16/04/2014 às 15h30min - Atualizada em 16/04/2014 às 15h30min

Vista Alegre

A história

Luciano Baía Meneghite
Luciano Baía Meneghite

Por Luciano Baia Meneghite
Colaboração: José Dário Sodré


Cada lugar tem um marco, um símbolo que o identifica.Vista Alegre não é diferente.A primeira imagem que nos vem a cabeça ao falarmos do distrito é a da ponte metálica sobre o rio Pomba. Antes dela porém, existiram duas outras e antes delas, a “Barca do Miranda” como era conhecido o lugar, também chamado “Boqueirão dos Bagres.

Manoel da Silva Miranda, era quem fazia o serviço de transporte de barca de um lado ao outro do rio.Com a inauguração da estação ferroviária “Vista Alegre” em 1877, o nome acabou por se apegar ao local, então ligado a freguesia do Laranjal, município de Leopoldina.

Consta que entre seus primeiros moradores, se encontravam diversas famílias descendentes do pioneiro de Leopoldina, Manoel Antônio de Almeida. O patrimônio do povoado de um alqueire de terra, foi cedido por Antônio Manoel e sua esposa Jeronina Maria do Sacramento a pedido da mãe desta, Jeronina Maria de Jesus por escritura de 13 de Agosto de 1876, especialmente para construção de uma capela de S.Francisco de Paula, para qual contribuiu com doações a população local.

Em 19 de Julho de 1883 foi criado o distrito policial e em 18 de outubro do mesmo ano, foi elevado a distrito de paz pela lei nº 3.171, passando a pertencer ao recém emancipado município de Cataguases, antigo distrito de Santa Rita do Meia Pataca, até 1875 pertencente a Leopoldina (instalação em 1877).

Ainda em 1879, o governo provincial, construiu a 1ª ponte, tendo como empreiteiro, Antônio Joaquim de Albuquerque, primeiro negociante do lugar e um dos mais antigos moradores.

Em Janeiro de 1906, fortes chuvas deixaram um rastro de destruição. O rio Pomba transbordou a ponto de destruir a grande ponte, bem como todas as outras ligações entre Vista Alegre e Aracaty. Novamente o transporte entre o distrito e a estação precisou ser feito por barca em viagens de 15 em 15 minutos.A Câmara contratou por 20.520$000 a reconstrução da ponte. Nesta época a população do distrito era de cerca de 3.000 pessoas sendo 300 na sede e o restante espalhadas em pequenas propriedades, incluindo o povoado de Aracaty.

A lavoura principal ainda era a do café, que decaia em produção a cada ano sendo substituída por outras como a pecuária leiteira. Havia ainda cerca de 31 engenhos de cana e pequenas casas comerciais e oficinas sendo duas de fogos de artifícios.

A segunda ponte também foi destruída por enchente em 1919. Em 1924 o governo de Minas Gerais comprou por 207 mil contos de Réis a atual ponte de ferro da empresa alemã Orestein e Koppel.Vinda da Alemanha, desembarcada no Rio de Janeiro e trazida de trem até Vista Alegre em abril daquele ano.O início da construção foi no governo do Presidente do estado Raul Soares.(daí seu nome ter sido dado a obra posteriormente).Com 103 metros de comprimento e 5,8 de largura. Dada a tecnologia pouco comum na região a aquela época,chamava a atenção o fato de não haver pilares de sustentação dentro d’água,apenas quatro colunas de pedra nas cabeceiras com 8 cilindros para rolamento e dilatação. Há relatos não comprovados, de que teria havido acidentes fatais durante sua construção. A ponte, após anos de abandono e corrosão, foi restaurada pelo estado em 2002, infelizmente o limite de peso permitido a veículos (15 toneladas) nem sempre é respeitado.

Albino Montes, em seu livro “ Leopoldina sua gente sua música”.diz: “ lá pelos anos 30 ( séc XX ) , nos horários de trem,Vista Alegre fervilhava de pessoas indo e vindo,mulheres,crianças, viajantes,vendedores ambulantes apregoando suas mercadorias,vagabundos bebendo cachaça na venda do “Turco Massaud Sanam”,situada, estrategicamente,bem próxima da estação.”

Era uma época de um Rio Pomba limpo, pouco afetado pela poluição proveniente dos esgotos não tratados e resíduos químicos,vitima de acidentes ambientais como o recente em Cataguases.Vítima de desmatamentos etc...

Com a decadência econômica da região nas últimas décadas, com o fim do ramal ferroviário ligando-a a Leopoldina, quem visita Vista Alegre, não mais encontra toda aquela movimentação a não ser em dias de festa como a exposição agropecuária. Sua população é de ....... .Ainda na década de 80 se via algum vagão de passageiros nos trens a diesel (substitutos das locomotivas a vapor) da Rede Ferroviária Federal, privatizada em 1996. A estação já há muitos anos, virou moradia e oficina.O silêncio dos dormentes só é quebrado as vezes pelos trens carregados de bauxita da Ferrovia Centro Atlântica.

Curiosidade:

Vista Alegre- Denominação disputada por sete aglomerações urbanas, das quais apenas uma, no Rio Grande do Sul, possui condição administrativa de sede municipal.A prioridade sobre o nome, que lhe advém dessa circunstância, foi adquirida recentemente, visto que data de 1989 sua emancipação. Das seis vilas que também adotaram esse nome, duas são mineiras, a de Cataguases e a pertencente a Claro dos Poções.Até a emancipação da Vista Alegre gaúcha, era o distrito de Cataguases que detinha a prioridade sobre o nome em virtude de sua criação em 1883.As demais localidades pertencem aos municípios de Enéas Marques e Coronel Vivida (PR), Colorado(RS) e Maracaju(MS). Sabe-se que “nossa” Vista Alegre, já quis ser município, isso em 1890 idéia rejeitada pelo estado. Mais de 100 anos depois houve na década de 1990 especulações sobre um plebiscito em que o Distrito pudesse voltar a pertencer a Leopoldina.Não saiu do papel.

Fontes: Livro “Meia Pataca,tempos primitivos”-1908 autor desconhecido
Arquivo Gazeta de Leopoldina
www.estações ferroviárias.com.br
www.desvendar.com

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