializados, como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. “Nossa reivindicação não é apenas por melhores salários. Queremos ser reconhecidos como categoria e ter condições adequadas de trabalho, mas, infelizmente, não somos ouvidos pela direção do hospital e pelo governo do Estado”, afirmou.

Cepai – A enfermeira do Centro Psíquico da Adolescência e da Infância (Cepai), Ana Célia Carneiro, disse que o estabelecimento, único do Estado que atende casos psiquiátricos, não oferece equipamentos básicos para o atendimento dos pacientes, sofrem com a falta de medicamentos, conta com infraestrutura precária e tem carência de profissionais especializados. Ela explicou que os servidores tem buscado diálogo com a direção do Cepai, mas não tem tido retorno sobre a solução dos problemas. “Há uma redução progressiva de serviços e profissionais. Para os pacientes, tem sido uma odisseia conseguir atendimento”, lamentou. Ainda em sua fala, a enfermeira solicitou a reimplantação do pronto-atendimento a pacientes autistas, do hospital para internação durante o dia, o auxílio de vale-transporte para pacientes carentes e de cursos de capacitação dos servidores.

Ao final, o deputado Rogério Correia lamentou a violação dos direitos humanos relativa à saúde do trabalhador. Para ele, além de todos os problemas relatados, os servidores vivem estressados pela sobrecarga de trabalho e o salário baixo. “Os servidores lotados na Cidade Administrativa são um exemplo disso. O local é distante, não oferece alimentação adequada e tem gerado casos crescentes de depressão e afastamentos por doenças.

Para tanto, o parlamentar sugeriu providências a serem tomadas pela comissão, sendo estas o envio das notas taquigráficas à Secretaria de Estado de Saúde; uma solicitação de audiência no Ministério Público da Saúde, para que os servidores possam relatar a realidade da categoria; o pedido de providências ao líder de governo na ALMG, deputado Luiz Humberto Carneiro (PSDB) sobre a situação; e uma visita da comissão ao Hospital Regional de Barbacena para verificar as denúncias.

Fonte: Assessoria de imprensa da ALMG


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