10/07/2015 às 19h44min - Atualizada em 10/07/2015 às 19h44min

Perrella embolsou R$ 1,3 milhão da Assembleia de MG como ressarcimento de “gastos pessoais”, diz MP

Estadão

 O Ministério Público de Minas Gerais entrou com ação por improbidade administrativa contra o senador Zezé Perrella (PDT) por enriquecimento ilícito e lesão ao erário entre os anos de 2007 e 2010, quando ele exercia o mandato de deputado estadual. A investigação a Promotoria do Patrimônio Público afirma que Perrella recebeu reembolsos por despesas com verba indenizatória no valor de quase R$ 1,3 milhão, mas os gastos ressarcidos não tiveram relação com a atividade parlamentar. O parlamentar alega que os gastos foram legais e acusa o Ministério Público de perseguição.

Segundo os promotores que assinam a ação, o parlamentar recebeu reembolso por atividades de cunho privado ou por serviços que não foram comprovados. No período, Perrella era filiado ao PSDB, partido pelo qual atuou de 2005 a 2009 antes de ir para o PDT, sendo da base de apoio ao então governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB).

 

Como deputado estadual ele tinha direito a verba indenizatória – destinada ao custeio de despesas como aluguel de imóvel ou veículos para a atividade parlamentar – de, no máximo, R$ 20 mil por mês.

Somente com gastos de “assessoria contábil e tributária”, Perrella gastou R$ 198,3 mil. Segundo a ação, os serviços não tinham “qualquer caráter público”. O então deputado estadual foi ressarcido em R$ 187,8 mil por despesas com divulgação de atividade parlamentar por meio de serviços gráficos. Contudo, proprietários de algumas empresas ouvidos durante o inquérito não confirmaram os serviços para o então deputado ou não conseguiram comprovar os trabalhos prestados. O representante de uma gráfica, inclusive, disse aos investigadores que a empresa estava desativada na época dos fatos.

Avião. Perrella também pediu o ressarcimento de R$ 175,8 mil referentes a combustível para abastecimento de um avião particular. O caso chamou a atenção da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte, pois a maioria dos voos ocorreu em vésperas de fins de semana ou feriados e, inclusive destinos fora do Estado – para cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, São José dos Pinhais (PR) e Salvador.

Os promotores ressaltam ainda que durante o período para o qual Perrella pediu o reembolso, o então deputado faltou 89 das 101 sessões na Assembleia de Minas, o que reforça as suspeitas dos promotores de que ele utilizou a verba de gabinete para fins pessoais.


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