04/12/2014 às 21h21min - Atualizada em 04/12/2014 às 21h21min

PRF identifica quase dois mil pontos vulneráveis à exploração sexual de jovens

Do total, 56% foram considerados críticos ou de alto risco, segundo a 6ª edição do mapeamento feito em rodovias federais.

PRF divulgou levantamento no dia 25 de novembro.

Um levantamento elaborado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) em parceira com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), com a organização Childhood Brasil, com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e com o MPT (Ministério Público do Trabalho) constatou que existem 1.969 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias federais. São ambientes ou estabelecimentos em que os agentes constataram prostituição, inexistência de iluminação, ausência de vigilância privada, locais costumeiros de parada de veículos e consumo de bebida alcoólica.

Do total, 56% foram considerados críticos ou de alto risco. Eles estão distribuídos em 470 municípios. Ao todo, são 1.104 pontos com maior probabilidade de ocorrência do problema, dos quais 408 estão em postos de combustíveis localizados em zonas urbanas. Outros 555, de médio risco, e, por fim, 310 pontos foram avaliados como de baixo risco.

Conforme a PRF, o número caiu 40% ao longo dos últimos seis anos. A explicação para isso é o engajamento de diversos setores no combate a esse tipo de prática e a atuação preventiva nas rodovias federais.

A região Sudeste do Brasil foi apontada como a que tem a maior quantidade de áreas problemáticas, com 494 pontos identificados. Em segundo lugar, está o Nordeste, com 475 áreas propícias à exploração sexual de crianças e adolescentes. Depois aparecem as regiões Sul (448), Centro-Oeste (392) e Norte (160).

“Normalmente, quando ocorre a violência sexual, outros direitos também foram violados. Ou seja, a criança ou o adolescente já foram negligenciados e, possivelmente, passaram por episódios de violência física e psicológica”, alerta o documento. O mapeamento permite o desenvolvimento de estratégias articuladas para o enfrentamento ao problema.

Perfil das vítimas
Neste ano, o mapeamento traz uma novidade: a identificação do sexo e da origem das vítimas. O objetivo é obter o perfil da criança ou do adolescente em situação de risco e traçar estratégias de prevenção e atendimento a essas pessoas.

Do total de pontos de risco mapeados, 1.121 forneceram respostas sobre os itens. Em 38% dos casos, a vítima era originária de outra localidade, ou seja, poderia estar em situação de tráfico de pessoas. E, dentre os 448 pontos com registro de crianças e adolescentes em situação de exploração sexual, identificou-se que 69% eram do sexo feminino, 22%, transgêneros e 9%, do sexo masculino.

Projeto Mapear
O projeto Mapear foi criado há 12 anos e busca ampliar e fortalecer ações de enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes no território brasileiro por meio da realização e atualização dos pontos vulneráveis ao longo das rodovias federais no país.

Clique aqui para acessar o documento completo.

Esca
Desde 2004, o Sest Senat desenvolve o Esca, Projeto de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O objetivo é conscientizar trabalhadores do setor do transporte e a sociedade sobre a importância do enfrentamento à exploração sexual infantojuvenil.

As atividades ocorrem, principalmente, pela ação de trabalhadores do setor do transporte. Caminhoneiros, frentistas, taxistas, donos de postos de combustível atuam voluntariamente como Agentes de Transformação Social (ATS), conscientizando colegas de trabalho e o público em geral sobre a importância da denúncia e do combate ao crime.

O Sest Senat ainda oferece, gratuitamente, um curso a distância para capacitação de profissionais do transporte na área. As aulas ocorrem em 15 módulos e podem ser realizadas em qualquer momento e em qualquer lugar com acesso à internet. Para saber mais, clique aqui.

Fonte: Natália Pianegonda-Agência CNT de Notícias - Foto: Marcelo Camargo/ABr


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