29/04/2015 às 15h02min - Atualizada em 29/04/2015 às 15h02min

Cefet-MG inicia construção da primeira planta-piloto de reciclagem de veículos

Ricos em matérias-primas importantes, principalmente metais, os automóveis e outros veículos podem ser reciclados e voltar para a indústria reduzindo custos.

Daniela Maciel, no Diário do Comércio
Kenichi Tamura, Katsuya Baji e Daniel Enrique apresentam o projeto (Foto Michele Marie G1)

Mesmo em queda, a produção de automóveis no Brasil continua sendo uma das mais importantes do mundo. Em 2014, foram montados no país 3,15 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, ante 3,71 milhões em 2013, totalizando redução de 15,3%, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Do mesmo modo que novos veículos tomam as ruas, é preciso saber o que fazer com os que saem de circulação. Ricos em matérias-primas importantes, principalmente metais, os automóveis e outros veículos podem ser reciclados e voltar para a indústria reduzindo custos, minimizando a extração de recursos naturais e os impactos ambientais.

Em parceria com a Agência Japonesa de Cooperação Internacional (Jica) e a empresa japonesa Kaiho Sangyo, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), deu início à primeira planta-piloto de reciclagem de veículos da América Latina, no Campus II da Instituição, no bairro Nova Gameleira, na região Oeste da Capital.

De acordo com o professor do Departamento de Engenharia Mecânica e coordenador do projeto, Daniel Enrique Castro, em dois anos e meio a planta deve estar pronta para operar na sua capacidade máxima. Praticamente todo o carro pode ser reutilizado. Os índices de aproveitamento no Japão superam a faixa de 95%, chegando a picos de 98%.

"Um projeto de desmanche de veículos. Só não conseguimos reaproveitar algumas partes que são feitas com tipos de plásticos específicos. O material pode ser utilizado por diferentes tipos de empresas gerando um ganho grande para as indústrias. Além de mais barata a matéria-prima, é mais fácil produzir aço da matéria reciclada do que do minério bruto. Só em energia é possível poupar 60% nesse processo", explica Castro.

Além do ganho direto com o barateamento dos recursos e insumos, o projeto tem um outro ganho direto importante: a formação de mão de obra. Alunos do técnico, da graduação e da pós-graduação de diferentes cursos terão mais uma oportunidade de aprendizado no projeto. Professores também viajarão ao Japão para treinamento. Uma recicladora de veículos japonesa emprega, em média, 80 profissionais qualificados.

"Já temos alunos da pós-graduação trabalhando e da graduação começando, desenvolvendo instrumentos. Será também um espaço para os alunos do técnico. Vamos formar profissionais pra trabalhar em projetos semelhantes e capazes de montar plantas como essa em outros lugares", afirma o professor.

O custo do projeto está avaliado em US$ 1 milhão ao longo dos próximos dois anos. O dinheiro servirá para financiar a compra de equipamentos, a instalação e as viagens de treinamento. De dois em dois meses, os japoneses farão visitas de acompanhamento no Brasil.

“O que chamamos de indústria limpa, um novo mercado de trabalho. O Brasil tem experiências muito interessantes de reciclagem de vários materiais e uma população sensível ao tema. A reciclagem de veículos vai ao encontro da ideia de sustentabilidade. Temos com ela um ganho imensurável quando propomos uma nova maneira de cuidar do lixo e também incentivamos a troca de veículos, fomentando a indústria automotiva", aponta o professor.


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