20/05/2015 às 09h19min - Atualizada em 20/05/2015 às 09h19min

Principal parceiro comercial desde 2009, China amplia investimentos no Brasil

Presidenta Dilma Rousseff e primeiro-ministro chinês Li Keqiang assinam Plano de Ação Conjunta de 2015 a 2021, que integra um total de 35 acordos de cooperação nas áreas de infraestrutura, defesa, energia, comércio, entre outras

Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia oficial de chegada do primeiro-ministro da República Popular da China, Li Keqiang.(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR )

Um marco na estreita e fluida coordenação que assinala as relações entre China e Brasil. Assim pode ser definida a visita do primeiro-ministro da República Popular da China, Li Keqiang, ao Brasil, ocasião em que firmou, com a presidenta Dilma Rousseff, um Plano de Ação Conjunta entre os dois países no período de 2015 a 2021. 

Durante a visita da comitiva chinesa, nesta terça-feira (19), foram assinados um total de 35 acordos que abrangem os segmentos de infraestrutura, manufaturas, comércio, planejamento estratégico, infraestrutura, transporte, agricultura, energia, mineração, ciência e tecnologia, comércio, entre outros. Além disso, foram celebradas declarações conjuntas sobre os resultados da visita do primeiro-ministro e sobre mudanças climáticas.

"O Plano de Ação Conjunta 2015-2021, que assinei com o primeiro-ministro, inaugura uma etapa superior em nosso relacionamento. Está expresso nos vários acordos, nos múltiplos acordos governamentais e empresariais firmados hoje, em especial nas áreas de investimentos e comércio", afirmou a presidenta Dilma Rousseff. 

O primeiro-ministro da República Popular da China, Li Keqiang, chegou na noite de 18 de maio, acompanhado por cerca de 120 empresários chineses, e foi recebido no Palácio do Planalto com honras de chefe de Estado. "Teremos a oportunidade de dialogar com o empresariado dos dois países sobre o importante papel que exercem nesse processo de aproximação", destacou a presidenta.

Brasil e China mantêm importantes fluxos de investimentos bilaterais. As trocas comerciais entre os dois países alcançaram US$ 77,9 bilhões em 2014, com superávit brasileiro de US$ 3,3 bilhões. Do lado brasileiro, destacam-se os setores aeronáutico, bancário, de máquinas, autopartes e agronegócio. Tem-se observado, também, diversificação dos investimentos chineses no Brasil para setores de energia, eletrônicos, automotivo e bancário.

De acordo com José Alfredo Graça Lima, subsecretário-geral político do Itamaraty, "as relações bilaterais entre o Brasil e a China apontam para um novo tipo de cooperação entre os dois países: com muito mais foco em investimentos em aumento da capacidade produtiva, com aporte chinês em matéria de tecnologia para diferentes áreas".

Durante sua estada no País, o primeiro-ministro chinês deve se encontrar com os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados. Na quarta-feira (20), a comitiva segue para o Rio de Janeiro.

Ferrovia Transcontinental

Durante a visita do primeiro-ministro Li Keqiang, a presidenta Dilma Rousseff também recebeu o presidente do Peru, Ollanta Humala. Os três países iniciaram juntos estudos de viabilidade para a Ferrovia Transcontinental, que  vai cruzar o continente sulamericano, ligando o oceano Atlântico ao Pacífico.

"Um novo caminho para a Ásia se abrirá para o Brasil, reduzindo distâncias e custos. Um caminho que nos levará diretamente, pelo oceano Pacífico,  até os portos do Peru e da China", afirmou a presidenta Dilma Rousseff, durante declaração feita à imprensa após a assinatura de atos entre os dois países.

"Convidamos as empresas chinesas a participarem dessa grande obra, que sairá de Campinorte, no TO, lá na Ferrovia Norte Sul, passará por Lucas do Rio Verde no MT, atingirá o Acre e atravessará os Andes até chegar ao porto no Peru", explicou a presidenta.

Carne brasileira

Acordo sanitário entre os dois países também colocou na fila mais nove frigoríficos brasileiros, a princípio, para exportar carne à China. "A partir deste acordo sanitário cria-se uma nova forma de relacionamento entre as autoridades chinesas, autoridades sanitárias brasileiras e o Ministério da Agricultura", disse a presidenta Dilma Rousseff.

 

Histórico de boa relação

As relações comerciais entre Brasil e China foram estabelecidas em 1979 e, desde então, têm evoluído ano a ano. A partir de 2009, o país asiático se transformou no maior parceiro comercial brasileiro. A cooperação com a China também vem se constituindo numa das principais fontes de investimento diretos no País, tendo entre os destaques os setores de energia e mineração, siderurgia e agronegócio.

A cooperação entre Brasil e China tem o olhar atento dos demais países do mundo, em especial aqueles em desenvolvimento. Para o secretário-geral das Relações Exteriores, embaixador Sérgio Danese, chama especialmente a atenção a vocação inovadora e a capacidade de renovação desse relacionamento.

"Quando demos início ao programa CBERS [Programa China Brasil Earth Resource Satellite], em 1988 – o primeiro entre países em desenvolvimento no campo da alta tecnologia – poucos acreditavam na sua continuidade. Menos ainda na nossa capacidade de avançar conjuntamente no desenvolvimento de novas tecnologias. Mostramos a todos que isso é plenamente possível", afirmou o embaixador brasileiro, durante reunião da reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), há cerca de um mês.

Para ele, o mesmo pode ser dito em relação à parceria estratégica, instituída em 1993 – a primeira estabelecida pela China. "Hoje temos uma parceria genuinamente global. Somos parceiros no BRICS, no BASIC e no G-20. Criamos o Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS e o Arranjo Contingente de Reservas. E agora o Brasil se une à China na formação do Banco Asiático de Investimento e Infraestrutura. Todas essas são áreas inovadoras das relações internacionais contemporâneas, nas quais temos podido desenvolver uma proveitosa ação comum e coordenada", afirmou.

Cosban

Criada no ano de 2004, a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) é considerada o principal mecanismo institucional das relações dos dois países. Por meio de subcomissões e Grupos de Trabalho, a COSBAN cumpre papel fundamental na avaliação, planejamento e implementação de nossa ampla agenda de cooperação. Sua terceira e mais recente reunião ocorreu em Cantão, no último semestre de 2013.

Banco de Investimentos

Recentemente o governo brasileiro aceitou o convite da República Popular da China para participar como membro-fundador do Asian Infrastructure Investiment Bank (AIIB). A proposta do país asiático, que tem o objetivo de tirar do papel aproximadamente US$ 8 de trilhões em financiamentos, já mobilizou mais de 50 nações interessadas.

Confira alguns outros marcos das relações entre os dois países no infográfico a seguir.

Início das relações diplomáticas entre os dois países começou na década de 1970

Início das relações diplomáticas entre os dois países começou na década de 1970

Saiba quais foram os 35 acordos assinados entre os governos brasileiros e chinês nesta terça-feira (19):

RELAÇÕES EXTERIORES

  • Plano de ação conjunta entre o governo da República Federativa do Brasil e o governo da República Popular da China (2015 – 2021)
  • Memorando de entendimento para implementação de projetos para promoção de investimentos e criação de oportunidades de negócios entre os dois países.

COMUNICAÇÕES:

  •  Memorando de entendimento sobre sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia da informação
  • Acordo de colaboração para financiamento e operação de Projeto Free Wifi 4G
  • Acordo entre a Vivo e a Huawei sobre o Projeto Tech City para ampliação da cobertura e do sinal na região do centro do Rio de Janeiro e na região do Porto Maravilha
  • Acordo sobre centro conjunto de inovação na área de telefonia celular
  • Memorando de entendimento de cooperação estratégica em soluções fixas e móveis

 PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO

  • Acordo-quadro para o desenvolvimento do investimento e cooperação na área de capacidade produtiva e o programa de colheita precoce dos investimentos e cooperações na área de capacidade produtiva entre Brasil e China

TRANSPORTES

  •  Memorando de entendimento sobre estudos de viabilidade do Projeto Ferroviário Transcontinental
  • Acordo-quadro de financiamento sobre a compra de 40 aeronaves da Embraer
  • Contrato de financiamento leasing operacional para a Azul Linhas Aéreas

 CIÊNCIA E TECNOLOGIA

  •  Protocolo complementar sobre a pesquisa e produção conjunta do satélite de recursos terrestres China-Brasil (Cbers) 04a
  • Acordo de cooperação científica
  • Memorando de entendimento sobre oferta de treinamento em tecnologia da informação a bolsistas do programa Ciências sem Fronteiras

 AGRICULTURA E PECUÁRIA

  • Protocolo de requisito de saúde e quarentena sobre a exportação da carne bovina do Brasil à China
  • Acordo de cooperação sobre saúde animal e quarentena animal
  • Acordo-quadro de cooperação trilateral entre o governo do estado do Mato Grosso do Sul, o Banco de Desenvolvimento da China e o grupo China BBCA sobre o processamento de milho e soja

ESPORTES

  • Memorando de entendimento para cooperação esportiva nas modalidades de tênis de mesa e badminton

ENERGIA

  • Memorando de entendimento sobre cooperação na área de tecnologia nuclear
  • Acordo de conclusão de transferência de ações da EDPR para o Grupo Três Gargantas sobre projeto de energia eólica
  • Memorando de entendimento sobre cooperação em promoção de comércio e investimentos para construção de painéis solares fotovoltaicos

PETROBRAS

  • Acordo-quadro de cooperação para financiamento de projetos da Petrobras no valor de US$ 5 bilhões
  • Acordo-quadro de cooperação para financiamento de projetos da Petrobras no valor de US$ 2 bilhões
  • Acordo de cooperação para a criação de relacionamento de longo prazo

COMÉRCIO EXTERIOR

  • Memorando de cooperação financeira global entre a Vale e ICBC para oferta de serviços financeiros no valor de US$ 4 bilhões
  • Contrato de compra e venda de ações do Banco BBM S.A. pelo Banco de Comunicações da China
  • Acordo de cooperação para parcerias preferenciais e acesso ao mercado brasileiro de capitais

INFRAESTRUTURA

  • Contrato de afretamento entre a Vale e a Cosco
  • Memorando de entendimento visando à criação do Polo Automotivo de Jacareí/SP
  • Acordo de cooperação para a instalação de complexo siderúrgico no Maranhão
  • Memorando de financiamento sobre projeto de compra de 14 navios de minério de ferro de tonelagem de 400 mil toneladas
  • Memorando de financiamento sobre projeto de compra de 10 navios de minério de ferro de tonelagem de 400 mil toneladas
  • Memorando de entendimento para aquisição de 4 navios da Class carregadores de minério de grande porte
  • Acordo-quadro entre China Merchants Shipping e Vale para transporte marítimo de minério de ferro

MEIO AMBIENTE

  • Memorando de entendimento para parceria privada com vistas à elaboração de projeto no âmbito no programa de integração da Amazônia Legal para renovar e ampliar o atual Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam)

Saiba mais sobre os acordos firmados entre Brasil e China.

Fonte:

Portal Planalto, com informações de Blog do Planalto, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e Agência Brasil


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